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Energia

- Publicada em 19/11/2021 às 17h21min.

Perspectiva de fornecimento de energia melhora, mas conta de luz continuará alta

Hidrelétricas representam cerca de 60% da capacidade de geração do País

Hidrelétricas representam cerca de 60% da capacidade de geração do País


CLAYTON DE SOUZA/AE/JC
Jefferson Klein
A melhora do nível dos reservatórios hidrelétricos na região Sudeste/Centro-Oeste do Brasil permite que hoje se verifique um cenário mais tranquilo quanto ao risco de um eventual racionamento de energia, algo que há alguns meses era mais preocupante. No entanto, a geração termelétrica deverá permanecer elevada para que essa ameaça não retorne no próximo ano e, consequentemente, a pressão no custo da conta de luz continuará em 2022.
A melhora do nível dos reservatórios hidrelétricos na região Sudeste/Centro-Oeste do Brasil permite que hoje se verifique um cenário mais tranquilo quanto ao risco de um eventual racionamento de energia, algo que há alguns meses era mais preocupante. No entanto, a geração termelétrica deverá permanecer elevada para que essa ameaça não retorne no próximo ano e, consequentemente, a pressão no custo da conta de luz continuará em 2022.
Sobre a dependência energética do País, o diretor da Siclo Consultoria em Energia Plinio Milano explica que a principal área produtora de hidreletricidade no Brasil é a Sudeste/Centro-Oeste, representando cerca de 65% da capacidade nacional de geração hídrica. “Como essa é a principal fonte (com aproximadamente 60% de participação na matriz elétrica brasileira), é o coração da geração de energia” frisa o analista.
Segundo o consultor, no final de outubro o nível dos reservatórios nessa região aumentou. Ele recorda que, no término de setembro, o volume era de 16,72% da capacidade do valor máximo armazenável e, no mês seguinte, quando era prevista uma redução desse patamar, houve uma reversão das expectativas e ocorreu uma alta para 18,22%.
Esse número continua crescendo. De acordo com dados do Operador Nacional do Sistema (ONS) Elétrico, na quinta-feira passada (18), o índice era de 18,81%. “Melhorou a situação? Sim. Mas, longe de ser confortável”, ressalta Milano. O integrante da Siclo salienta que o nível dos reservatórios na região Sudeste/Centro-Oeste subir no mês de outubro é algo que não acontecia desde 2001, ou seja, não era esperado. Ele detalha que o chamado período úmido, época em que a maior parte dos reservatórios brasileiros começa a encher, inicia normalmente no final de novembro ou começo de dezembro e se estende até abril ou início de maio.
Porém, apesar desse “presente meteorológico”, o consultor adianta que para se ter boas condições para a geração de energia no próximo ano é preciso que chova no mínimo a média histórica e o ideal é que se supere esse volume. Conforme projeções do ONS, a avaliação das condições de atendimento até maio de 2022 indicou que o armazenamento do subsistema Sudeste/Centro-Oeste em abril do próximo ano deverá estar em 38,4% do máximo armazenável, representando 3,7 pontos percentuais. acima do nível verificado em 30 de abril de 2021. Este resultado é 7,7 pontos percentuais. superior à projeção apresentada na reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) de outubro.
Apesar dessa perspectiva de melhora nas condições hídricas, Milano reforça que a conta de luz permanecerá elevada e recorda que a chamada bandeira de escassez hídrica, implementada em setembro deste ano e que prevê a cobrança de R$ 14,20 a cada 100 kWh consumidos, irá vigorar até abril de 2022. O mecanismo foi criado pela Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética (CREG) para custear os gastos do acionamento de térmicas e da importação de energia e é embutido na tarifa de cada consumidor, com exceção dos beneficiários da tarifa social. Em outubro, durante o Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico (Enase), a secretária-executiva do ministério de Minas e Energia, Marisete Pereira, afirmou que, mesmo com esse encargo a mais, o uso dessa bandeira não deve ser suficiente para cobrir todos os custos extras com o abastecimento de energia.

Planejamento e diversificação de fontes são soluções para evitar novos problemas de abastecimento

Para que as dificuldades de fornecimento energético não se repitam no futuro, os agentes do setor defendem que é preciso elaborar planos de médio e longo prazo e intensificar a participação de outras fontes, além da hidreletricidade, na matriz elétrica nacional. O presidente do Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS), Guilherme Sari, considera que a crise hídrica enfrentada neste ano é um sinal de alerta.
“A gente não pode contar com a sorte nesse segmento, que sirva de aviso porque vamos conviver com isso daqui para frente”, argumenta o dirigente. Sari acrescenta que a dependência da matriz elétrica brasileira quanto à fonte hídrica vem diminuindo e é necessário reduzir um pouco mais, pois a combinação com outras gerações é muito importante para a estabilidade do sistema. Para o representante do Sindienergia-RS, as energias renováveis, como a eólica e a solar, precisam ingressar cada vez mais nessa composição por serem competitivas, de rápida implantação e terem um impacto ambiental menor. Entretanto, ele admite que é necessário nessa transição contar com a chamada energia de base (que não oscila com as condições climáticas como é o caso, por exemplo, das usinas a gás natural) para ter garantias de abastecimento.
Mais adiante, Sari prevê que deve se desenvolver a ideia do armazenamento de energia em baterias, o que permitiria o aproveitamento das gerações eólica e fotovoltaica não somente em períodos de ocorrência de ventos ou de radiação solar. Já o coordenador do Grupo Temático de Energia e Telecomunicações da Fiergs, Edilson Deitos, sobre o fato das chuvas terem melhorado as condições dos reservatórios hidrelétricos a partir do mês passado, brinca que “Deus é brasileiro”. Ele reitera que, com isso, a crise hídrica acabou não tomando as proporções que podia chegar.
O empresário destaca ainda que a perspectiva de um PIB menor do que as projeções iniciais (o Ministério da Economia estimou recentemente alta de 5,1% para este ano – anteriormente era de 5,3%, e de 2,1% para 2022 – sendo que inicialmente era de 2,5%), apesar de representar um impacto na economia, acaba aliviando a carga demandada pelo setor elétrico. Outro fator que pode colaborar para que não haja um crescimento de consumo é se o verão registrar temperaturas mais amenas, o que implicaria o uso mais moderado dos aparelhos de ar condicionado. Contudo, para que as dificuldades enfrentadas agora não se repitam nos próximos anos, Deitos afirma que é preciso dar celeridade aos projetos de novas usinas que são apresentados no País.
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