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Transportes

- Publicada em 21/10/2021 às 19h01min.

Busca por táxis aumenta 83% em Porto Alegre com clientes descontentes com aplicativos

Usuários têm preferido utilizar os serviços de táxi devido à série de cancelamentos de corridas de carros por aplicativos

Usuários têm preferido utilizar os serviços de táxi devido à série de cancelamentos de corridas de carros por aplicativos


Fotos ANDRESSA PUFAL/JC
Adriana Lampert
A flexibilização das medidas restritivas - com aumento da circulação de pessoas nas ruas - e o descontentamento com os aplicativos de transporte estão impulsionando o movimento de táxis em Porto Alegre. Desde janeiro, a alta é de 83%, conforme levantamento do aplicativo Vá de Táxi. O segmento, que chegou a amargar queda de faturamento em torno de 40% por conta do isolamento social imposto pela pandemia de Covid-19, está em alta novamente. Ao contrário de cinco anos atrás, os taxistas dizem que estão sendo "mais valorizados" por usuários que, descontentes com os serviços de transporte oferecidos através aplicativos, escolheram voltar a usar os carros da frota de táxi da Capital para se locomover.
A flexibilização das medidas restritivas - com aumento da circulação de pessoas nas ruas - e o descontentamento com os aplicativos de transporte estão impulsionando o movimento de táxis em Porto Alegre. Desde janeiro, a alta é de 83%, conforme levantamento do aplicativo Vá de Táxi. O segmento, que chegou a amargar queda de faturamento em torno de 40% por conta do isolamento social imposto pela pandemia de Covid-19, está em alta novamente. Ao contrário de cinco anos atrás, os taxistas dizem que estão sendo "mais valorizados" por usuários que, descontentes com os serviços de transporte oferecidos através aplicativos, escolheram voltar a usar os carros da frota de táxi da Capital para se locomover.
A comerciária Aracheine Fagundes integra o grupo de pessoas "desiludidas" com aplicativos como Uber e 99 Pop. "Eu geralmente tenho 20 minutos para chegar no trabalho, e os motoristas de aplicativos costumam cancelar as corridas com frequência, quando é horário de pico", reclama. Outro motivo que leva a comerciária a preferir se deslocar até um ponto para pegar um táxi é o aumento do valor das corridas dos carros de aplicativos (antigamente denominado de tarifa dinâmica), que encarecem em horários de maior demanda. "No horário que saio do shopping, às 22h, eu pago R$ 5,00 a menos se for de táxi - a não ser que eu espere meia-hora até conseguir um carro de aplicativo, porque eles ficam cancelando, e a tarifa se mantém alta."
"Os serviços de carros por aplicativos estão decadentes e muito caros", concorda o ator Jairo Klein. "Prefiro pegar táxi com um motorista que me atende há 30 anos, porque acho mais seguro. Ele está sempre no mesmo ponto, e se não estiver, eu ligo e ele me pega onde for." Klein observa que os profissionais de aplicativos estão "muito mau humorados". "A gente não sabe quem está na direção, o que me deixa com receio. Além disso, tem alguns carros cujo padrão não é dos melhores", comenta o ator, que frequentemente se desloca de manhã muito cedo para o aeroporto ou a rodoviária de Porto Alegre, e também utiliza bastante o transporte à noite. 
Dados do Vá de Táxi, aplicativo de mobilidade fundado em 2013, com base nas chamadas feitas por meio da plataforma, mostram que também houve aumento médio de 36% entre janeiro e setembro deste ano em outras capitais brasileiras, como São Paulo (126%) e Recife (89%). 
Segundo a CEO da empresa, Gloria Miranda, 60% do crescimento da Vá de Táxi podem ser atribuídos à qualidade do serviço prestado pelos aplicativos concorrentes. "Varia de cidade para cidade, mas nas grandes capitais, onde o volume de corridas é mais significativo, o percentual é este", explica, afirmando que "está ocorrendo migração" de usuários de aplicativos de motoristas particulares para o táxi. Segundo ela, a procura pelo serviço de táxis teve aumento médio de 10% ao mês em 2021.
"A piora do trânsito nas grandes cidades, desencadeada pela flexibilização das normas de circulação, faz desse tipo de serviço uma alternativa de transporte mais rápida, já que em muitas capitais é permitida a utilização do corredor de ônibus pelos taxistas", observa a executiva. Segundo ela, embora as reclamações sejam variadas, a mais comum relatada por usuários é o cancelamento de corridas. "O cliente solicita um carro pelo aplicativo, o motorista confirma, mas cancela assim que aparece a possibilidade de pegar outra corrida de maior valor, aumentando o tempo de espera do passageiro. "
Há ainda outro agravante: a redução do número de motoristas de aplicativos, devido ao aumento da gasolina e das altas taxas cobradas que inviabilizam o lucro dos trabalhadores. Os motoristas de aplicativos só podem fazer corridas por meio das plataformas em que estão inscritos e que cobram em torno de 30% de taxas sobre o valor da corrida, explica a CEO da Vá de Táxi. Ela emenda que, os taxistas, pelo contrário, usam aplicativos de forma complementar, pois estão autorizados a pegar passageiros sem o uso do aplicativo. 
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Segundo Paulo Fernando Consul, serviços de carros por aplicativos não têm atrapalhado o mercado de táxis
O supervisor dos taxistas do Shopping Total, Paulo Fernando Consul, comenta que "ao contrário" dos motoristas de aplicativos, os profissionais da categoria são obrigados pela EPTC a realizarem exame psicológico e vistoria frequente no carro, além do alvará de folha corrida, entre outras exigências. "E ainda pagamos impostos, o que gera uma concorrência desleal", destaca. Ainda assim, comenta que os serviços de carros por aplicativos não têm atrapalhado o mercado de táxis. "Seguimos com clientela. Mas é preciso destacar que muitos taxistas entregaram as placas e desistiram de trabalhar durante a pandemia do novo coronavírus. Só aqui no nosso ponto eram 40 carros, hoje são 30."
"Ainda assim, notamos que muita gente está optando pelo táxi, a princípio por causa dos seguidos cancelamentos e da demora de chegada dos carros. Algumas passageiros também comentam que não estão se sentindo tão seguros, e preferem táxi de ponto." Apesar disso, Consul avalia que o fator que mais contribuiu para o crescimento de cerca de 30% dos serviços nos últimos dois meses foi a retomada da economia e o avanço da vacinação entre a população. "Com mais gente circulando na rua, deu uma melhorada. Mas não chegamos ao patamar de um ano e meio atrás: a noite está sem movimento pois não tem show, nem evento, só cinema e bar, que fecham cedo."
O taxista Flávio Malfati Coelho pondera que um dos motivos que garante o movimento do segmento em Porto Alegre é o fato de que diminuiu o número de veículos disponíveis. "Muitos entregaram as placas e prefixos. Alguns desistiram porque não estavam ganhando como antes." Ele também comenta que durante o período de espera pela vacina da Covid-19 a busca pelo transporte minguou bastante. "Agora tá voltando ao normal", pondera. 
Para Glória Miranda, a tendência é de crescimento dos serviços prestados pelos taxistas. Ela avalia que a forma pela qual os aplicativos de motoristas particulares têm crescido "não se preocupa com o cliente, visto apenas como um número".
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