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Meio Ambiente

- Publicada em 14/10/2021 às 21h33min.

Busca por imóveis cresce nos Campos de Cima da Serra

Concessão dos parques da Serra Geral e dos Aparados da Serra intensificou procura por terrenos

Concessão dos parques da Serra Geral e dos Aparados da Serra intensificou procura por terrenos


DAIANA SILVA/DIVULGAÇÃO/CIDADES
Roberto Hunoff, de Caxias do Sul
A concessão dos parques nacionais Aparados da Serra e Serra Geral para a empresa Urbia Cânions Verdes, gerida pela Construcap, que prevê investimentos de R$ 260 milhões ao longo de 30 anos nos dois locais, não está alterando apenas o setor de turismo nos Campos de Cima da Serra. Mesmo antes da finalização do processo de concessão, os municípios da região já percebiam um movimento de investidores interessados na compra de imóveis.
A concessão dos parques nacionais Aparados da Serra e Serra Geral para a empresa Urbia Cânions Verdes, gerida pela Construcap, que prevê investimentos de R$ 260 milhões ao longo de 30 anos nos dois locais, não está alterando apenas o setor de turismo nos Campos de Cima da Serra. Mesmo antes da finalização do processo de concessão, os municípios da região já percebiam um movimento de investidores interessados na compra de imóveis.
Com a oficialização do processo, a procura se intensificou de tal forma que chega a preocupar as lideranças públicas. "É surpreendente o que estão comprando", define o prefeito Ivan do Amaral Borges, de Cambará do Sul, município onde se encontram os dois parques e que mais se beneficiará com a cobrança dos ingressos, que irão impactar a arrecadação do Imposto sobre de Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN).
Segundo o prefeito, o movimento começou durante a pandemia com a aquisição de áreas para construção de casas de campo. "Acredito que as pessoas estão querendo sair dos grandes centros, porque tem vindo gente de todos os cantos do Brasil. A cidade é muito tranquila, sem violência", afirma, registrando que a prefeitura tem emitido média semanal de quatro a cinco guias do Imposto Territorial de Bens Imóveis (ITBI) referente a transferências de terrenos, fazendas, sítios e casas.
Mas, ao mesmo tempo em que confia nos benefícios que advirão, o prefeito sinaliza preocupação com uma possível descaracterização da paisagem da cidade, que é outro grande atrativo do turismo. Ele antecipa que o Município fará uma revisão do Plano Diretor visando garantir a preservação da beleza natural. "Não vamos aceitar a destruição deste bem que Deus concedeu ao município. Toda e qualquer construção terá de respeitar a legislação ambiental e urbanística", assegura.
A administração criou uma lei de incentivo, a qual reduz o ISSQN, de 5% para 2%, índice mínimo definido pela legislação federal, para novos empreendimentos. Segundo o prefeito, não se trata de abrir mão de receita, mas de gerar estímulos para a instalação de negócios na cidade. "Nossa população é formada 80% por pessoas carentes. Precisamos criar condições para melhorar a assistência a este público e gerar emprego. Recentemente, perdemos uma empresa calçadista", recorda.
Borges salienta que uma empresa já manifestou interesse em instalar um resort na cidade. "Estamos confiantes de que a situação melhore, com o incremento da receita via ITBI e ISSQN. Vai nos ajudar bastante no equilíbrio das finanças, pois começamos o governo, em janeiro, com dívida de R$ 20 milhões. Isto nos impõe restrições para mais investimentos, ficamos limitados ao atendimento de saúde e educação", cita.

Cambará do Sul busca investimentos em infraestrutura, saúde e educação

Prefeitura do município destaca necessidade de realização de obras
Prefeitura do município destaca necessidade de realização de obras
/Prefeitura de Cambará do Sul/Divulgação/JC

Outra preocupação central é o abastecimento de água e energia para atender, possivelmente, o triplo de pessoas que hoje visitam a cidade. Junto à Corsan, o prefeito de Cambará do Sul, Ivan do Amaral Borges, obteve a informação de que a barragem da cidade será duplicada e um poço, furado, em área cedida pelo município para elevar a oferta neste primeiro momento. "Estamos no aguardo, porque tudo é muito demorado na Corsan. Só não queremos nos lamentar com algo como aconteceu recentemente em Gramado, com falta de água", alerta. A questão energética está melhor encaminhada. A Rio Grande Energia (RGE) já tem projeto pronto de nova subestação para ampliar em 40% a carga de energia. A prefeitura negocia a cedência de um terreno para a estrutura.

Não menos importantes, no entendimento do prefeito, são as questões ligadas à saúde e educação. A cidade tem um hospital bancado por recursos municipais e uma rede com seis médicos. "É uma estrutura boa para uma cidade pequena", admite Borges. Mas reconhece que não é suficiente diante da expectativa de receber 1 milhão de visitantes por ano, três vezes maior do que o número atual de 250 mil. "Vamos conversar com a concessionária para que nos ajude neste ponto, pois o turismo que temos é de aventura, muito propício a acidentes", explica.

Com relação ao ensino, a preocupação é com a chegada de mais crianças, principalmente para creches, em função das famílias que estão se transferindo para trabalhar no parque. A solução, segundo o prefeito, está encaminhada, mas depende de recurso federal, na ordem de R$ 1 milhão, que está retido em Brasília. "O projeto está licitado, pronto para início das obras. Com esta escola, resolveríamos o problema, pois já temos lista de espera de 100 alunos", informa.

As estradas da região também mobilizam a administração de Cambará do Sul. São duas demandas principais: a pavimentação das rodovias estaduais 020, na direção do município de São José dos Ausentes, e a 427, com destino ao Aparados da Serra, num total de 44 quilômetros. "Estamos esperando que se confirme a inclusão de ambas no Plano Rodoviário do Estado. Hoje, estamos cooperando tecnicamente com o DAER nas obras da 020", aponta o prefeito.

O município está próximo de concluir o asfaltamento da estrada que leva até o cânyon Fortaleza. Também tem investido na manutenção de 800 km de estradas de chão no interior, pois o asfaltamento depende de recurso federal. Do lado de Santa Catarina, a pavimentação da Estrada da Rocinha está praticamente concluída e a do Faxinal recebeu autorização do governo catarinense.

São José dos Ausentes comemora novas oportunidades geradas

Atualmente, município recebe cerca de 4 mil visitantes por mês
Atualmente, município recebe cerca de 4 mil visitantes por mês
/prefeitura são josé dos ausentes/divulgação/jc

Secretária de Turismo, Cultura e Meio Ambiente de São José dos Ausentes, Aline Maria Trindade Ramos define como insana e inacreditável a procura por imóveis nos últimos meses. Ao mesmo tempo em que a situação é comemorada por trazer novas oportunidades de geração de emprego, renda e impostos, surge a preocupação com a preservação, de pelo menos parte das características da cidade. "Não queremos ver todas as grandes áreas naturais picotadas em pequenos terrenos", afirma a secretária, que também revela aumentos de até três vezes nos valores dos imóveis. Com esta preocupação, a prefeitura avalia alterações no Plano Diretor.

Aline reconhece que a procura ganhou corpo com a pandemia, mas foi acelerada com a concessão. A maioria dos interessados é das regiões metropolitanas de Porto Alegre e Florianópolis e dos estados do Paraná e São Paulo. "Muitos têm buscado imóveis para morar ou construir casas de lazer", sinaliza.

O movimento também se estende às atividades diretamente ligadas ao turismo. A Prefeitura já tem auxiliado investidores em busca de áreas para implantação de negócios na gastronomia e hotelaria. De acordo com Aline, a estrutura atual de restaurantes já é insuficiente, no momento, para atender as demandas de finais de semana, principalmente a localizada na área central da cidade. A maioria está acoplada às pousadas instaladas no interior.

A carência se estende à hotelaria. Segundo dados do Executivo, a cidade tem 18 estabelecimentos, sendo 16 pousadas no interior, com oferta total de 600 leitos. "Nos fins de semana a ocupação é praticamente total. Estamos avaliando alternativas com a associação de pousadas, porque com mais visitantes haverá falta de leitos. Algumas grandes redes já manifestaram interesse em vir para o município", cita Aline, ao destacar que a intenção da Prefeitura é que no interior os novos negócios mantenham as características atuais, enquanto para a área central o projeto contempla projetos mais arrojados.

A secretária estima em 4 mil o número mensal de visitantes. Com a concessão, projeta pelo menos três vezes mais. Para ela, mesmo que os parques concedidos se localizem em Cambará do Sul, os demais municípios se beneficiarão, bem como os cânions privados já existentes em Ausentes. Aline adianta que a Administração deu início aos estudos para a implantação da taxa do turismo, de forma a ter renda adicional para investir mais na infraestrutura, especialmente em comunicação. "Temos dificuldade com sinais de internet e telefonia no interior. Isto prejudica o funcionamento dos negócios nestas regiões", indica.

Com 4 mil moradores fixos, a cidade também carece de mão de obra qualificada para atender a prevista demanda de novos negócios. Neste sentido, a Prefeitura avalia parceria com o Senac para ter um calendário de cursos em diferentes atividades diretamente ligadas com esse novo momento. A agricultura, por meio das culturas de maçã e batata-inglesa, é a principal fonte de receita do município. Mas com a concessão dos parques, a secretária projeta mudanças neste cenário.

A exemplo dos demais municípios, as condições dos acessos aos parques e das estradas também preocupam a administração municipal. Dentre as principais demandas estão o asfaltamento da ligação com Cambará e o acesso até o cânyon Monte Negro, assim como a extensão até Bom Jardim da Serra, em Santa Catarina. Para as estradas do interior, as medidas são de manutenção permanente, necessária também para atender o escoamento da safra agrícola.

Bom Jesus planeja fortalecimento do meio rural

Prefeitura quer incrementar turismo nas propriedades do interior
Prefeitura quer incrementar turismo nas propriedades do interior
/ESTÂNCIA DAS FLORES/DIVULGAÇÃO/JC

Em Bom Jesus, a concessão dos parques deverá fortalecer estratégia da prefeitura de incrementar o turismo nas propriedades rurais de forma a melhorar as condições visando à cadeia sucessória, estimulando o jovem a seguir na atividade familiar. "Estamos preocupados com a juventude, que tem poucas oportunidades na cidade. Mas vislumbramos potencial incrível de crescimento com a nova situação dos parques", afirma a secretária de Turismo, Adriana Vieira Varella.

A administração pretende implementar políticas para fortalecer a atividade agrícola por meio do auxílio, não necessariamente financeiro, para que o proprietário agregue valor à produção por meio de agroindústrias, especialmente. "Em lugar de somente vender a maçã ou batata in natura, porque não produzir chip", exemplifica Adriana.

A secretária também cita empreendedores que já elaboram o doce de gila ou a paçoca de pinhão, mas que precisam de maior atenção. Para Adriana, bons exemplos são as queijarias legalizadas que já não conseguem atender a demanda e o azeite produzido na cidade, recentemente premiado em competição internacional.

A prefeitura também está preparando empresários para investimentos na produção de vinhos. "É uma oportunidade grande para o turismo. Basta ver os exemplos de Bento Gonçalves, Flores da Cunha e Garibaldi", exemplifica Adriana.

Também considera importante o investimento no turismo rural e de aventura, abrindo as propriedades à visitação. Adriana entende que um público interessante é o infantil, que só tem contato com a natureza mais autêntica pela internet. "A vivência com animais e natureza encanta as crianças. Elas precisam experienciar aquilo que veem virtualmente. Assim, influenciarão nas escolhas da família. O turista quer conhecer produção e rotina, aquela vivida pelos antepassados", defende.

Preparar os moradores para repassar informações turísticas corretas aos visitantes e manter as centenas de quilômetros de estradas do interior em boas condições são outras iniciativas que a Prefeitura está executando. Não apenas pelo turismo, segundo a secretária, mas também pela necessidade de escoamento da safra. Como polo com grandes florestas de pinus, a cidade tem expressiva circulação de caminhões, o que exige atenção ainda maior com as estradas. A partir dos Caminhos dos Tropeiros, recentemente lançado, a secretaria, juntamente com os demais municípios da região, trabalha a história e cultura. O objetivo é fazer a ligação dos diversos pontos dos antigos corredores dos tropeiros.

A secretária afirma que as estradas do interior e as rodovias de acesso ao município são prioridades em razão de o turista querer segurança na movimentação. "Esperamos que as autoridades direcionem os olhos para a região, acelerando os projetos das rodovias 020, de Cambará a Ausentes e da Estrada da Rocinha", reforça. Da mesma forma, manifesta preocupação com a baixa oferta de leitos, já insuficiente para atender a demanda atual.

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