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Conjuntura

- Publicada em 08/10/2021 às 17h20min.

Inflação de setembro é a maior desde o início do Plano Real e vai a 10,25% em 12 meses

É a maior taxa para o mês desde 1994 (1,53%), fase inicial do Plano Real, apontam dados do IPCA

É a maior taxa para o mês desde 1994 (1,53%), fase inicial do Plano Real, apontam dados do IPCA


GERD ALTMANN/PIXABAY/DIVULGAÇÃO/JC
Pressionado pela energia elétrica, o índice oficial de inflação do país voltou a acelerar e alcançou 1,16% em setembro. É a maior taxa para o mês desde 1994 (1,53%), fase inicial do Plano Real, apontam dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
Pressionado pela energia elétrica, o índice oficial de inflação do país voltou a acelerar e alcançou 1,16% em setembro. É a maior taxa para o mês desde 1994 (1,53%), fase inicial do Plano Real, apontam dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
Com a forte elevação, o indicador quebrou a barreira simbólica dos dois dígitos no acumulado de 12 meses. Nesse intervalo, a alta chegou a 10,25%.
Trata-se da maior variação do IPCA em 12 meses desde fevereiro de 2016 (10,36%). À época, a economia brasileira amargava período de recessão.
Os dados de setembro foram divulgados nesta sexta-feira (8) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Apesar de robusto, o avanço mensal de 1,16% veio abaixo das expectativas do mercado. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam variação de 1,25%. Em agosto, o IPCA havia subido 0,87%.
No acumulado de 12 meses (10,25%), o IPCA é quase o dobro do teto da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central). O teto é de 5,25% em 2021. O centro é de 3,75%.
Segundo analistas, o acumulado até deve perder algum fôlego nos últimos meses de 2021, devido a um efeito estatístico -houve repique nos preços de alimentos na reta final do ano passado. O cenário, contudo, está longe de tranquilizar analistas, consumidores e empresários.
A perspectiva é de IPCA em nível alto nos próximos meses, mesmo com a eventual desaceleração. O mercado financeiro projeta inflação de 8,51% ao final de 2021, indicou o boletim Focus, divulgado pelo BC na segunda-feira (4).
"A inflação preocupa muito até 2022. É um dos grandes pontos de preocupação na economia, talvez o maior", comenta João Leal, economista da gestora de investimentos Rio Bravo.
Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, oito tiveram alta nos preços pelo IPCA em setembro.
O maior impacto no resultado mensal (0,41 ponto percentual) e a maior variação (2,56%) vieram do segmento de habitação. O ramo acelerou ante agosto (0,68%).
O resultado do grupo foi puxado novamente pela energia elétrica. A conta de luz subiu 6,47% e, com isso, teve o principal impacto individual (0,31 ponto percentual) no IPCA de setembro.
Em 12 meses, a energia acumulou alta de 28,82%.
O IBGE sublinhou que, em setembro, entrou em vigor a bandeira tarifária de escassez hídrica no país, que acrescenta R$ 14,20 na conta de luz a cada 100 kWh (quilowatts-hora) consumidos. No mês anterior, a bandeira era a vermelha patamar 2, com acréscimo menor, de R$ 9,49.
Os preços do gás de botijão, que afetam principalmente os mais pobres, também continuaram subindo em setembro (3,91%). Foi o 16º avanço consecutivo.
Nesse período, a alta acumulada pelo item foi de 39,64%. Em 12 meses, o avanço do gás alcançou 34,67%.
Depois de habitação, os principais impactos entre os grupos vieram de transportes (1,82%) e alimentação e bebidas (1,02%). As contribuições para o resultado mensal foram de 0,38 ponto percentual e 0,21 ponto percentual, respectivamente.
Em transportes, o maior peso (0,18 p.p.), mais uma vez, veio dos combustíveis, que subiram 2,43%, influenciados pela gasolina (2,32%) e pelo etanol (3,79%).
Além disso, o gás veicular (0,68%) e o óleo diesel (0,67%) também apresentaram aumentos.
Ainda em transportes, destacam-se as altas de 28,19% nas passagens aéreas, após queda de 10,69% em agosto, e de 9,18% nos transportes por aplicativo, cujos preços já haviam subido 3,06% no mês anterior.
"Temos uma série de fatores por trás da inflação. Tem sido verificada principalmente entre itens monitorados, como gasolina, energia elétrica e gás de botijão", disse Pedro Kislanov, gerente da pesquisa do IBGE.
O grupo de alimentação e bebidas (1,02%) teve uma desaceleração em relação ao mês anterior (1,39%). A perda de fôlego ocorreu devido ao recuo das carnes (-0,21%), o primeiro após sete meses consecutivos de alta.
"Essa queda das carnes pode estar relacionada à redução das exportações para a China. No início do mês, houve casos do mal da vaca louca na produção brasileira", afirmou Kislanov.
"Com a suspensão das exportações, aumentou a oferta de carne no mercado interno, o que pode ter reduzido o preço", completou.
Inicialmente, a inflação ganhou corpo na pandemia com a disparada de alimentos e, em seguida, de combustíveis. Alta do dólar, estoques menores e avanço das commodities ajudam a explicar o comportamento dos preços.
Não bastasse essa combinação, a crise hídrica também passou a ameaçar o controle do IPCA. Isso ocorre porque a escassez de chuva força o acionamento de usinas térmicas, elevando os custos de geração de energia. O reflexo é a luz mais cara nos lares brasileiros.
Há, ainda, o efeito da crise política protagonizada pelo governo Jair Bolsonaro (sem partido). A turbulência em Brasília é um fator que joga o câmbio para cima.
No acumulado de 12 meses, a inflação é maior entre os preços monitorados, como energia e combustíveis. A alta foi de 15,72%. Enquanto isso, a inflação de serviços foi de 4,41%, conforme o IBGE.
"O setor de serviços ainda está deprimido, em processo de recuperação", definiu Kislanov.
Segundo ele, uma eventual aceleração dos preços desse segmento pode ocorrer com o aquecimento da demanda e a pressão de custos sobre a atividade.
Em uma tentativa de frear a inflação, o Copom (Comitê de Política Monetária do BC) passou a subir a taxa básica de juros (Selic).
Os preços em patamar alto, em um ambiente de juros maiores, desemprego acentuado e renda fragilizada, dificultam o consumo das famílias e desafiam os investimentos das empresas.
O presidente do BC, Roberto Campos Neto, projetou na segunda-feira que a inflação atingiria seu pico em setembro pelo IPCA.
"A gente entende que existe um elemento de persistência maior e, por isso, estamos sendo mais incisivos nos juros", disse na ocasião.
Para parte dos analistas, o país corre o risco de embarcar em um período de estagflação. O fenômeno é caracterizado por combinar fraqueza econômica e preços elevados.
Na visão de Claudia Moreno, economista do C6 Bank, o país ainda não vive um descontrole inflacionário, apesar de o quadro provocar preocupação.
"A gente vê uma inflação que deve continuar pressionada mais à frente, mas em desaceleração", avalia.
Segundo o IBGE, o IPCA em 12 meses (10,25%) foi puxado pela gasolina, com impacto de 1,93 ponto percentual no resultado. A energia elétrica aparece na sequência (1,25 p.p.).
A pesquisa do instituto contempla 16 metrópoles. Do total, 10 têm inflação de dois dígitos no acumulado de 12 meses.
Curitiba registra a maior disparada: 13,01%. São Paulo apresenta IPCA de 9,73%. A menor taxa entre as capitais é a do Rio de Janeiro: 8,74%.
Folhapress
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