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CONSUMO

- Publicada em 27/09/2021 às 17h17min.

Tendências de consumo surgidas na pandemia aproximam o local das vocações globais

Fuga do espaço urbano e contato com a natureza têm preferência de 53,6% dos pesquisados

Fuga do espaço urbano e contato com a natureza têm preferência de 53,6% dos pesquisados


TATI FELDENS/DIVULGAÇÃO/JC
Fernanda Crancio
Das mudanças comportamentais registradas ao longo da pandemia, a ampliação do acesso aos meios digitais se destaca entre as principais. E com as novas configurações de trabalho, estudo, lazer, consumo e de relacionamentos surgiram também as tendências de consumo do mercado on-line, como analisa pesquisa conduzida pelo Centro de Design e pelo Laboratório de Criatividade da Universidade Feevale, com  apoio do programa RS Criativo, do governo do Estado. Desde o início do ano, um grupo de 15 professores, pesquisadores e voluntários se dedica ao monitoramento desse retrato do momento, com o intuito de traduzir o atual movimento dos gaúchos e sua influência sobre a indústria criativa regional.
Das mudanças comportamentais registradas ao longo da pandemia, a ampliação do acesso aos meios digitais se destaca entre as principais. E com as novas configurações de trabalho, estudo, lazer, consumo e de relacionamentos surgiram também as tendências de consumo do mercado on-line, como analisa pesquisa conduzida pelo Centro de Design e pelo Laboratório de Criatividade da Universidade Feevale, com  apoio do programa RS Criativo, do governo do Estado. Desde o início do ano, um grupo de 15 professores, pesquisadores e voluntários se dedica ao monitoramento desse retrato do momento, com o intuito de traduzir o atual movimento dos gaúchos e sua influência sobre a indústria criativa regional.
Coordenado pelos professores Renata Fratton Noronha, Cristiano Max Pereira Pinheira e Vanessa Valiati, o estudo, ainda em andamento, mapeou comportamentos de consumo de moradores de cerca de 46 municípios do Estado, e ouviu, até agosto, mais de 260 pessoas. "Nos voltamos para o momento dos gaúchos em meio à pandemia e identificamos microtendências e comportamentos locais que se espelham às tendências internacionais, como a busca por soluções tecnológicas e inteligentes, a evasão dos centros urbanos, o turismo regionalizado e a prática da terapia on-line para manutenção da saúde mental", aponta Renata.
Segundo a pesquisa, as sessões de terapia feitas remotamente, com pacientes diretamente de suas casas, são uma tendência nova e que deve permanecer no pós-pandemia. Entre os entrevistados do estudo, 51,3% disseram conhecem alguém que faz terapia on-line e 24,9% admitiram frequentar as sessões nesse formato. "Se antes essa possibilidade parecia inusitada, já se consolidou. E isso acompanha o movimento intenso de cuidados com a saúde e o bem-estar durante a pandemia, onde muitos exercícios também foram mantidos no formato on-line", completa a coordenadora do estudo.
Opções de turismo em locais que permitam uma fuga do espaço urbano e priorizem o contato com a natureza também foram destaque entre os pesquisados. Para 53,6% deles "trilhas, cachoeira e convívio com a natureza" estão entre as preferências momentâneas, além da opção de "conhecer novos lugares através de experiências gastronômicas", que somou com 42,1% das escolhas.
Essa tendência ao "escapismo" do ambiente residencial e de proximidade com a natureza prevalece também em função do esgotamento das pessoas em relação às restrições impostas pela pandemia e ao "fique em casa" que marcou os últimos meses. "O sair de casa tornou-se algo mais que necessário para as pessoas e, nesse sentido, o contato com a natureza vem sendo priorizado", comenta Renata.
Nesse contexto, as mudanças comportamentais elencadas pelos gaúchos também impactam diretamente na indústria criativa, que não tem mais como pensar em consolidar um negócio viável sem adotar o formato híbrido. "Não basta apenas estar presente nas redes sociais, mas ter um e-commerce para a venda de produtos, por exemplo. São vocações globais que se aplicam aos negócios locais e é um caminho sem volta", analisa a coordenadora da pesquisa.

Após medidas de restrição social, terapia on-line se consolida entre os gaúchos

TRAPIA
Comodidade e otimização do tempo reforçam a terapia on-line como tendência em ascensão
FREEPIK.COM/DIVULGAÇÃO/JC
Para a psicóloga clínica e professora de Psicologia da Feevale, Michele Terres, a busca por cuidados com a saúde mental através da terapia on-line é uma tendência que veio para ficar. Regulamentada em 2018, a prática ainda encontrava resistência entre grupos de terapeutas e pacientes, mas tornou-se a única válvula de escape para muitas pessoa desde o início da pandemia.
"As pessoas começaram a não ter mais espaço para colocar suas dificuldades pra fora. Antes, se tinham alguma ansiedade em lidar com alguma coisa iam pro shopping, passeavam, faziam uma compra ou uma viagem. Quando a gente tem uma privação social, tem que se colocar isso em outro lugar. A convivência maior entre as famílias também provocou isso, e essa busca por terapia on-line e saúde mental vem como uma tendência em função desses aspectos", relata.
Há três anos conduzindo sessões on-line, a terapeuta conta que costumava atender na modalidade majoritariamente pacientes residentes em outros estados, no entanto, as restrições da pandemia fizeram com que os demais pacientes também migrassem para o formato digital. No momento, todo os seus atendimentos seguem sendo feitos on-line, e, inclusive, muitos pacientes já relataram  a intenção de não retomar à presencialidade, pela comodidade e otimização de tempo.
Michele destaca, ainda, que não vê diferença nos resultados dos processos terapêuticos conduzidos on-line e presencial. "A internet funciona como um meio para se expressar, não percebo dificuldade em trabalhar on-line e tenho atendido todos os meus pacientes assim no momento, pois a máscara dificulta ver as expressões das pessoas para a retomada da sessão presencial. Mas, claro, também é preciso avaliar se o cliente se adequa bem a isso, comenta.
O perfil dos pacientes atendidos remotamente é composto por homens e mulheres com problemas relacionados a crises de ansiedade, pânico, ou que não conseguem lidar com as dificuldades do momento pandêmico, e precisam de apoio emocional. "Normalmente os problemas não são atuais, mas se intensificaram durante a pandemia", conta Michele.
Ela complementa também que, aliado ao aumento da demanda, já há o entendimento de terapeutas que pesquisam mais a fundo o tema de que pode se oferecer uma terapia de qualidade no modelo on-line. "Vejo que realmente vai se tornando uma tendência, maior entre executivos e profissionais liberais, pela facilidade de economia de tempo", finaliza a terapeuta.
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