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Energia

- Publicada em 18h11min, 18/08/2021. Atualizada em 18h14min, 18/08/2021.

Rio Grande do Sul apresenta vocação para transição energética

Uma das oportunidades encontra-se na geração de energia em áreas marítimas e de lagoas

Uma das oportunidades encontra-se na geração de energia em áreas marítimas e de lagoas


MORTEN JUHL/AFP/JC
Jefferson Klein
Apesar de se encontrar no território gaúcho as maiores reservas de carvão mineral do País (cerca de 89% do total), o Estado também possui recursos para não ficar atrás nas demandas por energias renováveis, que cada vez mais são alvos de investimentos devido aos compromissos internacionais firmados quanto às condições climáticas. No caso do Rio Grande do Sul, entre as fontes que representam uma enorme oportunidade para serem desenvolvidas estão a eólica, a solar, as pequenas centrais hidrelétricas e a biomassa (matéria orgânica).
Apesar de se encontrar no território gaúcho as maiores reservas de carvão mineral do País (cerca de 89% do total), o Estado também possui recursos para não ficar atrás nas demandas por energias renováveis, que cada vez mais são alvos de investimentos devido aos compromissos internacionais firmados quanto às condições climáticas. No caso do Rio Grande do Sul, entre as fontes que representam uma enorme oportunidade para serem desenvolvidas estão a eólica, a solar, as pequenas centrais hidrelétricas e a biomassa (matéria orgânica).
Um dos maiores potenciais energéticos ainda a ser explorado está nas superfícies líquidas do Estado, nas lagoas e no mar, destaca o presidente do Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS), Guilherme Sari. No oceano, o Rio Grande do Sul teria possibilidade de gerar 80,3 mil MW eólicos, considerando alturas de 100 metros para captação do vento e águas com profundidades de até 50 metros. Na Lagoa dos Patos, o potencial é para até 24,5 mil MW e as lagoas Mirim e Mangueira teriam capacidade, respectivamente, para 7,3 mil MW e 2,1 mil MW. Todos esses números somados significam cerca de 60% da capacidade instalada das usinas brasileiras atualmente em operação.
Sari reforça que os investimentos no Estado tendem a ser acelerados devido a várias obras de transmissão de energia que estão sendo feitas ultimamente e permitem uma maior conexão ao sistema elétrico interligado nacional. O dirigente lembra que as fontes eólica e solar são complementares à hidreletricidade, a mais relevante dentro da atual matriz elétrica nacional, mas a tendência é do aumento da geração através dos ventos e do sol. “A pulverização das fontes é muito importante”, defende.
Na área fotovoltaica, a coordenadora estadual da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Mara Schwengber, destaca, além dos benefícios socioambientais, a criação de empregos com a atividade. Segundo ela, desde 2012 a fonte solar significou mais de R$ 51,3 bilhões em novos investimentos no Brasil e acarretou em torno de 292 mil postos de trabalho acumulados. No Rio Grande do Sul, foram mais de R$ 4 bilhões em investimentos e cerca de 23,5 mil empregos gerados na região.
A produção fotovoltaica tem se difundido muito no País e no Estado através da geração distribuída (GD), onde o consumidor gera sua própria energia. “Até porque é de fácil instalação (dos painéis solares) em telhados”, comenta Mara. Dos 6,48 mil MW instalados em micro e minigeração distribuída no Brasil, 97% são provenientes da fonte solar. O Rio Grande do Sul ocupa a terceira posição no ranking em geração solar distribuída, com 785 MW instalados, sendo superado apenas por São Paulo (793,8 MW) e Minas Gerais (1.142,9 MW). As cidades gaúchas que têm mais destaque nesse tipo de atividade são Caxias do Sul (26,8 MW), Porto Alegre (20,2 MW) e Santa Maria (20,2 MW).
A integrante da Absolar ressalta que cerca de 98% dos municípios do Estado tem pelo menos um painel solar instalado dentro de seus limites. Mara e Sari participaram nesta quarta-feira (18) do último dia do seminário Energias Renováveis e Desenvolvimento promovido pelo BRDE. Também palestrante do evento, o presidente do Conselho de Administração da Renovigi Energia Solar, Gustavo Martins, ressaltou que o Brasil ainda tem muito espaço para crescer na energia solar, sendo que no ano passado encontrava-se no 9º lugar no ranking mundial quanto a essa prática.
Outro campo que tem muito ainda a ser desenvolvido é o do biogás (combustível feito a partir de matéria orgânica). O diretor presidente do Centro Internacional de Energias Renováveis – CIBiogás, Rafael González, recorda que faz apenas cinco anos que o biocombustível, assim como o biometano (biogás purificado), entraram no plano nacional de energia, documento do governo federal que orienta os investimentos nesse setor.
Ele comenta que, no ano passado, 148 novas plantas de biogás foram implementadas, alcançado 675 unidades no País. Também integrante do seminário do BRDE, a sócia-fundadora da Petres Energia, Renata Beckert Isfer, antecipa que a transição energética será mais rápida nas nações desenvolvidas, sendo que os países mais pobres ainda farão muito uso de recursos fósseis, como o óleo e o carvão.

Região Sul tem excelente potencial para PCHs

Sem contar o bioma Amazônico, o Brasil teria possibilidade para desenvolver cerca de 18 mil MW em Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs - que vão de 5 MW a 30 MW de potência) e centrais geradoras hidrelétricas (CGHs - com 1 MW a 5 MW de potência). O Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) é a segunda região do País em questão de potencial para a implantação desses empreendimentos com 6.161 MW, sendo superada apenas pela Centro-Oeste, com uma capacidade de 6.987 MW.
Se forem levadas em conta as usinas já em operação, as duas regiões encontram-se em um “empate técnico”, com o Sul registrando 1.689 MW e o Centro-Oeste 1.680 MW. Conforme o presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de PCHs e CGHs (Abrapch), Pedro Dias, cerca de 7 mil MW, dos 18 mil MW de potencial no Brasil, já estariam aptos a disputar leilões de energia e significariam a geração de 420 mil empregos e investimentos na ordem de R$ 49 bilhões.
O dirigente acrescenta ainda que as PCHs e CGHs têm uma pegada de carbono menor do que as fontes fósseis e também inferior às gerações solar e eólica. Ele explica que isso se deve à longevidade dessas usinas, sendo que os outros complexos têm uma vida útil menor. Dias cita o exemplo da CGH Diamantina, instalada no município mineiro de mesmo nome, construída em 1883, e que continua operando até hoje.
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