Definindo-se como otimista, mas cauteloso, o economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, tem confiança em uma rápida recuperação da economia brasileira. O secretário do Tesouro Nacional do atual governo até julho do ano passado deu, como exemplo, a melhora nas contas públicas, como a redução do déficit da União para RS 187 bilhões, abaixo do estimado inicialmente. Ainda assegurou que estados e municípios também terão desempenho melhor do que nos últimos dois anos. Almeida foi palestrante nesta segunda (12) da reunião-almoço virtual da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Caxias do Sul. Junto com ele estava o head do BTG Pactual Advisors, Guilherme Pini.
Para o ex-secretário, dentre os fatores para este cenário estão a alta no preço das commodities e a expectativa de crescimento superior a 5% para o Brasil, índice bem acima do esperado pelo mercado no início de 2021. Além disso, o país poderá entrar em um ciclo de desenvolvimento se aproveitar a janela de oportunidades e encaminhar a agenda de reformas. “A gente está num ritmo de recuperação que é maior do que se esperava. O Brasil já voltou a um nível de PIB que a gente tinha pré-pandemia. Agora o mercado estima, e nós não somos exceção, que o crescimento do Brasil este ano vai ficar acima de 5%”, ratificou.
Mansueto lembrou que o ritmo da vacinação aumentou substancialmente no Brasil. “Quando a gente observou isso nos Estados Unidos, vimos uma reabertura muito forte da economia, e este mesmo movimento acontecerá aqui no Brasil, com atraso de dois ou três meses. Ou seja, a partir de setembro, vamos poder acelerar a reabertura da economia e ver os índices de contaminação e mortes de covid caindo bastante”, observou.
Segundo o economista, com o avanço da vacinação e com o mundo crescendo mais, o mercado está olhando com perspectivas bastante otimistas para essa recuperação cíclica da economia brasileira nesse e no próximo ano. “Temos algumas incertezas, mas a gente está num cenário de recuperação que é muito melhor do que o que se tinha a quatro, cinco anos atrás”, avaliou. Também destacou que, ao contrário de 2008/2009, o BNDES não precisou socorrer as empresas na atual crise. “O mercado de capitais está em alta”, salientou.
Ele disse acreditar que o próximo presidente eleito, em outubro de 2022, não deverá assustar o mercado, principalmente no que se refere às contas públicas, que continuarão sendo regradas pelo teto de gastos. “Para mudar terá de mexer na Constituição. Neste ano, se ensaiou isso, tentando tirar o Bolsa Família do teto de gastos. O mercado reagiu imediatamente e o câmbio acelerou”, recordou.
Guilherme Pini buscou traduzir as perspectivas do cenário apresentados por Mansueto Almeida e aplicá-las dentro dos portfólios de investimentos. Segundo o head, diversificação de investimentos, considerando até mesmo alocações internacionais, e aumento da volatilidade são dois aspectos que precisam ser observados ao se olhar para o comportamento de indicadores, como inflação e juros. “A primeira recomendação que fizemos aos clientes é ter a alocação estratégica, mas ter também um pouco mais de caixa no curto prazo”, reforçou. Ele confirmou que a instituição tem planos para abrir em breve um escritório em Caxias do Sul da Divisão BTG Pactual Advisors.