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Economia

- Publicada em 29 de Maio de 2021 às 13:52

Alta do IGP-M levanta dúvidas sobre a inflação e pode pressionar mais a Selic

Índice utilizado para reajustes como os de aluguel tem maior taxa registrada desde início do Plano Real

Índice utilizado para reajustes como os de aluguel tem maior taxa registrada desde início do Plano Real


LUCAS MIRANDA/PIXABAY/DIVULGAÇÃO/JC
Agência Estado
O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), bastante usado para os reajustes de aluguel, fechou o mês de maio com alta de 4,10%, uma forte aceleração em relação ao 1,51% registrado em abril. No ano, o indicador, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) alcançou 14,39%. Em 12 meses, o avanço já chega a 37,04% em 12 meses. Essa taxa é a maior registrada desde o início do Plano Real, superando o acumulado de 32,97% de abril de 2003.
O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), bastante usado para os reajustes de aluguel, fechou o mês de maio com alta de 4,10%, uma forte aceleração em relação ao 1,51% registrado em abril. No ano, o indicador, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) alcançou 14,39%. Em 12 meses, o avanço já chega a 37,04% em 12 meses. Essa taxa é a maior registrada desde o início do Plano Real, superando o acumulado de 32,97% de abril de 2003.
A disparada do índice já motivou até um projeto, do deputado Vinícius Carvalho (Republicanos-SP), que propõe a troca do IGP-M pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) como o teto para os reajustes anuais de contratos residenciais e comerciais. O tema é polêmico e encontra resistência em parte do mercado, que defende a livre negociação entre as partes.
O texto em análise na Câmara dos Deputados prevê que o índice de reajuste nos contratos de locação residencial e comercial não poderá ser superior ao índice oficial de inflação. O IPCA acumulado no ano até abril está em 2,37%, e em 12 meses, 6,76%. Desde o início do ano, lojistas de shoppings centers começaram a negociar a revisão de seus contratos de aluguel na tentativa de trocar o índice de reajuste.
A alta do IGP-M reitera também temores inflacionários e deve provocar elevação na projeção de 5,5% para a taxa Selic no fim de 2021, considerando também as expectativas de crescimento econômico mais forte este ano, afirmou o economista-chefe da Necton, André Perfeito. Hoje, a Selic está em 3,5% ao ano.
Segundo Perfeito, a inflação tem características típicas de um choque de oferta e o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), um dos componentes do IGP-M, deixa isso claro, com alta de 5,23% no mês e acumulado em 12 meses de "estonteantes" 50,21%.
"Os bancos centrais de todo o mundo enfrentam problemas similares nesta pandemia com a inflação e a maioria deles continua argumentando que esses são choques transitórios e, logo, não faria sentido subir fortemente a taxa de juros agora. Entendemos que essa argumentação faz sentido, mas num país amplamente indexado como o nosso, num índice como IGP-M isso traz preocupações adicionais."
Perfeito argumenta que a única forma de tentar minimizar os efeitos deletérios da inflação no curto prazo seria controlar o dólar por meio de uma alta mais forte da taxa Selic. Mas ele pondera que o Banco Central não tem meta para o câmbio.
Todos os índices que compõem o IGP-M registraram aceleração em maio. A mais significativa ocorreu no IPA, que reflete os preços no atacado, de 1,84% para 5,23%. Já o Índice de Preço ao Consumidor (IPC) avançou de 0,44% para 0,61%, chegando a 7,36% no acumulado em 12 meses até maio. Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) passou de 0,95% para 1,80%, com 14,62% em 12 meses.
O salto do IGP-M de abril para maio "foi tudo culpa" do IPA, com destaque para o minério de ferro (de -1,23% para 20,64%) e outras commodities, mas com repasses visíveis na cadeia, diz o coordenador dos Índices de Preços na FGV, André Braz. Para o economista, a escalada do minério de ferro mostra gordura que deve ser revertida no próximo mês, considerando também medidas contra a especulação na China. Mas ele reforça que há outros movimentos da cadeia que são preocupantes e uma desaceleração mais abrupta, na direção de 1%, talvez só em julho.
Além do minério, Braz também destacou o aumento em matérias-primas brutas (1,28% para 10,15%), da cana de açúcar (3,43% para 18,65%), com alta de 41,22% em 12 meses, e da soja (1,23% para 3,74%), chegando a 76,97% no período de um ano finalizado em maio. "O que impressiona mais, apesar das variações mensais serem expressivas, são as taxas acumuladas de 12 meses que as commodities vêm sustentando e que levam a um repasse na cadeia. Com a demanda começando a aquecer, com expectativas de crescimento da economia indo para 4%, há encaminhamento de pressões."
Com a avalanche de custos acumulados em 12 meses, Braz afirma que é crescente a chance de impacto na inflação ao consumidor também em 2022. "Dependendo da intensidade que o varejo reagir ao IPA, o movimento da Selic pode ser mais agressivo do que 5,5%. O grande desafio é não perder a guerra para a inflação. Não estou falando de hiperinflação, mas de manter a ancoragem", diz, ponderando que é preciso também dosar o aumento da Selic para não criar "embaraços" para o crescimento econômico. Ele também sugere medidas para aumentar a competição de setores, como, por exemplo, alterações em impostos de importação.
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