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Varejo

- Publicada em 18h43min, 28/04/2021.

Quase 90% dos negócios que fecharam as portas no RS são de micro e pequeno porte

Uma em cada três empresas não está funcionando no Rio Grande do Sul, mostra o Sebrae

Uma em cada três empresas não está funcionando no Rio Grande do Sul, mostra o Sebrae


MARIANA ALVES/JC
Adriana Lampert
A falta de capital de giro somada às dificuldades burocráticas para conseguir recursos de financiamentos no mercado está levando milhares de lojistas a optarem por fechar as portas definitivamente no Estado. Segundo dados da Junta Comercial, Industrial e Serviços do Rio Grande do Sul (JucisRS), o cenário atinge também empreendimentos de outros setores: desde março de 2020 foram registradas 90 mil baixas de diversos tipos de negócios, incluindo, varejo, indústria e serviços. Quase 90% deste volume é de empresas de micro e pequeno porte que não resistiram aos momentos de restrições das atividades, impostos por decretos do governo para conter a pandemia de Covid-19
A falta de capital de giro somada às dificuldades burocráticas para conseguir recursos de financiamentos no mercado está levando milhares de lojistas a optarem por fechar as portas definitivamente no Estado. Segundo dados da Junta Comercial, Industrial e Serviços do Rio Grande do Sul (JucisRS), o cenário atinge também empreendimentos de outros setores: desde março de 2020 foram registradas 90 mil baixas de diversos tipos de negócios, incluindo, varejo, indústria e serviços. Quase 90% deste volume é de empresas de micro e pequeno porte que não resistiram aos momentos de restrições das atividades, impostos por decretos do governo para conter a pandemia de Covid-19
"Apesar do esforço do governo federal em tentar auxiliar os empresários, grande parte dos recursos não chegou às MPEs, por questões burocráticas, por não aprovação de cadastro bancário, entre outros aspectos", explica o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul (FCDL-RS), Vitor Augusto Koch. 
Para se ter uma ideia do cenário atual, Pesquisa de Monitoramento dos Pequenos Negócios na Crise, realizada pelo Sebrae RS entre os dias 2 e 18 de março deste ano, mostra que aproximadamente uma em cada três empresas (35%) não está funcionando no Rio Grande do Sul. O percentual mais do que dobrou em relação ao levantamento anterior, feito em fevereiro, quando apenas 16% dos negócios estavam fechados. A principal causa deste fechamento para 70% das empresas são as restrições de funcionamento dos estabelecimentos.
A pesquisa também mostra que seis em cada dez (60%) empreendimentos apresentaram redução no faturamento nos últimos 30 dias, mesmo nível observado em agosto de 2020, demonstrando o agravamento da situação para muitos pequenos negócios. Desses, 28% indicaram que a redução foi superior a 50%. A busca por financiamento para manter a atividade passou de 19%, em fevereiro, para 24% em março, e, desses, 58% conseguiram obter créditos. O valor médio estimado obtido por empresa foi de R$ 70,2 mil.
Na Capital, aproximadamente 4 mil lojas de vários segmentos do comércio foram extintas no último ano, segundo estimativa do Sindilojas Porto Alegre. "É um grande número de negócios. A maioria é de empresas de gestão familiar, com falta de experiência para procurar orientação de entidades como o Sebrae/RS ou o próprio Sindicato", avalia o presidente da entidade, Paulo Kruse. Segundo ele, proprietários de micro e pequenos negócios que pedem ajuda institucional têm conseguido manter as atividades mesmo com as restrições no comércio.
"Alguns optam por mudar de endereço, outros diminuem os custos, entre outras formas de facilitar a permanência da empresa no mercado", comenta Kruse. O dirigente afirma que neste período de crise a troca de informações com outros lojistas também tem viabilizado outras soluções para muitos pequenos empreendedores. Já o presidente da FCDL-RS diz que no restante do Estado as micro e pequenas empresas não estão conseguindo manter seus fluxos financeiros "e sofrem dificuldades extremas para conseguir honrar seus compromissos com colaboradores, fornecedores e pagamento de tributos".
Por causa desse desequilíbrio financeiro, "milhares delas fecharam suas portas em definitivo e isso é muito grave, já que são as principais geradoras de emprego e renda em todo o Brasil", observa Koch. Ele ressalta a importância de políticas governamentais, em todas as esferas, que auxiliem os pequenos negócios a sobreviverem neste momento.
"Precisamos de políticas governamentais, em todas as esferas, que auxiliem os pequenos negócios a sobreviverem neste momento", alerta o presidente da FCDL-RS. "De fato, é necessária a ajuda dos governos", concorda o presidente da Associação Gaúcha para Desenvolvimento do Varejo (AGV), Sergio Galbinsk. Ele destaca que no caso do Estado uma forma de ajudar as pequenas empresas seria "retirar as multas e juros de ICMS referentes a 2020, que foi um ano muito complicado". "Quem não pagou foi porque não pode, porque não tinha fluxo de caixa", justifica.
Tendo em vista a piora da situação para grande parte dos empreendedores gaúchos, especialmente em relação ao nível de faturamento, o Sebrae RS vem atuando junto às autoridades no sentido de que flexibilizem as exigências relativas à obrigações tributárias e de fiscalização, com a prorrogação dos prazos para recolhimento de tributos e renovação de alvarás, de forma a contribuir para a preservação do caixa das empresas. "Não é razoável que as mesmas autoridades que proíbem a abertura dos estabelecimentos, exijam o adimplemento das obrigações nos prazos originais, uma vez que é preciso faturar para poder cumprir aquelas obrigações", avalia o diretor-superintendente da entidade, André Vanoni de Godoy. Contamos com a sensibilidade dos gestores públicos e estamos confiantes de que darão a sua contribuição para a preservação dos negócios."
Ao avaliar que não foram os decretos do governo, mas sim a realidade do vírus e do contágio, que diminuiu as vendas no Estado, Galbinsk destaca que, na contramão dos pequenos negócios, as grandes empresas têm mais capacidade para resistir aos impactos das restrições. "Antes de fecharem pela primeira vez no ano passado, as lojas já estavam vendendo muito pouco, porque as pessoas estavam assustadas e não saiam. E com as restrições, quem teve mais condições de captar dinheiro a juros baixos e investir em tecnologia foram as grandes empresas", comenta. De acordo com o dirigente da AGV, as vendas pelas redes sociais e pelo e-commerce foi um caminho que poucos empresários de pequeno porte trilharam.
"É uma questão mundial, uma situação que se criou por conta da pandemia, mas esperamos que aconteça de novo de fecharem o comércio, porque o varejo segue os protocolos, e as pessoas aprenderam a conviver melhor com o vírus", pondera Galbinsk. "Os prejuízos causados pelas restrições dos decretos na economia do Rio Grande do Sul são muito grandes, em especial em segmentos como comércio e serviços, que estiveram impossibilitados de trabalhar por longos períodos desde março de 2020", insiste o presidente da FCDL-RS.
Koch observa dois indicadores que mostram os prejuízos que o cenário do emprego no Rio Grande do Sul sofreu ao longo de 2020: a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do IBGE, aponta que o Estado encerrou o último ano com 476 mil pessoas desempregadas frente às 441 mil do final de 2019. "Este percentual de crescimento é o maior da série histórica do levantamento, iniciada em 2012", destaca. 
"Já os dados do Caged, o cadastro de empregos formais do Ministério da Economia, apontaram que em 2020 foram fechados 20,2 mil postos de trabalho no Rio Grande do Sul, engrossando a massa de desempregados", observa o dirigente da FCDL-RS. "Observando estes dois indicadores, vemos que cresceu o número de desempregados de forma muito preocupante no Estado". Ainda de acordo com o Caged, comércio e serviços foram dois setores que se fragilizaram em matéria de empregabilidade no ano passado. O varejo finalizou 2020 com a perda de quase 5 mil postos de trabalho, enquanto os serviços extinguiram cerca de 22 mil empregos. 
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