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Economia

- Publicada em 13 de Abril de 2021 às 21:23

Polarização de ideias domina as redes sociais

Painel abordou cancelamento, medo e discursos morais na internet

Painel abordou cancelamento, medo e discursos morais na internet


Marcos Nagelstein/Agência Preview/Divulgação/JC
Patricia Knebel
Vivemos em uma sociedade em que as pessoas estão com medo, com dificuldade de reagir aos desafios e propensas à polarização de ideias e, consequentemente, ao cancelamento de quem pensa diferente. Será que nos tornamos presas fáceis das milícias digitais?
Vivemos em uma sociedade em que as pessoas estão com medo, com dificuldade de reagir aos desafios e propensas à polarização de ideias e, consequentemente, ao cancelamento de quem pensa diferente. Será que nos tornamos presas fáceis das milícias digitais?
Para os especialistas que debateram esse tema ontem, no último dia do Fórum da Liberdade, promovido pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE), a resposta é sim. "As mídias sociais são uma ferramenta importante para empoderar a irracionalidade humana", alertou o filósofo e escritor Luiz Felipe Pondé. Para ele, a sociedade contemporânea está refém destes grupos, o que não quer dizer que não seja possível lutar contra essa dominação. "Quando se fala em milícias digitais, o número de indivíduos envolvidos pode não ser muito grande, mas são pessoas que realmente se importam com aquilo", observa.
O sociólogo húngaro Frank Furedi analisa que, muitas vezes, essa polarização e 'mentalidade de grupo' vem de cima para baixo. "Há coisas terríveis acontecendo neste ambiente das redes sociais, diálogos corrosivos na linha da censura. As pessoas estão sendo encorajadas a não conversar e a só ouvir quem pensa como elas, o que leva a um alto grau de intolerância. E não estamos falando de multidões iletradas, das massas, mas das elites culturais que estão sendo complacentes contra a liberdade de expressão", critica.
Para ele, é preciso um esforço de todos para reverter isso, e uma forma é ajudando a influenciar positivamente as novas gerações. "Muitos estão se informando assistindo Netflix e nas mídias sociais, que transmitem, muitas vezes, ideias incorretas. Precisamos ajudá-los a aprender a pensar de forma independente e a se desafiarem", destacou.
Para o cientista político americano Jason Brennan, quando as pessoas têm medo, se tornam irracionais e conformistas, dispostas a abandonar tudo se estiverem assustadas. "Se você fica muito tempo sentado, seus ossos vão enfraquecer, e o mesmo acontece com nosso cérebro. Só somos mais fortes ao encarar desafios. Pessoas fracas se tornam fáceis vítimas de aproveitadores", relata.
O cientista político afirma que o engajamento das pessoas em assuntos políticos nem sempre tem a ver com a política e, sim, em participar de um grupo social. Assim, se alguém criticar aquele grupo, o indivíduo o defende para mostrar que leal. Outro comportamento típico é o uso de discursos de moralidade, que levam à intolerância. Para ele, "deveríamos estar abertos a críticas e a entender que somos falhos, mas, temos um conceito muito inflado de nós mesmos.", destaca Brennan.

Modelo ideal da educação é híbrido, acredita Khan

Nunca se falou tanto a respeito do presente e do futuro da educação como desde que começou a pandemia. No momento em que os alunos e professores tiveram que se ausentar das salas de aula, vieram os questionamentos sobre qual o modelo ideal a ser construído para garantir o aprendizado.

"Alunos, pais e professores foram mergulhados na tecnologia, literalmente empurrados para isso. Mas, a tecnologia não é o mais importante e, sim, a forma como ela será usada para responder aos gaps existentes hoje em dia no ensino", comenta Salman Khan, fundador da Khan Academy, uma instituição sem fins lucrativos que publica vídeo aulas no YouTube gratuitas de matemática, ciências e humanidades em vários idiomas - inclusive português. 

Para ele, o processo de aprendizado precisa engajar as pessoas. Ele comenta que o modelo tradicional, em que os alunos precisam acompanhar 60 minutos de aula ininterrupta, de forma passiva, não é o ideal.

Aliás, Khan conta que estudos mostram que raramente conseguimos prestar muita atenção em alguma coisa por mais de 10 minutos. Por isso mesmo, a ideia dos vídeos, com duração de cinco a seis minutos, sempre pareceu o melhor caminho.

E tem dado certo. Em 2010, ele comenta que sonhava em chegar a 10 milhões de usuários da Khan Academy - hoje são 120 milhões de pessoas registradas. Ele acredita que no pós-Covid-19, não vamos estar no nove, em uma escala de digitalização que vai de 1 a 10, mas também não voltaremos para o dois. A possibilidade de personalização e a da não sincronia de horários de alunos e professores são apontadas como algumas vantagens.

"Sempre vou escolher a experiência presencial, mas, depois da pandemia, temos pensar em como fazer o melhor dos dois mundos para atingir os objetivos pedagógicos e reduzir as lacunas que existem hoje", relatou.

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