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Energia

- Publicada em 21h10min, 21/02/2021.

Passivos da CEEE-GT ficarão com a transmissora

Preços mínimos para geração e transmissão devem superar o da distribuição

Preços mínimos para geração e transmissão devem superar o da distribuição


JONATHAN HECKLER/arquivo/JC
Jefferson Klein
Com a recente aprovação dos acionistas da separação da CEEE-GT, que agregava as áreas de geração e transmissão de energia e agora será desmembrada em CEEE-G e CEEE-T, a expectativa do governo do Estado é obter valores maiores com as privatizações dessas empresas. Mas, além disso, o presidente do Grupo CEEE, Marco da Camino Soligo, afirma que essas companhias serão mais eficientes dessa forma. Uma medida que foi tomada para equilibrar as novas empresas foi concentrar os passivos após a divisão no segmento de transmissão, que tem maior porte e ativos mais valiosos, deixando a geradora, apesar de menor, mais enxuta.
Com a recente aprovação dos acionistas da separação da CEEE-GT, que agregava as áreas de geração e transmissão de energia e agora será desmembrada em CEEE-G e CEEE-T, a expectativa do governo do Estado é obter valores maiores com as privatizações dessas empresas. Mas, além disso, o presidente do Grupo CEEE, Marco da Camino Soligo, afirma que essas companhias serão mais eficientes dessa forma. Uma medida que foi tomada para equilibrar as novas empresas foi concentrar os passivos após a divisão no segmento de transmissão, que tem maior porte e ativos mais valiosos, deixando a geradora, apesar de menor, mais enxuta.
Conforme o dirigente, a transmissora tem uma receita anual de cerca de R$ 1 bilhão, enquanto o desempenho da geradora é superior a R$ 550 milhões. Porém, o presidente do Grupo CEEE comenta que esse último número poderá aumentar em breve, pois em janeiro de 2022 as gerações de algumas usinas da estatal serão descontratadas e os novos acordos poderão render valores até melhores para a companhia. Devido à desproporcionalidade entre os segmentos, Soligo detalha que a CEEE-T, com a cisão, absorverá dívidas com previdência, com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), que somam cerca de R$ 2 bilhões. Essa medida, frisa o executivo, permite que a CEEE-G nasça com enorme potencial, com R$ 200 milhões em caixa e sem endividamento.
Esse contexto facilitará a tomada de recursos no mercado financeiro para poder modernizar suas usinas, como as hidrelétricas Itaúba, Passo Real e Jacuí, assim como repotencializar suas pequenas centrais hidrelétricas (PCH). Já a sede do grupo em Porto Alegre ficou vinculada à CEEE-T, contudo o terreno não será incluído na privatização da companhia e ficará sob responsabilidade do governo do Estado.
Apesar do desmembramento da CEEE-GT já ter sido aprovado, efetivamente a totalidade dos efeitos dessa ação ainda vai demorar um pouco para ser percebida. "As empresas começam a trabalhar 100% cindidas, internamente no sistema do grupo, a partir do dia 1º de abril", adianta. Enquanto isso, seguem os processos de privatizações das companhias. O presidente do Grupo CEEE informa que a expectativa é que o leilão da área de transmissão ocorra ainda no primeiro semestre deste ano e o da geração no terceiro trimestre. Antes disso, será realizado o certame do segmento de distribuição da estatal, a CEEE-D.
Soligo ressalta que os preços mínimos para iniciar as concorrências das áreas de geração e transmissão deverão ser maiores do que o estipulado para a distribuição, que foi de R$ 50 mil, pelo fato de as empresas serem mais saudáveis financeiramente que a distribuidora. Nos nove primeiros meses de 2020, a CEEE-GT registrou um lucro líquido de cerca de R$ 258,2 milhões, contra prejuízo da CEEE-D de aproximadamente R$ 1,43 bilhão.

Separação deve atrair mais interessados nas companhias

Para o presidente do Grupo CEEE, Marco da Camino Soligo, a divisão dos segmentos de geração e transmissão beneficia o processo de privatização, pois atrairá mais participantes para o leilão, já que são negócios diferentes. "Os especialistas em transmissão não necessariamente também o são na geração", frisa o dirigente.

O executivo enfatiza que a cisão também melhorará as operações dessas empresas e suas relevâncias estratégicas. "Isso é um legado para o Estado. Para o Rio Grande do Sul foi muito bom porque melhorará a eficiência para além da privatização, quem comprar vai gerir melhor do que se as companhias estivessem juntas", aponta. Particularmente quanto à CEEE-G, Soligo revela que está sendo estudada a hipótese de colocar no edital de venda da empresa a obrigação de que o comprador finalize o projeto do parque eólico Povo Novo, um complexo de 52,5 MW em Rio Grande, que já absorveu R$ 158 milhões em investimentos, mas teve a sua obra interrompida em cerca de 27% do seu total.

Já a CEEE-T, antes de ter o seu controle mudando de mãos, deve iniciar neste semestre as obras do lote 6 de leilão de transmissão realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em dezembro do ano passado e vencido pela então CEEE-GT. O conjunto dessas iniciativas compreende uma subestação de energia em Cachoeirinha e linhas de transmissão entre esse município e Gravataí. O órgão regulador estimou como parâmetro R$ 191,9 milhões o investimento necessário para concluir esses empreendimentos, entretanto Soligo calcula que será possível desembolsar menos do que esse montante. Ele acrescenta que a atual projeção da transmissora é investir mais de R$ 1,5 bilhão nos próximos cinco anos.

O dirigente recorda ainda que, nessa disputa de dezembro, foi a primeira vez desde 2002 que a empresa gaúcha venceu um lote de obras de transmissão em um certame participando sem parcerias. Nessa mesma concorrência, o Grupo CEEE disputou os lotes 4 e 5, que entre outras obras incluía a revitalização da subestação Porto Alegre 4, localizada próxima ao shopping Praia de Belas e atualmente gerida pela estatal. Porém, a companhia não conseguiu superar a proposta do Consórcio Saint Nicholas I, formado pela Mez Energia e Participações e Mez Energia Fundo.

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