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transportes

- Publicada em 21h09min, 31/01/2021.

Divididos, caminhoneiros fazem nova greve a partir desta segunda-feira

Entre as principais queixas da categoria estão o custo do diesel e o valor do frete

Entre as principais queixas da categoria estão o custo do diesel e o valor do frete


GERV/ABR/JC
Entidades que representam caminhoneiros prometem iniciar uma greve nesta segunda-feira para pressionar o governo federal a negociar uma pauta com 10 exigências, em uma tentativa de repetir o movimento que, em 2018, parou o país por 11 dias e deu origem à tabela de preços mínimos para os fretes rodoviários. A realização da paralisação, no entanto, não é consenso na categoria, e enfrenta oposição em grupos patronais e do setor produtivo. Prestes a começar o escoamento das safras de milho e soja, o agronegócio - que apoiou o movimento de 2018 - diz que obstruir a logística neste momento seria irresponsável.
Entidades que representam caminhoneiros prometem iniciar uma greve nesta segunda-feira para pressionar o governo federal a negociar uma pauta com 10 exigências, em uma tentativa de repetir o movimento que, em 2018, parou o país por 11 dias e deu origem à tabela de preços mínimos para os fretes rodoviários. A realização da paralisação, no entanto, não é consenso na categoria, e enfrenta oposição em grupos patronais e do setor produtivo. Prestes a começar o escoamento das safras de milho e soja, o agronegócio - que apoiou o movimento de 2018 - diz que obstruir a logística neste momento seria irresponsável.
Pelo menos quatro entidades anunciaram participação e estão convocando caminhoneiros a não pegar a estrada. Para os que estiverem fora de suas cidades, os sindicatos, confederações e associações estão sugerindo que os motoristas busquem postos de parada, encostem os caminhões e conversem com outros. Lideranças dizem acreditar que em até três dias conseguirão que 80% dos motoristas autônomos deixem suas boleias e participem da mobilização.
Confirmaram adesão à greve CNTRC (Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas), criado no ano passado, CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística), ANTB (Associação Nacional de Transporte no Brasil) e Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores). A pauta de reivindicações traz questões como a necessidade de um marco regulatório do transporte e de uma jornada de trabalho para esse tipo de função.
Entre as lideranças, porém, são listados como "a gota d'água" para a mobilização marcada a falta de efetividade da aplicação do piso mínimo de frete, o preço do óleo diesel e as regras para a aposentadoria de motoristas -somente os que conduzem material inflamável conseguem enquadramento especial junto ao INSS. Falta também fiscalização da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) para o cumprimento do piso do frete, dizem. Os motoristas alegam que o piso não é um tabelamento, mas uma garantia de que os custos mínimos da viagem serão pagos.
Em um percurso de quase 600 quilômetros entre Ijuí e Rio Grande, no Rio Grande do Sul, o motorista recebe R$ 35 pelo frete; se o piso fosse aplicado, ele deveria receber R$ 72, segundo o porta-voz da CNTTL, Carlos Alberto Litti Dahmer. "Há uma disparidade entre os ganhos do setor agrícola, e que é merecido, e dos caminhoneiros. Só que até hoje eu não vi navio atracar na lavoura. Em algum momento da produção, é do caminhão que eles precisam", disse.
Para os grupos contrários à paralisação, o momento é inoportuno. A CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos) divulgou nota em que diz reconhecer as dificuldades enfrentadas pelos motoristas, mas descarta a paralisação devido à "delicada realidade que o País está passando". Até entre os que participaram do movimento anterior há discordância quanto à paralisação. José da Fonseca Lopes, presidente da Abcam (Associação Brasileira dos Caminhoneiros), da Conftaq (Confederação Nacional dos Caminhoneiros e Transportadores Autônomos de Bens e Cargas), e um dos líderes do movimento de 2018, diz acreditar que a paralisação deste ano não terá força.
"O momento não é adequado por causa da pandemia. Já estamos em uma situação de desgraça, imagina fazer aglomeração, ficar sem combustível, sem alimentação", disse. Segundo ele, as entidades que comanda representam 65 sindicatos. Engrossam a lista de contrários à paralisação a CNT (Confederação Nacional do Transporte), a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), a FETCESP (Federação das Empresas de Transportes de Cargas do Estado de São Paulo) e o Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no Estado do Rio Grande do Sul (Setcergs). Wallace Landim, o Chorão da greve de 2018 e atual presidente da Abrava, que convoca a paralisação, diz que o governo Jair Bolsonaro trata os caminhoneiros com descaso e falta de respeito.

Em novo apelo, Bolsonaro diz que zerar tributo do diesel teria impacto bilionário

O presidente Jair Bolsonaro fez um novo apelo para que os caminhoneiros não façam paralisação. Ele afirmou ainda que a redução da PIS/Cofins do óleo diesel traria um impacto bilionário para os cofres públicos e que, para adotar essa medida, o governo precisa indicar de onde viria a compensação pela perda dos recursos.

"A gente apela para os caminhoneiros, eles realmente são o sangue que leva o progresso, todo o movimento dentro do Brasil. Não é eu que vou perder, o Brasil vai perder. Os senhores também vão perder", disse o presidente, durante passeio de moto por Brasília.

O preço do combustível é um dos pontos que tem gerado insatisfação na categoria, agravado pelo reajuste de 4,4% do óleo diesel nas refinarias. "Vocês têm razão nas reivindicações, no passado houve muita gente comprando caminhões, por planos de governos anteriores. Há um excesso de caminhões na praça. Isso ajuda a diminuir o valor do frete, o que não é bom", relatou Bolsonaro. O presidente afirmou ainda que não quer prometer o paraíso e que todos no Brasil estão "numa situação bastante complicada".

Sobre a redução da PIS/Cofins sobre o diesel, hoje em R$ 0,33 por litro, o presidente disse que a eliminação da contribuição traria um impacto de R$ 26 bilhões. "A Receita apresentou para mim onde eu poderia achar parte desse recurso. É cobrir um santo e descobrir outro", afirmou.

"Eu gostaria - não sei se estou certo, porque tem que falar com o Paulo Guedes [ministro da Economia] antes - que não tivéssemos esse impedimento na Lei de Responsabilidade Fiscal, [de] ao diminuir imposto ser obrigado a achar a fonte para compensar o que foi diminuído em outro local. Se não tivesse, eu zeraria agora imediatamente os R$ 0,33", disse.

Entidades que representam caminhoneiros prometem iniciar nesta segunda-feira uma greve para pressionar o governo federal a negociar uma pauta com dez exigências, em uma tentativa de repetir o movimento que, em 2018, parou o país por 11 dias e deu origem à tabela de preços mínimos para os fretes rodoviários.

A realização da paralisação, no entanto, não é consenso na categoria, e enfrenta oposição de grupos patronais e do setor produtivo. Prestes a começar o escoamento das safras de milho e soja, o agronegócio - que apoiou o movimento de 2018 - diz que obstruir a logística neste momento seria irresponsável.

Na sexta, o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) proibiu a obstrução da Rodovia Presidente Dutra, sob pena de multa de R$ 10 mil para pessoas físicas e R$ 100 mil para pessoas jurídicas.

Lideranças listam como "a gota d'água" para a mobilização marcada a falta de efetividade da aplicação do piso mínimo de frete, o preço do óleo diesel e as regras para a aposentadoria de motoristas -somente os que conduzem material inflamável conseguem enquadramento especial junto ao INSS.

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