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Consumo

- Publicada em 18h54min, 05/10/2020. Atualizada em 13h35min, 06/10/2020.

Preços do arroz e óleo mantêm a fervura em setembro em Porto Alegre

No supermercado, dona de casa busca opções mais baratas de arroz e abandona marca preferida

No supermercado, dona de casa busca opções mais baratas de arroz e abandona marca preferida


PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC/
Patrícia Comunello
O arroz e o óleo de soja mantiveram a escalada de aumentos em setembro nos supermercados em Porto Alegre. Dados antecipados pelo Jornal do Comércio, que serão divulgados nesta terça-feira (6) pela pesquisa da cesta básica, calculada pelo Dieese, apontam que o cereal subiu 19,75% e o óleo subiu 19,4%. O feijão, um dos ingredientes mais consumidos, aumentou menos, mas chegou a 4,9%.
O arroz e o óleo de soja mantiveram a escalada de aumentos em setembro nos supermercados em Porto Alegre. Dados antecipados pelo Jornal do Comércio, que serão divulgados nesta terça-feira (6) pela pesquisa da cesta básica, calculada pelo Dieese, apontam que o cereal subiu 19,75% e o óleo subiu 19,4%. O feijão, um dos ingredientes mais consumidos, aumentou menos, mas chegou a 4,9%.
Nos supermercados, a fervura dos preços trouxe ao dia a dia dos frequentadores as plaquinhas de limitação de unidades por compra. Costuma ser de até 12 itens no arroz, no óleo e no leite, que subiu devido à entressafra. Todos esses ingredientes registram alta no consumo associada aos efeitos da pandemia.
Noite de domingo. A dona de casa se aproxima da prateleira do supermercado Zaffari no bairro Santa Cecília, região de classe média e alta em Porto Alegre, e fica na dúvida sobre qual marca de arroz levar para casa entre as duas opções em promoção, nenhuma delas conhecida.
A marca que a consumidora costumava levar antes da pandemia estava R$ 2,00 mais cara. E já é passado. "Dou uma boa fritadinha nesse arroz (mais barato) e fica muito bom. Ficar mais em casa ajudou a gente a valorizar o que gastamos. Isso foi muito bom", descreve ela, que prefere não dizer o nome. "Fica só com esta informação", diz ela, que sai empurrando o carrinho com bom humor.
A escolha feita pela dona de casa tenta amenizar o que virou o ingrediente amargo de qualquer cardápio dos brasileiros, ainda mais que a alimentação na residência virou mais regra que exceção. 
A economista que coordena a cesta básica na Capital pelo Dieese, Daniela Sandi, observa que o nível da elevação seguiu o patamar apurado em agosto, que já havia sido o maior do ano. 
"Nesse momento de pandemia, onde o desemprego aumenta e pelo menos 30,1% da população recebe renda menor do que habitualmente recebia (antes da crise), é preocupante os impactos (dos aumentos dos alimentos) para quem ganha menos", destaca a economista. O impacto sobre a renda é mostrado pela Pesquisa Nacional por Amostra de domicílios (Pnad), série da Covid-19.   
Os dados completos da cesta básica vão indicar as altas acumuladas no ano e em 12 meses até o mês passado. Daniela observa que, até agosto, o derivado da oleaginosa já somava alta de 40,3% desde janeiro e de 56,4% desde setembro de 2019. O arroz ultrapassou 40% no ano e 42,6% em 12 meses. O feijão já subiu 50% em 2020 e 45,1% desde setembro do ano passado. 
Daniela indica que valorização do cereal é provocada por maior exportação e redução de oferta interna. A recente medida federal para zerar a tarifa externa comum (TEC) para importação pode amenizar ou reter maiores alta, diz o governo. Mas a economista aponta que estoques públicos em baixa também dificultam a neutralização dos impactos para as camadas mais baixas de renda, que demandam mais o alimento.
"O governo abandonou a política de regulação de estoques de grãos, que poderia acomodar variações abrutas e significativas de preços como agora", critica a economista. "Deixar a situação ser regulada pelas 'leis do livre mercado' penalizará principalmente a parcela mais pobre da população, que gasta mais proporcionalmente com alimentos", associa ela.
Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que, a partir de 2015, os estoques públicos de arroz começam a reduzir e chegam a pouco mais de 20 mil toneladas em agosto passado. 
Em nota, a Conab alega que estoques de passagens mundiais elevados e maior inserção dos Brasil no fluxo de comércio internacional teria reduzido "a necessidade de formação de estoque público para assegurar a segurança alimentar das famílias brasileiras". "Os parâmetros da atual política econômica não preveem ações para regulação do abastecimento por meio de estoques públicos", completa.
A elevação dos preços é associada ao maior consumo durante a pandemia, disse o diretor-presidente da Conab, Guilherme Bastos, durante a Expointer. A elevação é de mais de 26%. Também o mercado externo, com alta de preços de 20% este ano, tornou-se atrativo e fez as exportações explodirem. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, chegou a reagir, quando muitos defenderam controle de preços do arroz, que o produto "subiu no mundo todo"
O ritmo dos aumentos deve arrefecer, diz Bastos, mas não deve cair a níveis anteriores ao período da atual crise sanitária. Há previsão de maior produção em 2021, alta de 12%, com 70% da área plantada no Rio Grande do Sul. Os estoques totais, que têm maior impacto do setor privado, estão em 500 mil toneladas e são projetados em 820 mil toneladas para 2021.  
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