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Combustíveis

- Publicada em 03h00min, 21/09/2020.

Adição de biodiesel ao diesel deve se manter nos 10%

Escassez da matéria-prima principal, a soja, pode levar à prorrogação

Escassez da matéria-prima principal, a soja, pode levar à prorrogação


/SCOTT OLSON/AFP/JC
Jefferson Klein

O aumento da exportação de soja, principal matéria-prima do biodiesel brasileiro, fez com que o governo federal passasse de 12% para 10% a obrigatoriedade da adição do biocombustível na fórmula do óleo diesel, já que a oferta da oleaginosa para a área de combustível começou a escassear. Em princípio, a medida valeria de setembro até o final de outubro e após esse período o patamar original seria retomado. No entanto, segundo o presidente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Juan Diego Ferrés, existe uma grande chance desse prazo com um percentual mais baixo de biodiesel ser prorrogado.

O aumento da exportação de soja, principal matéria-prima do biodiesel brasileiro, fez com que o governo federal passasse de 12% para 10% a obrigatoriedade da adição do biocombustível na fórmula do óleo diesel, já que a oferta da oleaginosa para a área de combustível começou a escassear. Em princípio, a medida valeria de setembro até o final de outubro e após esse período o patamar original seria retomado. No entanto, segundo o presidente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Juan Diego Ferrés, existe uma grande chance desse prazo com um percentual mais baixo de biodiesel ser prorrogado.

"Não sabemos exatamente se vai continuar nos 10% ou se poderia ser estendido para 11%, como um índice intermediário, para retomar aos 12% no início do próximo ano, com a nova safra", comenta o dirigente. Ferrés informa que já foi solicitado ao governo a autorização para importar matérias-primas dos países vizinhos, do Mercosul, para mitigar o problema gerado para a produção de biodiesel causado pela exportação excessiva da soja em grão. Atualmente, o presidente da Ubrabio calcula que a ociosidade das plantas do biocombustível no País esteja na ordem de 30%. Ele detalha que a capacidade total instalada da indústria nacional é de 1,58 bilhão de litros por bimestre.

Já o presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), Erasmo Carlos Battistella, afirma que a entidade está comprometida em encontrar o percentual de mistura possível, para que se tenha um preço equilibrado e disponibilidade de produto, superando essa fase de falta de matéria-prima. "Nós trabalhamos sempre para ter o máximo de biodiesel possível, mas entendemos que o momento requer diálogo", destaca. Battistella considera que é uma questão pontual pela qual passa o setor, no entanto ele sustenta que o Brasil precisa pensar estrategicamente, não somente quanto à soja, mas quanto a outros itens do agronegócio, como arroz e feijão.

O dirigente salienta que nos últimos meses, com a pandemia do coronavírus, muitas nações reforçaram seus estoques alimentares, mantendo até exportações mais baixas para garantir essas reservas, o que não foi feito no Brasil. Para o presidente da Aprobio, é preciso discutir um planejamento de estoques no País, pois não se pode ficar sem produtos no mercado interno.

Sobre o tema da oferta e demanda por matéria-prima, o integrante do Instituto de Pesquisa Gianelli Martins e ex-presidente da Ubrabio, Odacir Klein, considera o desequilíbrio nas commodities agrícolas como algo circunstancial e impactado por fatores como o cambial. Ele acredita que no próximo ano a dificuldade não deverá permanecer e a tendência é que a adição do biodiesel no diesel deva inclusive aumentar.

Ubrabio e Aprobio reforçam distinção de diesel verde

Além do percentual do biodiesel na fórmula do óleo diesel, outro assunto que tem movimentado o setor atualmente é o diesel verde (que é produzido em refinarias de petróleo a partir de óleos vegetais, gordura animal ou resíduos oleosos). A Petrobras pediu à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) que especifique o novo produto para venda e o inclua no Renovabio, programa de redução das emissões de poluentes. Apesar de reconhecerem a importância desse combustível, tanto a Ubrabrio como a Aprobio enfatizam que o produto não pode ser tratado como biodiesel e ocorrer uma sobreposição de mercados.

De acordo com o presidente da Aprobio, Erasmo Carlos Battistella, o País precisa desenvolver a especificação do diesel verde. "Agora, diesel verde é um produto e biodiesel é outro", frisa. O dirigente salienta que um mercado não pode atrapalhar o outro, já que são diferentes agentes e tecnologia envolvidos. O presidente da Ubrabio, Juan Diego Ferrés, também se diz a favor do desenvolvimento da nova indústria do diesel verde, no entanto reitera que o produto não pode ser denominado como biodiesel, pois os processos de produção são distintos.

Além disso, o dirigente reforça que o biodiesel tem características específicas quanto aos reflexos ambientais e socioeconômicos, gerando em torno de 500 mil empregos entre diretos e indiretos em toda sua cadeia. O integrante do Instituto de Pesquisa Gianelli Martins e ex-presidente da Ubrabio, Odacir Klein, acrescenta que o programa de biodiesel, da forma que foi definido, tem uma enorme importância ambiental e para agricultura familiar. Conforme Klein, a entrada do diesel verde no mercado precisa passar por uma ampla discussão e não pode ser feita de uma maneira apressada.

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