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conjuntura internacional

- Publicada em 16h55min, 12/09/2020.

Nome de Trump é eleito e BID será presidido por um americano pela primeira vez

Os países que compõem o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) elegeram neste sábado (12) o americano Mauricio Claver-Carone para presidir a instituição, quebrando uma tradição de 60 anos de ter um nome da América Latina na chefia do banco. A Argentina, europeus e o México chegaram a articular um boicote à eleição do americano, que foi frustrado após movimentos de bastidor do governo dos Estados Unidos para desmobilizar a resistência a Carone.
Os países que compõem o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) elegeram neste sábado (12) o americano Mauricio Claver-Carone para presidir a instituição, quebrando uma tradição de 60 anos de ter um nome da América Latina na chefia do banco. A Argentina, europeus e o México chegaram a articular um boicote à eleição do americano, que foi frustrado após movimentos de bastidor do governo dos Estados Unidos para desmobilizar a resistência a Carone.
Desde a criação do BID, em 1959, a presidência do principal banco de desenvolvimento para a América Latina ficou com um dos países da região. Por já serem os maiores acionistas, os EUA costumam ficar de fora do rodízio de presidentes do banco, mas o presidente Donald Trump quebrou a tradição, em um gesto que incomodou parte dos países.
Na sexta-feira, depois que o México desistiu da tentativa de adiar a eleição, os argentinos retiraram a candidatura à presidência do banco e Claver-Carone passou a ser o único candidato para a eleição, que aconteceu neste sábado.
O mandato do presidente do BID, que é visto como um representante da América Latina em Washington, é de cinco anos. O atual presidente, Luis Alberto Moreno, foi eleito em 2005 e reeleito em 2010 e, novamente, em 2015. Claver-Carone assume em outubro a presidência da instituição.
A indicação de Carone atropelou o desejo do Brasil, que vinha trabalhando por uma candidatura própria e esperava ter o apoio dos EUA na disputa.
A proximidade do presidente Jair Bolsonaro com Trump e a rejeição dos americanos a uma indicação do governo do argentino Alberto Fernández pareciam abrir o caminho para a eleição de um brasileiro ao cargo. O posto era visto pelo Ministério da Economia como uma forma de ganhar influência na região.
Em junho, no entanto, os EUA surpreenderam ao anunciar a candidatura própria e o Brasil apoiou a Casa Branca. O País também ficou de fora das mobilizações para conter a eleição de Carone, o que atrapalhou os planos dos demais países.
Para postergar a eleição, seria necessário que 25% ou mais dos votantes estivessem ausentes no dia da eleição. A ideia era postergar a escolha do presidente para 2021, depois da eleição americana.
Claver-Carone não tem afinidade com o candidato democrata Joe Biden. Um porta-voz da campanha de Joe Biden afirmou ao jornal Miami Herald que Carone é "demasiadamente ideológico" e "pouco qualificado" para o posto.
Diretor sênior do Conselho de Segurança Nacional para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Claver-Carone é responsável pela retórica anti-socialista e pela política mais linha dura do governo Trump com relação a Cuba, Venezuela e Nicarágua.
Ele foi eleito com 66,8% do capital votante e apoio de 23 países da região.
Agência Estado
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