Porto Alegre, quarta-feira, 23 de setembro de 2020.

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- Publicada em 21h28min, 08/09/2020.

'Esperamos retomar ritmo normal em outubro', diz superintendente do Shopping Total

Eduardo Oltramari diz que restrições deixarão 'mais falidos do que falecidos'

Eduardo Oltramari diz que restrições deixarão 'mais falidos do que falecidos'


MARCO QUINTANA/arquivo/JC
Adriana Lampert
O empresário Eduardo Oltramari, superintendente do Shopping Total, avalia que, após a série de prejuízos e restrições que o comércio de Porto Alegre sofreu nos últimos seis meses, é chegada a hora de virar a chave. Apostando que a retomada do varejo nos moldes anteriores à pandemia ocorra ainda em outubro deste ano, ele opina que o resultado das restrições impostas à atividade irá gerar mais "falidos do que falecidos". "Infelizmente, é um diagnóstico decorrente do tempo prolongado das restrições de funcionamento de atividades que produziram, produzem e (ainda) produzirão desempregados."
O empresário Eduardo Oltramari, superintendente do Shopping Total, avalia que, após a série de prejuízos e restrições que o comércio de Porto Alegre sofreu nos últimos seis meses, é chegada a hora de virar a chave. Apostando que a retomada do varejo nos moldes anteriores à pandemia ocorra ainda em outubro deste ano, ele opina que o resultado das restrições impostas à atividade irá gerar mais "falidos do que falecidos". "Infelizmente, é um diagnóstico decorrente do tempo prolongado das restrições de funcionamento de atividades que produziram, produzem e (ainda) produzirão desempregados."
Natural de Passo Fundo, Oltramari atuou em diversas empresas ao longo de sua trajetória, mas a sua vocação foi potencializada pelos desafios que um shopping center proporciona. Atualmente, ele também é vice-presidente da Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA) e coordenador regional da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). Em Porto Alegre, além do Total, foi responsável pela implantação do Shopping Praia de Belas e do Lindóia Shopping.
Jornal do Comércio - Como o senhor avalia que tem sido o desempenho do varejo com a retomada das atividades, ainda com restrições, na Capital?
Eduardo Oltramari - Desenvolvemos um processo de negociação com o Poder Público após as restrições que estabeleceram perdas e prejuízos para os empresários. Entendemos a preocupação da preservação da vida, do contexto médico, da relevância do atendimento e dos profissionais que atuam no setor de saúde, mas a sustentabilidade da vida também é importante, porque as pessoas precisam ter suas remunerações laborais e suas possibilidades de deslocamento. Essa situação foi muito bem conduzida ao longo de um processo exaustivo e complexo, e nesta evolução se conseguiu em determinados momentos compartilhar informações que eram desconhecidas do Poder Público. Porque o processo e procedimentos dos shoppings centers são muito específicos, então nós tivemos, com muita humildade, a necessidade de compartilhar estas informações com os representantes do Poder Público para que entendessem a preocupação que os shoppings tiveram com o desenvolvimento dos protocolos. A Abrasce, inclusive, obteve uma chancela de seus protocolos vinda do hospital Sírio Libanês, esse estratégico e importante hospital de São Paulo. Consigo dizer com muita propriedade que todos os shoppings são ambientes seguros, porque se propuseram a adotar dispositivos para proporcionar aos clientes essa elevada consideração com a proteção da saúde. As restrições não se limitaram a dias e horários, em Porto Alegre, mas também de ocupação e atendimento, que não pode superar 40% da capacidade, dentro do projeto de distanciamento controlado do Estado. Devido a estas restrições, algumas lojas optaram pela descontinuidade funcional e até existencial. Daí eu faço uma conclusão, que é: vamos ter mais falidos do que falecidos, e aí vamos ter uma outra pandemia - a pandemia da economia. Eu sei que é forte e frio (falar assim), mas infelizmente será o que vai ocorrer. Mas independentemente disso, acho que iremos sair fortalecidos. Isso tudo foi muito discutido, analisado e debatido pelas entidades, e de forma paulatina vem se revertendo.
JC - Com a retomada, como o comércio tem se comportado?
Oltramari - Porto Alegre, desde a última quarta-feira (2 de setembro) está permitindo o funcionamento dos shoppings das 12h às 20h, e as atividades das praças de alimentação das 11h às 22h. Temos observado que, depois das 20h, quando fecham as lojas, há uma redução do movimento nas praças de alimentação. E sabemos que bares e restaurantes foram muito prejudicados pelos procedimentos adotados nos últimos cinco meses. Avalio que estes setores precisam de um processo de recuperação de suas atividades, mas ainda sofrem pela falta da combinação de cinema, lazer e entretenimento, que ainda estão fechados. Há perspectivas em algumas cidades, que já estudam abrir o cinema com uma poltrona sim, outra não, uma fila sim, outra não - são propostas para revitalizar cinemas, que são significativamente importantes para as praças de alimentação, porque são complementares.
JC - Quais as perspectivas das empresas Capital no que se refere ao funcionamento do varejo?
Oltramari - Ainda existe uma probabilidade evolutiva. Tivemos agora o primeiro sábado funcionando, no dia 5 de setembro, depois teremos um intervalo para análise do comportamento dos indicadores de saúde. Nossa expectativa é que as notícias ajudem para que possamos abrir aos domingos a partir do dia 13 de setembro. Mas temos consciência que tem que ter os indicativos médicos, de ocupação de UTIs e de números de contaminados, mas também temos que levar em consideração a própria ampliação do horário de funcionamento. Acredito que deveremos estar voltando à normalidade dos horários (das 10h às 22h, de segunda-feira a sábado, e domingo, das 12h às 20h) no início de outubro. Ou pelo menos próximos desta normalidade, caso estejamos convivendo lá no último dia do mês com bandeira amarela.
JC - O consumidor está retornando?
Oltramari - Está voltando de uma forma muito objetiva, hoje ele vai sabendo o que quer, e exerce suas compras (sem passear pelo shopping). A pessoa vai com o desejo já materializado, constata o que quer e compra, e isso tem acontecido e irá acontecer de forma progressiva. Mas para não ter aglomeração, precisa de um horário mais diverso, o que deixaria os clientes mais seguros.
JC - Qual a perspectiva para os próximos feriados e as datas de vendas tradicionais?
Oltramari - Na medida que as restrições reduzirem, as perspectivas aumentam. Não consigo quantificar, tudo está vinculado às restrições existentes e a perspectiva é de que diminuam as restrições - o crescimento de vendas será proporcional a isso.
JC - Há possibilidade de reduzir as perdas?
Oltramari - Entendo ser necessária uma união de esforços dos lojistas e de suas atividades para aumentar a prospecção dos clientes pelos meios digitais, o que vai qualificar a própria exposição, oferta, atendimento e encantamento. Tem um segmento que não foi tão penalizado em Porto Alegre, que é o funcionalismo público, e por mais que tenha atrasos no pagamento da renda, tem certeza que vai receber. Aí vai depender do lojista fazer um direcionamento, um networking específico para este segmento e para os demais. Será uma maneira de mitigar as vendas, unindo a isso a atuação em outros canais.
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