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Infraestrutura

- Publicada em 03h00min, 04/09/2020. Atualizada em 09h33min, 04/09/2020.

Nova gestão de térmica AES Uruguaiana vai apostar no mercado brasileiro

Valor da transação da primeira usina a gás do País não foi fornecido

Valor da transação da primeira usina a gás do País não foi fornecido


/CRISTIANO GUERRA/DIVULGAÇÃO/JC
Jefferson Klein
Sem operar há alguns anos, a usina AES Uruguaiana acaba de mudar de mãos. A controladora da companhia, a Brasiliana Participações, anunciou ao mercado a venda do empreendimento para o grupo argentino Saesa. O valor da transação não foi revelado, mas a intenção do novo dono da termelétrica é utilizar como combustível gás do país vizinho para fornecer energia sobretudo para o Brasil. 
Sem operar há alguns anos, a usina AES Uruguaiana acaba de mudar de mãos. A controladora da companhia, a Brasiliana Participações, anunciou ao mercado a venda do empreendimento para o grupo argentino Saesa. O valor da transação não foi revelado, mas a intenção do novo dono da termelétrica é utilizar como combustível gás do país vizinho para fornecer energia sobretudo para o Brasil. 
A AES Uruguaiana foi a primeira usina a operar com gás natural no Brasil. A geradora iniciou suas atividades em 2000 e tem capacidade instalada de 639,9 MW (o que corresponde a cerca de 15% da demanda média de eletricidade do Rio Grande do Sul). As operações da planta estão paralisadas desde 2009, quando o fornecimento do combustível foi interrompido por causa da escassez de gás na Argentina. A geração foi retomada, em caráter emergencial, em 2013, 2014 e 2015, por períodos temporários. Hoje, são apenas oito colaboradores que atuam na unidade.
O presidente de Saesa, Juan Bosch, detalha que a ideia agora é aproveitar os momentos em que houver excedentes de gás natural na Argentina, que vem explorando novas reservas do insumo, para alimentar a térmica gaúcha. Ele ressalta que a nação platina verifica um preço competitivo para esse combustível no verão, quando o Sul do Brasil precisa de mais energia (pois se eleva a demanda de eletricidade devido ao uso de aparelhos de ar-condicionado). Na Argentina, o fenômeno é inverso, no inverno o gás natural é muito usado em sistemas de aquecimento, aumentando a procura e os preços do insumo. "Fora dos meses de inverno, quando o gás na Argentina não sobra, há disponibilidade de combustível para o resto do ano, para oito a nove meses", reforça o executivo.
Bosch comenta que a usina tem possibilidade de enviar energia para os dois países, contudo a maior probabilidade é que essa eletricidade seja destinada a atender à demanda brasileira, já que o parque termelétrico argentino, conforme o dirigente, conta atualmente com suficiente disponibilidade de geração. Já no Brasil, que tem uma importante participação da hidreletricidade na matriz elétrica, em períodos de seca, as térmicas suprem o atendimento da demanda.
No momento, a usina de Uruguaiana não conta com um contrato de venda de energia, porém Bosch frisa que a intenção não é que a unidade gere apenas em situações emergenciais, como aconteceu no passado. Uma das opções para comercializar a geração do empreendimento será através do ambiente do mercado livre (formado por grandes consumidores que podem escolher de quem vão comprar a energia). No entanto, antes disso, Bosch detalha que a Saesa, que é uma comercializadora de gás, precisa assegurar o acordo de fornecimento do combustível através de um contrato com algum produtor e conseguir a liberação das autoridades argentinas para operar. Uma das possibilidades é de o insumo provir da jazida chamada de Vaca Muerta, uma nova fonte de gás de xisto, localizada nas províncias de Neuquén e Mendoza.
Segundo Bosch, para a planta voltar a gerar precisará também que o preço da energia no Brasil seja atrativo. Atualmente, como o coronavírus impactou o consumo de eletricidade no País, os valores do insumo caíram. O presidente de Saesa projeta que nos primeiros meses do próximo ano haverá um cenário mais adequado para que a térmica volte a funcionar.

Grupo AES Brasil focará em fontes renováveis

Entre os motivos que levaram à venda da usina de Uruguaiana, salienta o CEO da AES Brasil, Ítalo Freitas, está o foco definido pela empresa nas energias renováveis, como a solar e a eólica. Outra área de interesse da AES Brasil é a da geração distribuída, na qual o consumidor gera a sua própria energia. Um dos clientes do grupo nesse segmento é a rede gaúcha de farmácias São João.

Freitas reitera ainda que, desde que entrou em hibernação, a térmica da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul somente operou em períodos especiais, quando o Brasil enfrentou crises hidráulicas. "Agora começa uma nova história", comemora o presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Retomada da Produção de Gás pela Termo Uruguaiana, deputado estadual Frederico Antunes (PP). O parlamentar comenta que o empreendimento, voltando a operar, também contribuirá para reforçar o antigo plano da construção de um gasoduto entre Uruguaiana-Porto Alegre, já que a usina funcionaria como uma "âncora" para o consumo de gás natural.

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