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pandemia

- Publicada em 21h34min, 20/08/2020.

Casas noturnas seguem sem perspectivas de reabertura

Localizada na Lima e Silva, a casa de festas Dale reabriu em março após uma reforma e fechou logo depois

Localizada na Lima e Silva, a casa de festas Dale reabriu em março após uma reforma e fechou logo depois


/LUIZA PRADO/JC
Luisa de Oliveira
O entretenimento, setor que engloba empresas relacionadas a produção de festas, shows e eventos, foi uma das áreas econômicas mais afetadas pela pandemia. Segundo dados da Associação Brasileira de Promotores de Eventos (Abrape), o setor deve fechar o ano com R$ 90 bilhões em perdas e com cerca de 580 mil demissões. No Rio Grande do Sul, o segmento movimenta cerca de R$ 2 bilhões por ano. Em Porto Alegre, as casas noturnas estão fechadas desde março e serão, provavelmente, o último setor da economia a reabrir. Ainda sem prazo para isso, os empresários buscar sobreviver.
O entretenimento, setor que engloba empresas relacionadas a produção de festas, shows e eventos, foi uma das áreas econômicas mais afetadas pela pandemia. Segundo dados da Associação Brasileira de Promotores de Eventos (Abrape), o setor deve fechar o ano com R$ 90 bilhões em perdas e com cerca de 580 mil demissões. No Rio Grande do Sul, o segmento movimenta cerca de R$ 2 bilhões por ano. Em Porto Alegre, as casas noturnas estão fechadas desde março e serão, provavelmente, o último setor da economia a reabrir. Ainda sem prazo para isso, os empresários buscar sobreviver.
Na capital gaúcha existem 51 empreendimentos que possuem liberação para atuar como casas noturnas, grande parte deles concentrados no bairro Cidade Baixa. Eduardo Ribeiro, coordenador de operações do Margot, bar localizado na João Alfredo, conta que o impacto da pandemia foi tão grande que precisou demitir 16 funcionários. Entre as saídas momentâneas encontradas para ter alguma renda no negócio, o empresário decidiu vender o estoque de bebidas da casa, o que não teve sucesso pelo sistema de delivery.
Ribeiro comenta ainda que Margot estava fechado desde dezembro de 2019, para obras de readequação solicitadas pelos bombeiros, e que após a abertura em fevereiro de 2020 os poucos finais de semana os quais operaram não possibilitaram uma renda que auxiliasse no enfrentamento desse período.
Situação semelhante vive a casa de festas Dale, localizada na rua General Lima e Silva, também na Cidade Baixa. O empreendimento reabriu em março após uma reforma, mas foi obrigado a fechar no dia 14 de março. Por não trabalhar com funcionários CLT, a casa não teve problemas empregatícios, mas o fechamento afetou o caixa dos sócios do local. O produtor geral, Fabio Cobalto, conta que ele já tinha outras fontes de renda, mas a realidade não se estende ao outro sócio.
Já na Bate, uma das soluções encontradas para contornar o problema foram as festas online através da plataforma de vídeo Zoom. Kátia Azambuja, sócia-proprietária do local da casa localizada na João Alfredo, conta que os eventos representam cerca de 30% do faturamento atual, e o restante é proveniente de um crowdfunding, lançado através da plataforma apoia-se (apoia.se/bate) e pela venda de bebidas do estoque da casa. "É a partir desse dinheiro que temos conseguido pagar os custos fixos do bar: aluguel, IPTU, água, luz e segurança. Essas são as nossas únicas fontes de renda, tem mês que conseguimos cobrir os gastos e têm mês que não", lamenta Kátia.
Outra alternativa foi posta em prática pela Cucko, casa noturna localizada na rua General Lima e Silva: venda de lanche por delivery. Segundo a proprietária, Thais Ribeiro, "as vendas estão cada dia aumentando mais. O objetivo é cobrir os custos da casa e conseguir ajudar os freelancers que trabalhavam aqui".
Thais comenta também que a casa foi uma das poucas no segmento a conseguir o auxílio do governo através de empréstimo. A Cucko contratou, via Banrisul o Pronampe, auxílio destinado a pequenas e médias empresas. Eduardo Ribeiro, coordenador de operação do Margot, diz acreditar que "após a descoberta de uma vacina, tudo voltará ao normal".

Profissionais buscam alternativas de renda

Para os trabalhadores free-lancers, como DJs, a mudança foi drástica. A DJ Mariana Kruger é um exemplo disso: a profissional, que iniciou 2020 como fixa da casa noturna Coolture, em Atlântida, durante o verão, viu sua renda praticamente zerar do dia para a noite. Mariana conta que "a agenda estava bem cheia, até junho, com todas as datas fechadas. Então foram bastante desesperadores os primeiro meses".

Juntamente com o namorado, também DJ, Mariana abriu uma agência de produção de conteúdo digital para empresas, começou a produzir máscaras a partir de roupas de brechó e iniciou a venda on-line dos produtos. Além das diversas iniciativas, Mariana está recebendo o auxílio emergencial concedido pelo governo federal para trabalhadores autônomos, informais, microempreendedores individuais e desempregados desde abril de 2020.

O auxílio emergencial também tem representado uma folga no orçamento de Elias Mendes, produtor técnico. Para complementar a renda, Elias, que é guitarrista, também tem dado aulas de guitarra e violão. "E isso que tive a sorte de receber o auxílio, porque muitos colegas não conseguiram", finaliza.

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