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conjuntura

- Publicada em 19h37min, 12/08/2020.

'Respeitamos o teto de gastos', diz Bolsonaro após reunião com Maia e Alcolumbre

Presidente sinalizou com o avanço da política de privatizações de empresas públicas

Presidente sinalizou com o avanço da política de privatizações de empresas públicas


/MARCELO CASAL JR/AGÊNCIA BRASIL/JC
O presidente Jair Bolsonaro afirmou, nesta quarta-feira (12), que respeita o teto de gastos públicos e buscará soluções para destravar a economia brasileira em meio à pandemia do novo coronavírus. "Nós respeitamos o teto dos gastos. Queremos a responsabilidade fiscal. E o Brasil tem como realmente ser um daqueles países que melhor reagirá à questão da crise", relatou, no início da noite.
O presidente Jair Bolsonaro afirmou, nesta quarta-feira (12), que respeita o teto de gastos públicos e buscará soluções para destravar a economia brasileira em meio à pandemia do novo coronavírus. "Nós respeitamos o teto dos gastos. Queremos a responsabilidade fiscal. E o Brasil tem como realmente ser um daqueles países que melhor reagirá à questão da crise", relatou, no início da noite.
Em pronunciamento, na entrada do Palácio da Alvorada, o presidente sinalizou com avanços na política de privatizações de empresas públicas. "O Brasil está indo bem. A economia está reagindo e nós aqui resolvemos direcionar mais nossas forças ao bem comum, que queremos o progresso e o desenvolvimento", afirmou.
A declaração foi feita na presença do ministro da Economia, Paulo Guedes, e de titulares de pastas ligadas à área econômica, além dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).
Segundo assessores presidenciais, o pronunciamento teve como objetivo fazer um gesto público a Guedes, um dia após ocorrer uma "debandada" na equipe do Ministério da Economia. As saídas deixaram mais explícitas a divergência de Guedes com ministros como Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) e Tarcísio de Freitas (Infraestrutura).
Após a pronunciamento, foi marcada uma reunião do presidente com a presença dos três ministros. A ideia é tentar arrefecer os conflitos e afinar o tom. No Congresso, a expectativa é a de que a reunião sirva para o governo alinhar o discurso em relação às medidas econômicas que pretende encampar.
Marinho vinha defendendo o aumento de gastos para obras de saneamento, contrastando com o discurso de Guedes de tentar organizar as contas públicas. O receio da equipe econômica é que isso leve ao estouro do teto de gastos.
As duas baixas recentes foram de Salim Mattar (Desestatização), que cuidava do plano de privatizações do governo, e Paulo Uebel (Desburocratização), responsável pela reforma administrativa, que busca reestruturar o serviço público. Ambos saíram do governo na noite de terça-feira, o que provocou uma avalanche de suposições sobre o entrave da agenda liberal defendida por Guedes na condução do Ministério da Economia e a defesa do aumento de gastos por outros ministros.

Guedes avalia solução interna para repor os cargos no Ministério da Economia

O ministro da Economia, Paulo Guedes, avalia adotar soluções internas para substituir os dois secretários especiais que pediram demissão da pasta nesta terça-feira. A ideia dispensaria a necessidade de convidar nomes do setor privado. Auxiliares do ministro afirmam que uma decisão desse tipo pode gerar menos desgaste e sinalizar continuidade na atuação da pasta. O martelo ainda não foi batido.

Saíram Salim Mattar (Desestatização), que cuidava do plano de privatizações do governo, e Paulo Uebel (Desburocratização), responsável pela reforma administrativa.

Interlocutores do ministro criticaram os secretários pela demissão repentina, feita em conjunto e sem planejamento, o que pode arranhar a imagem da pasta. Técnicos afirmam ainda que a saída de Mattar teria sido comunicada primeiro ao presidente Jair Bolsonaro, o que gerou descontentamento no ministério.

Sob o diagnóstico que o PPI (Programa de Parcerias de Investimentos) não se integrou bem ao Ministério da Economia ao ser deslocado do Palácio do Planalto para a pasta neste ano, está em avaliação um rearranjo. A secretaria do PPI, chefiada por Martha Seillier, pode ser fundida à secretaria agora desocupada por Mattar. Martha construiu carreira no setor público, já passou pela Secretaria de Aviação Civil e foi presidente da Infraero.

Na secretaria de Desburocratização, deixada por Paulo Uebel, um nome cotado é o de Gleisson Rubin, atual secretário especial adjunto do órgão.

Rubin é servidor, especialista em políticas públicas e gestão governamental. Ja atuou no Ministério da Educação, na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, na Escola Nacional de Administração pública e no extinto Ministério do Planejamento.

No governo Michel Temer, foi um dos responsáveis pela formulação da proposta de reforma administrativa. Foi mantido no governo na gestão Bolsonaro, também com a função de elaborar a proposta, que diminui o número de carreiras no serviço público, reduz salários de entrada, acaba com a estabilidade no cargo e cria metas de desempenho para os servidores.

O texto não foi formalmente apresentado e sofre com resistência de Bolsonaro. A decisão sobre o futuro das secretarias ainda está em aberto e segue em discussão por Guedes. Se confirmada, a medida seria semelhante à promoção de Bruno Bianco ao comando da secretaria especial de Previdência e Trabalho. Quando o então secretário Rogério Marinho foi deslocado para o Ministério do Desenvolvimento Regional, Bianco, que era seu subordinado, foi alçado ao comando da secretaria.

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