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Infraestrutura

- Publicada em 21h56min, 13/08/2020.

Limitação do Gasbol preocupa setor industrial

Volume fornecido ao Estado está abaixo das necessidades

Volume fornecido ao Estado está abaixo das necessidades


STÉFERSON FARIA /AG. PETROBRAS/JC
Jefferson Klein
A escassez da oferta de gás natural no Rio Grande do Sul preocupa o segmento industrial, uma vez que o insumo é essencial para diversas empresas, além de ser usado para a geração termelétrica. Atualmente, a única estrutura de entrada do insumo em operação no Estado (que não possui produção desse combustível) é o gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), administrado pela companhia TBG.
A escassez da oferta de gás natural no Rio Grande do Sul preocupa o segmento industrial, uma vez que o insumo é essencial para diversas empresas, além de ser usado para a geração termelétrica. Atualmente, a única estrutura de entrada do insumo em operação no Estado (que não possui produção desse combustível) é o gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), administrado pela companhia TBG.
Apesar da dutovia poder alcançar um potencial de até 2,8 milhões de metros cúbicos de gás ao dia para abastecer o Estado, a capacidade no momento de fornecimento aos gaúchos é de cerca de 2,5 milhões de metros cúbicos diários de forma contínua. Uma fonte que prefere não se identificar informa que volumes acima de 2,5 milhões de metros cúbicos geram, continuamente, queda de pressão de entrega do gás natural e consequentemente afetam toda a cadeia de distribuição do combustível no Sul do País, podendo levar ao colapso do fornecimento.
Essa mesma fonte revela que, nos anos de 2018 e 2019, também já foi necessária a diminuição de consumo de gás por grandes indústrias devido a essa restrição no Gasbol. Recentemente, nas últimas semanas de julho de 2020, o gasoduto novamente chegou ao seu limite operacional, com queda de pressão na região Sul.
Questionada pela reportagem do Jornal do Comércio sobre as limitações do Gasbol, a TBG comentou, através de nota, que o posicionamento estratégico da empresa "é voltado ao mercado de gás, com foco na oferta das melhores condições, produtos, serviços e soluções logísticas". Já a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) confirma que a capacidade contratada para o Rio Grande do Sul é hoje de um pouco mais de 2,5 milhões de metros cúbicos de gás ao dia, mas ressalta que não tem conhecimento de limitação técnica em alguma instalação de transporte do trecho Sul do Gasbol que esteja restringindo atualmente a sua capacidade.
Mesmo que o gasoduto pudesse atingir os 2,8 milhões de metros cúbicos de capacidade, ainda assim o Rio Grande do Sul demandaria mais gás. Somente a termelétrica UTE Canoas precisaria de aproximadamente 1,1 milhão de metros cúbicos ao dia de gás para operar. A usina foi convertida para ser bicombustível (pode funcionar também com óleo) justamente para, em caso de uma emergência em que precise gerar energia para não desabastecer o sistema elétrico, não impacte demasiadamente o setor industrial ao deslocar o gás para a produção de eletricidade.
O coordenador do Grupo Temático de Energia e Telecomunicações da Fiergs, Edilson Deitos, destaca que a termelétrica está entre os ativos que a Petrobras pretende vender, assim como a refinaria Alberto Pasqualini (Refap), também localizada em Canoas. A estatal brasileira é a controladora de ambos empreendimentos, assim como da TBG. O empresário frisa que a valorização dos complexos no Rio Grande do Sul passa por uma maior oferta de gás no Estado. "Hoje, a térmica é um vaga-lume, acende e apaga", compara.
O dirigente acrescenta que há um projeto encaminhado à Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para aumentar a pressão do Gasbol, elevando a sua capacidade a partir de Santa Catarina. Deitos argumenta que essa não seria uma solução definitiva, contudo já serviria de auxílio até que se tome uma medida mais expressiva como, por exemplo, a duplicação do gasoduto. O integrante da Fiergs reforça que diversos segmentos industriais fazem uso do gás no Estado como, por exemplo, o metalmecânico, de alimentação, hospitalar, transformadores plásticos, fábricas que utilizam caldeiras, entre outros.
 

ANP discute com TBG aumento de capacidade do sistema

A necessidade de incrementar a oferta de gás natural na região Sul do Brasil não passa desapercebida pela ANP. Conforme a assessoria da agência, o órgão regulador e a TBG estão em tratativas para realizar uma nova Chamada Pública de Contratação de Capacidade (incremental) no Gasbol, ocasião em que será analisada a viabilidade da ampliação do trecho Sul deste gasoduto em data a ser definida futuramente.

O presidente da Câmara Brasileira de Logística e Infraestrutura, Paulo Menzel, enfatiza que a atual limitação da oferta de gás natural é um obstáculo para o crescimento e competitividade da indústria gaúcha, tanto que havia planos da instalação de um terminal de gás natural liquefeito (GNL) em Rio Grande. Esse projeto se originou a partir do grupo Bolognesi, associado à construção de uma termelétrica, mas enfrentou problemas financeiros e questionamentos por parte do Ministério Público Federal e hoje se encontra estagnado.

"O Gasbol, literalmente, vai afinando quanto mais para baixo (ao Sul) ele chega, então não conseguimos colocar mais gás", destaca o dirigente. Menzel argumenta que a pandemia do coronavírus diminuiu um pouco o impacto sobre o setor industrial, pois caiu o consumo, entretanto a volta de uma economia mais ativa fará com que a dificuldade pela escassez do gás agrave-se.

O dirigente enfatiza que é a infraestrutura que traz o desenvolvimento e não o contrário. "Se a infraestrutura estiver deficiente ou carente, a economia não vai andar", alerta. Menzel prevê que a nova lei do gás, que deve ser votada em breve na Câmara dos Deputados, será uma importante ferramenta para possibilitar o aumento da competição e com isso o incremento da oferta desse combustível no País.

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