Porto Alegre, quinta-feira, 24 de setembro de 2020.

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entrevista

- Publicada em 22h43min, 05/08/2020. Atualizada em 09h39min, 06/08/2020.

Gravataí recebe novos investimentos privados

Alba celebra novos aportes, mas lamenta a perda da Mercado Livre

Alba celebra novos aportes, mas lamenta a perda da Mercado Livre


/LUIZA PRADO/JC
Osni Machado
Mesmo em um cenário de pandemia, Gravataí está recebendo investimentos industriais e serviços. Nesta quinta-feira, será inaugurado o atacarejo Stock Center, da Comercial Zaffari. Recentemente, foi aberta uma loja da Havan no município da Região Metropolitana, que está licenciando, ainda, um hipermercado Zaffari Bourbon.
Mesmo em um cenário de pandemia, Gravataí está recebendo investimentos industriais e serviços. Nesta quinta-feira, será inaugurado o atacarejo Stock Center, da Comercial Zaffari. Recentemente, foi aberta uma loja da Havan no município da Região Metropolitana, que está licenciando, ainda, um hipermercado Zaffari Bourbon.
O prefeito Marco Alba destaca projetos da construção civil, como o bairro-cidade Prado, condomínio instalado junto à freeway, onde está sendo construída unidade do Colégio Sinodal. Um sinal de que a atividade imobiliária vai bem é que o ITBI (Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis) reagiu nos últimos meses ao ponto de igualar o padrão de arrecadação de antes da crise.
Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, Alba salienta a atração de aportes na área logística, especialmente nas margens da rodovia ERS-118, que está sendo duplicada, comenta a retomada das atividades na General Motors (GM), principal empresa no município, e lamenta a perda da Mercado Livre, que pretendia se instalar em Gravataí, mas desistiu. O prefeito lembra das negociações e diz que ainda está buscando explicações do governo do Estado sobre o caso.
Jornal do Comércio - A General Motors completou 20 anos de instalação no município. Como estão as atividades?
Marca Alba - Ela (GM) teve três ampliações até a nova linha do carro, geração Onix, mais moderna... A GM ficou alguns meses parada, em março, abril. E voltou na segunda quinzena de maio, obedecendo a todos os critérios sanitários, com a presença na área de produção de 75% dos funcionários. E está produzindo, voltou a trabalhar... A GM representa 45% do total do retorno de ICMS para o município, junto com os sistemistas. É a grande locomotiva da economia do município.
JC - Como estão os investimentos privados no município?
Alba - As margens da ERS-118 têm se tornado um espaço de atração de grandes centros logísticos, como a GLP (Global Logistics Properties), tem mais dois se instalando. Também começa a funcionar o Stock Center no dia 6 de agosto (hoje) e a Havan já abriu (loja). Na área imobiliária, temos vários investimentos, não desaqueceu tanto quanto se imaginava. E tem bastante investimento, (empresas) mostrando projetos, o setor de logística tem se destacado.
JC - E investimentos públicos?
Ala - Nos últimos 24 meses, investimos na casa de R$ 100 milhões em obras de infraestrutura. Fizemos uma via alternativa para quem quer ir para Serra via Gravataí: vem pela BR-290 (freeway) até a GM, atravessa a via que abrimos, avenida Prefeito Acimar Silva, vai na ERS-030, na parada 103, e sai em Morungava, a caminho de Taquara. Quer dizer, desvia do fluxo de vias urbanas, entre Cachoeirinha, Gravataí até Morungava. Temos as rodovias ERS-020 e a ERS-030, que cruzam a área urbana do município - alguns trechos municipalizamos para qualificar a mobilidade viária... Tem a duplicação da ponte do Parque dos Anjos, um canteiro de obras.
JC - Como projeta a retomada da economia no município?
Alba - Com esses investimentos, geramos centenas de empregos. A retomada aqui tem muito a ver com o fato de sermos um município industrial, com matriz metalmecânica. Temos expectativa que melhore logo, porque dependemos muito da condição do mercado internacional e do mercado interno. Estamos no contexto da macroeconomia. Então, a questão mais local é o comércio afetado em função dessas regras do decreto do governador (Eduardo Leite), a retomada não é tão simples assim. Mesmo com a abertura, não vai reaquecer na velocidade e na quantidade desejada para haver um crescimento econômico, ou até uma recuperação do nível que estava em fevereiro e início de março.
JC - Como ficou a questão da empresa Mercado Livre, que desistiu de se instalar no município?
Alba - As negociações com o governo do Estado tratam de tributos estaduais, incentivos, coordenadas pela Secretaria da Fazenda, cujo sigilo é uma prerrogativa nessas negociações de concessão de benefícios. É tratado entre empresa e Fazenda, não participa o prefeito. E tem as negociações municipais, quando protocola o pedido de incentivos, alvará...
JC - Como foram as negociações com a Mercado Livre?
Alba - No município, demos incentivos, em tributos municipais, taxas, IPTU. Depois, tendo em vista que locou um prédio e apresentou o endereço de instalação, nós emitimos o alvará de funcionamento em fevereiro de 2020. No fim de fevereiro, ela (Mercado Livre) anunciou a suspensão das tratativas, em virtude das negociações com o governo do Estado - ela já estava instalada, só precisava autorização para funcionar, que dependia de negociações com o governo do Estado. Como não tinha resposta, suspendeu no dia 27 de fevereiro o andamento do processo de instalação definitiva. E, em junho, me ligou dizendo que tinham encerrado as tratativas com o governo e que não mais viria para Gravataí. Alegou questão de ordem tributária, pediu apenas a mudança do momento da cobrança - como é um centro logístico, recebe os produtos de todos os fornecedores, que ela (Mercado Livre) vende e pelo sistema atual é tributado quando entra no centro de distribuição e ela queria que fosse tributado quando sai, quando fez o negócio. Então, o município fez a sua parte!
JC - Gravataí ainda pretende fazer algum movimento?
Alba - Estamos fazendo movimentos agora mais em relação ao governo do Estado, que nos nega informação! Foram duas reuniões com a Comissão de Economia da Assembleia Legislativa; o secretário titular, substituto (da Fazenda) disse que isto está sob sigilo. E entramos na Justiça, pedindo exibição de documento para avaliar a ação pertinente dos prejuízos que pode ter causado a Gravataí. O juiz aceitou a ação; notificou o Estado para que explique as razões... O município não tem mais o que fazer. O problema foi com a Receita Estadual, que não acatou um pedido de regime especial... Isso acarretou um prejuízo para o município, deixa de ter 2 mil empregos.
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