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22/07/2020 - 13h18min. Alterada em 24/07 às 15h17min

Idealizado há 25 anos em Porto Alegre, Complexo Belvedere deverá sair do papel

Complexo Belvedere deve ser erguido entre as avenidas Tarso Dutra e Cristiano Fischer, na Capital

Complexo Belvedere deve ser erguido entre as avenidas Tarso Dutra e Cristiano Fischer, na Capital


Reprodução/Divulgação/JC
Thiago Copetti
Após 25 anos de idas e vindas, o Complexo Belvedere, do grupo Máquinas Condor, deverá enfim (e após a pandemia) ter seus primeiros pilares erguidos. Nesta semana, com a primeira licença de instalação emitida pela prefeitura para a construção de um hipermercado da Cia. Zaffari no local, entre os bairros Jardim Botânico e Petrópolis, na Capital, avança um projeto que tem seus primeiros registros ainda no ano de 1995.
Desde então, a proposta foi consideravelmente alterada e reduzida em tamanho pelo tempo decorrido e pelos questionamentos sobre impactos ambientais no aquífero sob o local - entre as avenidas Senador Tarso Dutra e Cristiano Fischer. O complexo, que inclui também um shopping center e um prédio comercial dividido em duas torres, é um antigo sonho dos empresários André Meyer e Cristina Kisslinger.
Ainda que o casal tenha comemorado a licença de implantação desta primeira fase, eles preferem esperar ter o documento em mãos e assinado pelo município antes de dar o andamento a novas investidas. São gatos escaldados, diz Meyer, depois de tantos entraves enfrentados, alterações e custos para atender às muitas exigências legais e impostas pelo tempo parado.
Cristina lembra, por exemplo, que todo o IPTU pago pelo terreno nestes anos a espera de avanços daria para erguer quase metade da obra. O orçamento, que antes era previsto em R$ 850 milhões, já não condiz mais com a realidade e será refeito, diz o casal. A realidade, por sinal, agora foi novamente e totalmente alterada pela pandemia, lembra Meyer. Mas não impedirá o investimento.
Dado o fato que o complexo será erguido já em um novo cenário pós-pandemia, o projeto terá adaptações a um novo modelo de vida que se impôs, explica o casal, em conversa com o Jornal do Comércio, por telefone. Mais áreas abertas e com circulação de ar natural maior estão entre as possibilidades do projeto.
"Certamente teremos características especiais, que os shoppings já existentes não têm. Seremos o primeiro de Porto Alegre construído pós-pandemia e um dos primeiros do Brasil. E ali será erguido, provavelmente, o último hipermercados da cidade, já que em 2005 as regras para o setor mudaram, restringindo o tamanho das lojas (o hipermercado teve o plano aprovado antes, de acordo com a prefeitura)", explica Meyer.
Entre idas e vindas, custos extras para readequações, estudos, exigências legais e arcando com custos de um projeto e de um imenso terreno parado, Meyer e Cristina não desistiram da obra. Mas abandonaram o sonho de serem 'shoppistas'. Eles queriam gerenciar o complexo, mas dizem que hoje não pensam mais na possibilidade. Buscarão um dos grandes administradores de centros de compras do País para administrar a operação.
"Quando tudo começou, ainda estávamos na faixa dos 40 anos. Já estamos na faixa dos 70. O desejo de ser 'shoppista' não existe mais. E o projeto mudou, é menor por exigências legais, mas segue em um local privilegiado. Ainda mais privilegiado, na verdade", avalia Meyer.
Cristina destaca que a região onde o complexo será erguido mudou significativamente em duas décadas, com maior fluxo de pessoas, mais urbanizada e mais atraente, até. Tanto que, de acordo o casal, o Grupo Zaffari mantém desde 2010 um contrato para assegurar que seria a rede a se instalar ali - e não um concorrente.
"Na verdade, o primeiro contrato com a Cia. Zaffari foi assinado em janeiro de 2000, pelo Marcelo e pelo João Benjamin Zaffari, dois grandes empresários, já falecidos", ressalta Meyer.
Agora, sinaliza Elizabeth Pocztaruk, arquiteta responsável pelo projeto, será necessário se debruçar novamente sobre o planejamento, executar algumas alterações e até mesmo rever parte das compensações viárias no entorno. Elisabeth avalia que as alterações vão muito além do tráfego, e devem levar em conta as próprias características imobiliárias da região, que se valorizou. Agora, porém, o projeto será definitivamente executado, avalia a arquiteta.

O Complexo Belvedere e sua história

Complexo Belvedere deve ser erguido entre as avenidas Tarso Dutra e Cristiano Fischer, na Capital
Complexo Belvedere deve ser erguido entre as avenidas Tarso Dutra e Cristiano Fischer, na Capital
Reprodução/Divulgação/JC
Protocolado inicialmente em 1995 apenas como um shopping center, a proposta passou por audiências públicas em 2002, foi aprovado em 2004 e, depois, colocado em suspenso até 2006, quando os empreendedores assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público se comprometendo a readequar o projeto por conta de reservas subterrâneas de água no terreno.
Retomado com mais força em 2018, previa torre e o centro comercial com previsão de entrega em 2021. A torre teria 32 mil m2 de área construída, com uma praça aberta ao público e uma megaloja no nível da rua, com investimento previsto de R$ 200 milhões. O shopping terá 146,5 mil m2 de área total, com oito pavimentos, sendo três para o varejo e os outros cinco para serviços e estacionamento, ao custo estimado de R$ 500 milhões.
Nesta semana, a Licença de Instalação (LI) emitida pela prefeitura autoriza o início das obras de um hipermercado, após a pandemia, com cerca de 33,4 mil m² de área construída. O investimento previsto na edificação é de aproximadamente R$ 64,6 milhões e a estimativa é de que 700 empregos diretos sejam gerados com a operação.
Além do hipermercado, o Belvedere prevê a construção de duas torres comerciais com cerca de 32 mil m² e um shopping com 146,5 mil m². Ambos aguardam a liberação da LI. Os projetos envolvem, ainda, estacionamentos e a entrega de uma série de contrapartidas para o município, que incluem uma praça aberta ao público e a estrutura viária do entorno, que também aguarda o licenciamento e sem a qual os empreendedores não pretendem iniciar as obras. O valor total seria de R$ 850 milhões _ cifra que será recalculada, segundo os empreendedores.
Fontes: prefeitura e investidores
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