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indústria

- Publicada em 16h44min, 21/07/2020. Atualizada em 17h55min, 21/07/2020.

Indústria de autopeças mostra sinais de recuperação

Em julho, atividade deverá atingir receita entre 60% a 70% da realizada no mesmo mês de 2019

Em julho, atividade deverá atingir receita entre 60% a 70% da realizada no mesmo mês de 2019


MAURO SCHAEFER/ARQUIVO/JC
Roberto Hunoff, de Caxias do Sul
Após apurar, em abril e maio, recuo de 85% nas vendas na comparação com iguais meses do ano passado, a indústria brasileira de autopeças tem mostrado sinais consistentes de recuperação. Em junho, já em recuperação, o setor trabalhou com 50% de queda. Para julho, a atividade deverá atingir receita entre 60% a 70% da realizada no mesmo mês de 2019. A estimativa é de Dan Ioschpe, presidente do Conselho de Administração do Sindipeças e Abipeças, que participou de reunião-almoço virtual organizada pela Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul.
Após apurar, em abril e maio, recuo de 85% nas vendas na comparação com iguais meses do ano passado, a indústria brasileira de autopeças tem mostrado sinais consistentes de recuperação. Em junho, já em recuperação, o setor trabalhou com 50% de queda. Para julho, a atividade deverá atingir receita entre 60% a 70% da realizada no mesmo mês de 2019. A estimativa é de Dan Ioschpe, presidente do Conselho de Administração do Sindipeças e Abipeças, que participou de reunião-almoço virtual organizada pela Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul.
O empresário também destacou que o fechamento do ano deve ficar um pouco melhor que o esperado pela Anfavea, que é de 40% de queda. Ele acredita que a atual retração deverá ser superada em menor tempo do que a última crise enfrentada pelo setor automotivo, especialmente no segmento de veículos comerciais, que perdurou de 2014 a 2016. “Se a recuperação ocorrer no ritmo que estamos vendo, esta crise será menos duradoura. Mas será ano muito difícil, que deixará feridas”, acrescentou.
Para Ioschpe, a pandemia deixou noção importante para o segmento empresarial de que é muito arriscado ter uma só fonte de abastecimento para determinados conteúdos e, ainda, distante, referindo-se aos países asiáticos. Ele reconhece que é uma situação nova, porque nenhuma empresa pensou na possibilidade de todo o mundo parar. “Não chegamos a ter problemas sérios, mas não podemos operar com riscos tão elevados na cadeia de suprimentos. Precisamos ter fontes alternativas e mais próximas”, afirmou.
Na avaliação do representante sindical há três oportunidades para acelerar ainda mais a recuperação. A primeira é o projeto de renovação de frota, que deve se consolidar nos próximos meses. Segundo ele, há um consenso das entidades do setor e do governo de iniciar a renovação pelo segmento de caminhões, visando à troca de, em torno, 300 mil unidades com mais de 30 anos de uso.
O principal problema, segundo Ioschpe, é de natureza fiscal, razão para que o programa ser sido segmentado. “Estamos falando de um volume menor de veículos, idade média maior que a dos leves e de um impacto forte no país em termos de produtividade, segurança e meio ambiente. Além disso, o esforço econômico também seria menor”, detalhou.
Argumentou ser necessário um esforço de setores do governo para oferecer ao adquirente vantagem para fazer a troca. “Estou otimista com este programa, creio ser possível implantar muito rapidamente, pois já temos a estrutura de reciclagem disponível. Precisa, mesmo, é um esforço econômico”, sinalizou.
Outras duas oportunidades incluem o segmento de veículos leves, embora Ioschpe as considere de mais difícil consolidação. Uma busca a redução do custo financeiro para a compra do veículo, que atualmente se aproxima de 20% ao ano. A outra inclui mudança na tributação, fazendo com que ela seja diluída ao longo da vida útil do veículo.
Dan Ioschpe também fez um balanço das ações do governo neste período de crise. Destacou que o setor precisa ter a máxima flexibilidade laboral, para garantir a manutenção dos empregos, e a redução do custo das empresas, por meio de medidas como o diferimento de impostos. Também criticou as dificuldades na obtenção de crédito para as médias empresas junto ao sistema financeiro. Segundo ele, existem bons produtos para as pequenas empresas, mas não para as médias, que enfrentam problemas com a chegada do financiamento na ponta.
Para o empresário, passada a pandemia, a expectativa de recuperação do setor está ancorada em uma agenda econômica que, ou já está em andamento, ou precisa ser retomada. Citou, de forma especial, a definição da reforma tributária, com as Propostas de Emendas à Constituição 45 e 110, e da reforma administrativa, a realização de investimentos em infraestrutura e a retomada dos acordos de comércio multilaterais. “O mundo vive uma situação sem precedentes. Nenhum de nós imaginou em algum exercício de gestão de risco que vivenciaríamos mundialmente o que estamos passando”, observou.
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