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Agronegócios

- Publicada em 11h48min, 20/07/2020. Atualizada em 13h51min, 21/07/2020.

Ventos mantêm gafanhotos afastados, mas nova nuvem aparece no Paraguai

Projeção da Ufpel mostra rota da praga, em um dos cenários, agora rumo ao Uruguai

Projeção da Ufpel mostra rota da praga, em um dos cenários, agora rumo ao Uruguai


Arte/Divulgação/UFPEL
A ameaça dos gafanhotos e o vai e vem da nuvem continua, ao sabor dos ventos, literalmente. E é graças à direção dos ventos, atualmente, que a rota dos insetos mudou nesta semana, afastando, ainda que momentaneamente, a praga do Rio Grande do Sul.
A ameaça dos gafanhotos e o vai e vem da nuvem continua, ao sabor dos ventos, literalmente. E é graças à direção dos ventos, atualmente, que a rota dos insetos mudou nesta semana, afastando, ainda que momentaneamente, a praga do Rio Grande do Sul.
Com o calor registrado desde quinta-feira passada (16), havia risco maior de a nuvem que estava parada na Argentina se direcionar a cidades da Fronteira Oeste. A possibilidade havia deixado novamente em alerta os produtores da região, como de Barra do Quaraí, já que a nuvem estava distante, no domingo (19), há cerca de 130 quilômetros da cidade.
Havia o risco de que a praga ultrapassasse a fronteira e ingressasse em território gaúcho na próxima quarta-feira (22). Nesta segunda-feira, porém, os rumos da nuvem foram alterados pelas correntes de ventos. De acordo com pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), que passaram a acompanhar e simular a trajetória dos gafanhotos a partir dos dados de localização argentinos aplicados a informações climáticas, ao menos até quarta-feira o sentido da nuvem é outro.

VÍDEO: Nuvem de gafanhoto na Argentina

Até domingo localizada em Sauce, na Argentina, a 122 km da cidade gaúcha de Barra do Quaraí, e com análise dos ventos na região, de acordo com projeção feita pelo Grupo de Dispersão de Poluentes & Engenharia Nuclear (Gdispen), da UFPel, a nuvem agora entrará em outra rota. No cenário 1 montado pelo grupo, os insetos se deslocam aproximadamente 40 km/dia e, seguindo o vento, na quarta-feira chegariam à província de Entre Ríos na Argentina, fronteira com o Uruguai, próximo a Concórdia na Rota 14, em torno de 140 km da cidade gaúcha de Barra do Quaraí.
No cenário 2 (veja na imagem acima), a nuvem se desloca aproximadamente 80 km/dia e alcançaria a região próxima a cidade de El Eucaliptus, no Uruguai, em Passo de Los Carros, na Rota 26, distante aproximadamente 200 km de Barra do Quaraí no RS e 240 km de Rivera (Uruguai), na divisa com o Rio Grande do Sul. Na terceira simulação, os gafanhotos se deslocam aproximadamente 150 km/dia, chegando nas proximidades da cidade de Villa del Carmem, no Uruguai, província de Durazno, cerca de 270 km das cidades gaúchas de Aceguá e Jaguarão. E com perspectiva de nova frente fria na quinta-feira no Estado, o avanço pelos campos gaúchos ganha mais um resguardo.
Conforme o levantamento do Senasa e utilizado pela Ufpel, a área ocupada pelos gafanhotos abrange um perímetro de 2,7 km em 36 hectares. O modelo adotado pela Ufpel para simulação é o WRF, que sinaliza os campos de vento projetados para a semana. Isso porque, de acordo com os pesquisadores, os deslocamentos da nuvem são determinados em 80% dos casos pela direção do vento.
Ainda que também considere que até quarta-feira prevaleça uma corrente de ventos que, neste momento, mantém a nuvem afastada do território gaúcho, o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) indica que há outra preocupação no ar. Uma nova nuvem de gafanhotos teria se formado na região do Chaco, no Paraguai, e já mobiliza técnicos dos serviços nacional de saúde e segurança vegetal do país (Senave) e da Argentina (Senasa). E, agora, também do Brasil.
Thiago Copetti
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