Porto Alegre, quinta-feira, 24 de setembro de 2020.

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Varejo

- Publicada em 15h17min, 19/07/2020. Atualizada em 16h38min, 21/07/2020.

'Lockdown seria desastroso. Fecha tudo', reage presidente do Sindilojas de Porto Alegre

'Uma pessoa que se comporta mal, que não obedece aos decretos, prejudica toda Porto Alegre'

'Uma pessoa que se comporta mal, que não obedece aos decretos, prejudica toda Porto Alegre'


SINDILOJAS/DIVULGAÇÃO/JC
Patrícia Comunello
Entidades empresariais com atuação em Porto Alegre buscam fechar uma posição única a respeito de um possível lockdown, admitido pelo prefeito Nelson Marchezan Júnior, e alternativas à medida. São 14 siglas, de lojistas a restaurantes. "Lockdown seria desastroso. Fecha tudo', reage presidente do Sindilojas de Porto Alegre, Paulo Kruse, que define o momento como "o mais dramático da pandemia na Capital". O lockdown foi defendido pela direção do Hospital de Clínicas. 
Entidades empresariais com atuação em Porto Alegre buscam fechar uma posição única a respeito de um possível lockdown, admitido pelo prefeito Nelson Marchezan Júnior, e alternativas à medida. São 14 siglas, de lojistas a restaurantes. "Lockdown seria desastroso. Fecha tudo', reage presidente do Sindilojas de Porto Alegre, Paulo Kruse, que define o momento como "o mais dramático da pandemia na Capital". O lockdown foi defendido pela direção do Hospital de Clínicas. 
Na sexta-feira (17), contatos foram intensos entre o prefeito e os dirigentes, ante a real possibilidade de adotar fechamento total na cidade. O motivo é a crescente demanda para UTIs, que chegam perto do colapso. Neste domingo (19), o painel da prefeitura mostra 92% de ocupação, com 310 casos ligados à Covid-19, sendo 269 de doentes confirmados com o vírus e 41 com suspeita.  
Nesse sábado (18), Kruse e dirigentes de mais 15 entidades fizeram reunião prolongada por videoconferência. A intenção é fechar uma posição no fim da tarde deste domingo (19) ou na manhã desta segunda-feira (20). A seguir, o presidente do Sindilojas avalia a situação e a dificuldade de calibrar o caminho entre a saúde e a economia. Desde o começo de julho, foram retomadas restrições que fecham o comércio e áreas não essenciais e limitam a capacidade de serviços de alimentação, além de limites à circulação.  
Jornal do Comércio - Qual será a resposta dos setores à possibilidade de lockdown que o prefeito colocou publicamente?
Paulo Kruse - Lançamos um manifesto neste domingo expondo para a sociedade a nossa visão dos fatos. São 15 entidades - Sinduscon, Sinepe (escolas particulares), Associação dos Empresários do Humaitá, Agas, Lide, Abrasce, ACPA, Sindha (bares e restaurantes), CDL-POA, Sergs (Sociedade de Engenharia), Abrasel, Fenabrave/Sincodiv e ADCE. É muita pressão, e os lojistas estão apavorados. Cada um tem um ponto de vista e uma solução. O que está em questão no momento é brigarmos com a Covid-19 e chegarmos a um denominador comum entre cuidar da vida e da economia. Este é o nosso maior objetivo.
JC - Como vocês veem a preocupação de médicos e da prefeitura com a crescente ocupação de UTIs. Neste domingo chega ?
Kruse - Vemos com muita preocupação e entendemos a gravidade. Por esta razão, queremos nos unir para tirar um entendimento de como vamos agir. Apoiando principalmente os cuidados com a vida, mas temos muito medo de um lockdown, isto é real. Queremos contribuir de uma maneira que possamos evitar isso.
JC - Qual é a posição do Sindilojas?
Kruse - A nossa posição é de apoio às restrições para que se diminua urgentemente o contágio e a ocupação das UTIs para que possamos voltar a reabrir. Temos uma grande preocupação com a saúde, mas temos um olhar voltado aos nossos lojistas que não estão podendo trabalhar e passando dificuldades. Tem de haver uma ação eficiente e severa na saúde e na economia, elas estão ligadas.
JC - O que o lockdown provocaria?
Kruse - O lockdown eliminaria qualquer circulação na cidade, com severa restrição de locomoção que poderia causar situações desastrosas. Como as pessoas vão entender em Porto Alegre que não podem sair, não podem passear com o cachorro? É uma situação extrema. Na Espanha, as pessoas só podiam ir ao supermercado, fruteira ou farmácia. Fora isso, não podia estar na rua e tinha policiamento severo. Imagina o que seria em nossas vilas e bairros? Hoje temos muita gente não cumprindo os decretos. As pessoas precisam entender o que está acontecendo e precisam cumprir as restrições. Elas não podem mais achar que não é com elas. É com todo mundo. O que eu fizer pode impactar a tua vida (falando à repórter) e teus familiares. Com todo respeito e educação tem de dizer: 'Paulo, tu estás transitando na rua indevidamente e pode me contaminar', Isso que as pessoas precisam entender.
JC - O senhor acredita que se todos cumprirem os decretos, pode-se em poucos dias frear a contaminação ou não temos mais tempo e o lockdown se coloca como única saída?
Kruse - Nesta segunda vez que fechamos nossos negócios, entendíamos que, no máximo, em 15 dias iríamos reabrir. Mas já está passando este prazo, estamos chegando a um mês, sem perspectivas. Nossa preocupação não são quais medidas, mas quanto antes tivermos a diminuição de contágio e ocupação de UTIs, poderemos reabrir. Além da vida, que quem cuida é a área da saúde e nosso protocolos, que seguimos à risca, nossa preocupação é de não economicamente. E isso está acontecendo, com lojas fechando. Um desemprego gera impacto a uma família inteira. Uma pessoa que se comporta mal, que não obedece aos decretos, prejudica toda Porto Alegre.
JC - Por que as pessoas não respeitam os decretos?
Kruse - Estamos há muito tempo fechados, e isso gera vários comportamentos. Imagina as pessoas há 70 dias sem poder sair. No começo, tivemos isolamento de 60% e agora cai a menos de 40%. O prefeito fez um chamado para as entidades que tivessem entendimento de como agir.
JC - O que o prefeito colocou a vocês?
Kruse - Ele foi claro e pediu um posicionamento, disse que existe a perspectiva de lockdown, o que seria desastroso. O lockdown fecha tudo. Tudo! Só pode abrir farmácia e súper e a volta às atividades não é tão rápida. O prefeito não apontou outra alternativa. Nosso objetivo é voltar a trabalhar com segurança.
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