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Logística

- Publicada em 21h18min, 13/07/2020.

Modais aéreo e portuário têm desempenhos diferentes na pandemia

Mesmo com redução de 25% na força de trabalho, porto gaúcho ampliou movimentação em 4,6%

Mesmo com redução de 25% na força de trabalho, porto gaúcho ampliou movimentação em 4,6%


/WENDERSON ARAUJO/TRILUX/CNA/DIVULGAÇÃO/JC
Jefferson Klein
No Rio Grande do Sul, o reflexo do coronavírus está sendo distinto para dois modais logísticos: o aéreo e o marítimo. Enquanto o Aeroporto Internacional de Porto Alegre (Salgado Filho) começou a verificar a redução na movimentação de cargas a partir de março, o porto de Rio Grande foi na direção oposta e teve incremento. Do lado do transporte por aviões, um dos motivos que explica o cenário é a diminuição na frequência de voos. Já no setor portuário, o agronegócio foi responsável pelo bom desempenho do complexo gaúcho.
No Rio Grande do Sul, o reflexo do coronavírus está sendo distinto para dois modais logísticos: o aéreo e o marítimo. Enquanto o Aeroporto Internacional de Porto Alegre (Salgado Filho) começou a verificar a redução na movimentação de cargas a partir de março, o porto de Rio Grande foi na direção oposta e teve incremento. Do lado do transporte por aviões, um dos motivos que explica o cenário é a diminuição na frequência de voos. Já no setor portuário, o agronegócio foi responsável pelo bom desempenho do complexo gaúcho.
No caso do aeroporto da capital, em abril foram embarcadas e desembarcadas 247 mil toneladas em cargas, contra 1,674 milhão de toneladas no mês anterior e 2,065 milhões de toneladas em abril de 2019. Em maio o desempenho já foi melhor, com 476 mil toneladas trabalhadas. O consultor em aeroportos Fernando Bizarro argumenta que o modal aéreo precisa de agilidade e, como a pandemia diminuiu o número de voos, o impacto foi imediato. No caso do Salgado Filho, em dado momento, a redução chegou a mais de 90%. Porém, o especialista acredita que o pior passou e a perspectiva é que comece a recuperação do segmento. Bizarro enfatiza que a logística aérea está diretamente relacionada ao desempenho da economia mundial. "Para melhorar o transporte aéreo de carga, tem que melhorar a economia nos Estados Unidos e na Europa", frisa.
Já o porto de Rio Grande, entre janeiro e maio deste ano, movimentou cerca de 15,5 milhões de toneladas, um incremento de 4,6% em comparação ao mesmo período de 2019. E os melhores resultados começaram justamente a partir de março, quando o patamar das 3 milhões de toneladas foi superado. Boa parte desse desempenho deve-se a exportações ligadas ao agronegócio.
O consultor de aeroportos lamenta que a situação do coronavírus no Rio Grande do Sul impactou o andamento da ampliação da pista do aeroporto Salgado Filho, iniciativa que é considerada como essencial para aumentar a capacidade de movimentação de cargas áreas a partir do Estado. Além do problema da pandemia, Bizarro recorda que continua lenta a desocupação das áreas no entorno do complexo, ação necessária para concluir a expansão da estrutura.
Apesar desse contexto, o analista prevê que a Fraport, grupo alemão responsável pela gestão do Salgado Filho, assim que tiver condições irá encaminhar a ampliação da pista. Inicialmente, o prazo de conclusão da obra era dezembro de 2021, o que faria com que a estrutura passasse dos atuais 2,28 mil metros para 3,2 mil metros.
O superintendente dos Portos do Rio Grande do Sul, Fernando Estima, detalha que a estiagem que assolou o Estado não refletiu tão intensamente na movimentação do porto rio-grandino por causa dos estoques e por pedidos represados do ano passado. Também contribuiu para o resultado positivo o embarque de soja no complexo gaúcho proveniente de estados como Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina. Entre os itens que foram transportados nessa primeira metade do ano, o dirigente cita, além da soja, fertilizantes, madeira, celulose e gado.
Conforme o superintendente, a expectativa é que 2020 feche com uma movimentação próxima à obtida em 2019 ou até mesmo superando um pouco o desempenho do ano passado, quando foram transportadas em torno de 42 milhões de toneladas em cargas. Entretanto, Estima reforça que o resultado dependerá dos desdobramentos da pandemia. O dirigente comenta que o porto de Rio Grande reduziu em torno de 25% sua capacidade total de trabalhadores como prevenção ao coronavírus. Atualmente, cerca de 4,8 mil pessoas estão atuando no complexo.

Campanha defende redução dos custos de pedágios na Região Sul

Para o porto de Rio Grande ficar mais competitivo, há custos que precisam ser revistos e que não ficam restritos à atividade portuária, sustenta o superintendente dos Portos do Rio Grande do Sul, Fernando Estima. Uma bandeira defendida pelo dirigente é a necessidade de diminuir o preço dos pedágios no entorno do complexo rio-grandino. Nesse sentido, sindicatos e associações de diferentes segmentos empresariais de Rio Grande e de Pelotas iniciaram uma mobilização pela redução do preço cobrado nas cinco praças de pedágio das BRs 116 e 392, no Sul do Estado. A campanha Pedágios, Reduzir para Crescer foi lançada na sexta-feira (10) em uma videoconferência com lideranças políticas e empresariais da região, seguida de adesivagem de caminhões.
Estima enfatiza que o próprio Tribunal de Contas da União (TCU) já indicou que os valores praticados estão acima do que deveriam. Segundo a assessoria do porto de Rio Grande, em abril o TCU concluiu uma auditoria nos contratos de pedágio da região Sul apontando que, se nada fosse feito, o lucro indevido da concessionária poderia chegar a R$ 800 milhões até 2026, ano em que acaba o contrato atual. Após a auditoria, o TCU determinou à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) a revisão dos preços em até 60 dias. O prazo expirava em junho, porém, a ANTT recorreu da decisão.
Outra medida que pode aumentar a competitividade do porto de Rio Grande diz respeito a benefícios fiscais. O superintendente dos Portos do Rio Grande do Sul revela que o governador Eduardo Leite deverá encaminhar ainda neste ano uma lei, cuja vigência deve valer para 2021, quanto a incentivos para a importação de produtos que não "colidam" com artigos fabricados pela indústria gaúcha. Com essa iniciativa, a expectativa é que cheguem a Rio Grande uma quantidade maior de contêineres cheios e diminua o número de recipientes vazios que precisam ser trazidos apenas para a exportação.
"Isso interessa à exportação do Rio Grande do Sul, porque acaba que os exportadores estão pagando o frete de ida e de volta", destaca Estima. Entre os produtos importados que poderão ser beneficiados, o superintendente aponta itens do setor metalmecânico, da indústria moveleira e químicos. Sobre a operação do porto gaúcho, o coordenador da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP) e da Hidrovias RS, Wilen Manteli, confirma que o agronegócio, apesar das dificuldades ocasionadas com a pandemia, tem contribuído para movimentar os portos nacionais, em particular o de Rio Grande. Quanto aos reflexos que a cobrança de pedágio praticada nas rodovias próximas implica ao complexo gaúcho, Manteli sugere que uma opção para "driblar" esse problema seria o maior uso das hidrovias.
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