Porto Alegre, sábado, 18 de julho de 2020.

Jornal do Comércio

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Agronegócio

- Publicada em 14h03min, 10/07/2020. Alterada em 16h20min, 12/07/2020.

Pandemia estimula consumo de frango no mercado interno e aquece exportações

De janeiro a junho deste ano, exportações cresceram 1,7% em relação ao mesmo período de 2019

De janeiro a junho deste ano, exportações cresceram 1,7% em relação ao mesmo período de 2019


SCOTT OLSON/AFP/JC
Thiago Copetti
Entre perdas e danos com a pandemia, como os cerca de R$ 30 milhões agregados aos custos extras de produção em poucos mais de três meses com às novas exigências de trabalho em frigoríficos e outras ações, a avicultura também pode colocar alguns ganhos na balança. O setor vive um momento de boas perspectivas de consumo interno, apesar da crise, e registra alta nas exportações, inclusive com a abertura de novos mercados. 
Entre perdas e danos com a pandemia, como os cerca de R$ 30 milhões agregados aos custos extras de produção em poucos mais de três meses com às novas exigências de trabalho em frigoríficos e outras ações, a avicultura também pode colocar alguns ganhos na balança. O setor vive um momento de boas perspectivas de consumo interno, apesar da crise, e registra alta nas exportações, inclusive com a abertura de novos mercados. 
O tema foi um dos destaques do VII Fórum Virtual Asgav & Sipargs, promovido nesta semana, para debater o futuro do mercado de carnes. No cenário interno, com a queda na renda da população, a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) avalia que deve ocorrer uma procura maior pelo frango no lugar da carne bovina, já que é uma proteína com preço mais acessível. Essa mesma perspectiva serve para o segmento de ovos, que também tem ampliado a presença na mesa dos brasileiros.
No mercado externo, a tendência é igualmente positiva. Ao mesmo tempo que em restringiu as importações de alguns frigoríficos brasileiros recentemente, inclusive gaúchos, a China segue habilitando novas unidades, assim como o mercado árabe, um grande comprador de aves no Estado. De acordo com dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), de janeiro a junho deste ano, os embarques cresceram 1,7% em relação ao mesmo período do ano passado. E ainda que a receita em dólar tenha sido 8,8% menor, a valorização cambial compensa a queda. A ABPA também espera avançar inclusive com exportações de genética avícola e até mesmo de ovos processados para a China.
No caso do Rio Grande do Sul os compradores árabes representam até mais peso na balança do que os chineses. A Arábia Saudita, por exemplo, respondeu por 31% das vendas para o Exterior feitas por frigoríficos localizados no Rio Grande do Sul, com 180 mil toneladas embarcadas no semestre, e os Emirados Árabes outros 7%, com 41,3 mil toneladas, volume semelhante ao da China (40,6 mil toneladas). E da mesma forma que o mercado árabe deve aumentar a procura por aves e novos cortes de frango para reforçar a segurança alimentar de seus países em meio à pandemia, a China também deverá fazê-lo.
Ainda que Arábia Saudita e Emirados Árabes tenham retraído as compras entre janeiro e junho (16% e 21%, respectivamente) em 2020, a tendência é de retomada e até ampliação, como forma de assegurar seus estoques internos. O frango está entre as principais proteínas consumidas nas duas regiões, e de acordo com a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, os projetos de avançar na produção local própria terão de esperar. Assim, esses dois mercados devem retomar e intensificar os negócios por aqui já neste segundo semestre. O Egito, por exemplo, está habilitando dezenas de novas plantas no Brasil.
A China segue o mesmo rumo. Apesar das suspensões a compra de carne de unidades de plantas como JBS, BRF e Minuano, no Rio Grande do Sul, e em outros Estados, alguns especialistas indicam que a ação é mais com foco na redução de preços do que uma limitação para compras futuras. De acordo com Ricardo Santin, que neste mês assume a presidência da ABPA, no lugar do gaúcho Francisco Turra, compradores do gigante asiático e o governo seguem buscando e habilitando frigoríficos brasileiros.
De acordo com a ABPA, com todas as províncias chinesas registrando focos de Peste Suína Africana (PSA), a produção própria do país caiu de 54 milhões de toneladas em 2018, para 42 milhões em 2019 e deverá somar pouco mais de 30 milhões em 2020.
“Com a peste suína dizimando o rebanho da China, há um déficit de proteína animal no país de cerca de 20 milhões de toneladas. É muito coisa. E com as restrições de venda de animais vivos em feiras e a proibição de consumo de animais silvestres, a demanda ainda vai aumentar”, diz Santin.
Levando em conta a necessidade árabe, chinesa e de outras nações pela proteína brasileira _ assim como alta no consumo interno _ a ABPA está inclusive ampliando suas projeções para o ano de 13,7 milhões de toneladas de produção para 14 milhões de toneladas. No semestre, a China registrou alta de 32% nos embarques, assim como foram ampliadas as compras do Japão.
“Apesar da pandemia, das dificuldades e das muitas exigências para manter as atividades nos frigoríficos, o setor tem trabalhado para que os brasileiros tenham comida no prato, assim como a segurança alimentar de outros países. As exportações fortes são fundamentais, já que as receitas em dólar, com o Real desvalorizado, ajudam a indústria a manter o equilibro financeiro”, explica Santin.

Carne suína também contabiliza ganhos

Santo Cristo foi a maior produtora de suínos em 2018, de acordo com o IBGE
China continental e Hong Kong são os grandes compradores internacionais
Adriano Weber/Prefeitura de Santo Cristo/Divulgação/JC
Na conta das boas notícias o executivo também inclui a venda de carne suína, outro segmento em que o Rio Grande do Sul tem grande representatividade. Neste caso, com destaque para o mercado chinês, que respondeu, de janeiro a junho deste ano, por 82% dos embarques gaúchos se somadas às compras da china continental (69%) e Hong Kong (13%). Juntas, as duas regiões importaram quase cem mil toneladas neste semestre, seguidos por Angola (4,3 mil), Cingapura (4,01 mil) e Vietnã (3,9 mil).
 
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