Porto Alegre, sábado, 18 de julho de 2020.

Jornal do Comércio

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Desenvolvimento

- Publicada em 19h45min, 07/07/2020. Alterada em 19h46min, 07/07/2020.

Desafio do combate à pandemia é a busca pelo equilíbrio

Jefferson Klein
Equilíbrio. Essa palavra foi repetida mais de uma vez durante a 13ª reunião do Fórum de Combate ao Colapso Social e Econômico do Rio Grande do Sul conduzida pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ernani Polo (PP), e realizada por videoconferência nessa terça-feira (7). O tema do encontro concentrou-se nos impactos que a pandemia do coronavírus está causando no campo da saúde e também na economia. Além de ser acompanhado por diversos empresários e políticos, o evento contou com palestras da coordenadora do Comitê de Dados do Governo do Estado, Leany Lemos, e do empresário da rede Deltasul, Roberto Mirandoli.
Equilíbrio. Essa palavra foi repetida mais de uma vez durante a 13ª reunião do Fórum de Combate ao Colapso Social e Econômico do Rio Grande do Sul conduzida pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ernani Polo (PP), e realizada por videoconferência nessa terça-feira (7). O tema do encontro concentrou-se nos impactos que a pandemia do coronavírus está causando no campo da saúde e também na economia. Além de ser acompanhado por diversos empresários e políticos, o evento contou com palestras da coordenadora do Comitê de Dados do Governo do Estado, Leany Lemos, e do empresário da rede Deltasul, Roberto Mirandoli.
Na ocasião, o modelo de distanciamento controlado no Rio Grande do Sul foi alvo de algumas críticas. Mirandoli, por exemplo, comenta que o Estado tem chance de fazer uma “travessia bem-feita”, mas é preciso manter o equilíbrio no enfretamento das duas crises, da saúde e da economia, algo que foi comprometido com a revisão do modelo. Ele julga que o sistema atual está sendo injusto, já que quem precisa trabalhar no comércio e no setor de serviços está sendo duramente penalizado, com grave reflexo na cadeia de produção. Ele lembra que indústrias, supermercados, bancos e lotéricas podem operar sob as bandeiras vermelha e preta e muitos outros segmentos não.
Uma proposta feita pelo empresário é que na ocorrência da bandeira vermelha ou preta o comércio varejista não essencial (de rua) possa manter o atendimento presencial restrito com, por exemplo, 25% dos trabalhadores e 25% da lotação e limite de um cliente por funcionário. Outra sugestão é considerar eletrodomésticos como fogões, geladeiras, celulares e televisores como bens essenciais. Mirandoli justifica esse último ponto lembrando que grande parte da população não possui condições de comprar pela internet e precisa adquirir esses itens em estabelecimentos de rua e no crediário.
Em âmbito nacional, o empresário destaca que, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em abril foram fechados em torno de 860,5 mil empregos. Para se ter uma base de comparação, em abril do ano passado o saldo era positivo, tendo sido criados em torno de 136,3 mil postos de trabalho. Mirandoli aponta ainda que o País, segundo levantamento do Índice Cielo do Valejo Ampliado (ICVA), desde 1º de março registrou uma queda de 62,3% no faturamento nominal total do segmento de serviços, redução de 78,8% na área de turismo e transporte e diminuição de 28,4% no varejo. Em contrapartida, o resultado de super e hipermercados cresceu 15,9% no período.
Mirandoli cita também que a retomada do Brasil no pós-covid deve ser mais lenta que em 90% dos países. Levantamento feito pelo Ibre/FGV aponta que o PIB brasileiro deve cair 1,6% no biênio 2020/2021, o que coloca o Brasil na 171ª posição entre 192 países. Entre as nações sul-americanas, apenas Venezuela terá resultado pior.

Opções ao modelo de distanciamento são consideradas extremas

O atual modelo de distanciamento vivido pelos gaúchos é uma alternativa a escolhas extremas como um lockdown completo ou uma abertura total, afirma a coordenadora do Comitê de Dados do Governo do Estado, Leany Lemos. Ela frisa que se trata de um ambiente de extrema incerteza global. “Não é uma questão apenas do Brasil ou do Rio Grande do Sul e isso causa um impacto na economia de maneira mais dramática”, enfatiza.
Leany ressalta que o governo estadual está preocupado com a saúde e o bem-estar das pessoas, mas também com os efeitos que uma recessão do tamanho que se apresenta tem na vida de cada um. Ela acrescenta que desemprego e fechamento de empresas é algo percebido mundialmente.
A coordenadora do Comitê de Dados do Governo do Estado argumenta que as principais medidas para amenizar os efeitos da pandemia no planeta, como soluções que envolvem políticas monetárias e fiscais, estão vindo dos governos centrais (União) e não dos entes subnacionais (estados). No caso do Brasil, Leany destaca que o País gasta apenas 3,5% do seu PIB para mitigar a crise, enquanto os Estados Unidos desembolsam 10,5% e a Alemanha 4,8%. Os norte-americanos, por exemplo, estenderam o seguro-desemprego, investiram em assistência alimentar, deram incentivos para as empresas manterem funcionários na folha de pagamento, financiaram hospitais, entre outras ações. “É preciso fazer uma mobilização para que o governo federal amplie o seu pacote de medidas”, defende Leany.
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