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E-commerce

- Publicada em 17h25min, 19/06/2020. Atualizada em 00h23min, 20/06/2020.

Mercado Livre desiste de abrir centro de distribuição em Gravataí que geraria 500 empregos

Empresa iria instalar operação em RMPA para receber mercadorias e entregar no Estado

Empresa iria instalar operação em RMPA para receber mercadorias e entregar no Estado


RP1/DIVULGAÇÃO/JC
O Mercado Livre, gigante de e-commerce, não vai mais se instalar em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA). A confirmação foi nesta sexta-feira (19). Em fim de fevereiro, a empresa argentina havia decidido segurar os planos, devido a uma negociação em andamento com o governo estadual na área tributária. O centro de distribuição abriria 500 empregos. A decisão ocorre em meio à pandemia do novo coronavírus, que alavancou as vendas em canais digitais devido ao distanciamento social.   
O Mercado Livre, gigante de e-commerce, não vai mais se instalar em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA). A confirmação foi nesta sexta-feira (19). Em fim de fevereiro, a empresa argentina havia decidido segurar os planos, devido a uma negociação em andamento com o governo estadual na área tributária. O centro de distribuição abriria 500 empregos. A decisão ocorre em meio à pandemia do novo coronavírus, que alavancou as vendas em canais digitais devido ao distanciamento social.   
 
A desistência na instalação da operação, que seria às margens da RS-118, gerou grande frustração no município. Quando houve o comunicado em fevereiro, a Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz) disse ter sido surpreendida, pois estava em tratativas.
"De Brasília, o executivo da empresa Mercado Livre me ligou para comunicar que Gravataí perdera, definitivamente, em virtude da falta de apoio do governo do Estado, o empreendimento anunciado há quase um ano", lamentou o prefeito Marco Alba. "Foi com tristeza que recebi o telefonema cordial e atencioso, mas cujo conteúdo foi muito amargo para Gravataí", completa Alba.
"Infelizmente, as negociações com o governo gaúcho para desburocratizar a atuação de vendedores de fora do Rio Grande do Sul dentro do Estado resultaram infrutíferas até o momento", alegou a companhia, que informou que "mantemos nosso propósito de instalar um CD no Sul do Brasil, por ser um importante mercado para nossos usuários, tanto vendedores quanto compradores da plataforma".
A Mercado Livre avisa que já está conversando com localidades na região (Santa Catarina e Paraná), "onde identificamos um modelo de atuação mais favorável aos empreendedores que atuam em nosso marketplace".
A empresa apontou que o motivo do recuo seria o fracasso das conversações com a Sefaz. A empresa buscava uma condição tributária especial para o trânsito de mercadorias que vêm de outros estados para serem entregues a clientes no Rio Grande do Sul.
O pleito era de que as empresas que usam o marketplace não teriam de ter registro com CNPJ na Fazenda gaúcha já que a venda ocorre pelo e-commerce. O CD seria um entreposto de chegada e saída de encomendas. A exigência de que seria necessário ter a inscrição estadual seguiria regras do ICMS, com emissão de nota fiscal, explicou a Fazenda. As conversas buscavam criar uma condição especial, seguindo uma medida adotada em São Paulo.
O governador do Estado, Eduardo Leite, usou seu perfil no Twitter para dizer que não foi informado oficialmente sobre a "suposta desistência definitiva da empresa Mercado Livre de instalar um centro de distribuição (CD) em Gravataí, na região metropolitana". 

Estado vai levar tema ao Confaz, e Gravataí cobra Leite

Em nota, a Sefaz informa que ofereceu "uma harmonização da legislação tributária do RS com a de São Paulo para que fosse possível a instalação do CD nas mesmas regras de outros centros de distribuição", assegurou o órgão. A secretaria diz que "permanece tentando superar questões adicionais ao modelo paulista em vigor" e que vai levar o assunto ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) para as operações de Fulfillment (logística de e-commerce). 
Apesar da Mercado Livre indicar que já busca novo destino, o governo gaúcho garante que faz esforços "para garantir o investimento e busca o melhor entendimento para que a instalação do CD seja positiva para o Estado e para a própria companhia". Mas a Sefaz condiciona ao respeito de "aspectos comerciais da economia como um todo".
Alba diz que recebeu a informação passada de que a empresa deve se instalar em Santa Catarina e que um dos motivos seria a agilidade para oferecer as condições para o modelo de venda da empresa. A notícia foi dada pelo site NSC Total.   
O primeiro alerta de mudança de planos ocorreu um dia antes da gigante de marketplace retirar o alvará para funcionar. O motivo alegado foi a indefinição nas conversas com a Fazenda. "À época, considerava-se que tal solução seria possível e rápida, já que a geração de empregos e renda era – como deve ser – bandeira política do governador", citou o prefeito.
"Entre o discurso e a prática existe mesmo um abismo. E este abismo só se transpõe com foco e inovação, o que não se viu no Governo do RS no episódio da Mercado Livre", critica o gestor. Alba avalia que "o governo gaúcho limitou-se a repetir a cartilha e reproduzir a interpretação de São Paulo (coincidência?), ao não acolher os argumentos da empresa e se recusar a modernizar sua legislação tributária".
"Nem se tratava de renunciar a impostos, mas de mudar o momento da tributação. Entretanto, a Secretaria de Estado da Fazenda não alcançou a importância do empreendimento e o expeliu para Santa Catarina. Nossos vizinhos acima do Rio Mampituba agradecem, pois sua população terá empregos e o Estado, mais riqueza, enquanto aqui, no Rio Grande, seguimos com belos discursos, mas poucas práticas. Parole, parole, parole", finalizou o prefeito. 
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