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viagens

- Publicada em 20h24min, 07/06/2020.

Turismo encara incerteza durante pandemia

Fechamento de fronteiras e queda no poder aquisitivo devem dificultar retorno

Fechamento de fronteiras e queda no poder aquisitivo devem dificultar retorno


GABRIELA DI BELLA/ARQUIVO/JC
Carlos Villela
Um dos setores mais prejudicados pela pandemia da Covid-19, o turismo também enfrenta o desafio de se reorganizar e sobreviver em um momento de crise financeira, com a impossibilidade de viagens internacionais e a incerteza sobre quando a retomada será possível. No começo de maio, o governo federal editou uma Medida Provisória (MP) que liberou R$ 5 bilhões para a área, destinados ao caixa do Fundo Geral do Turismo (Fungetur), focado em atender à necessidade de capital de giro de micro e pequenas empresas. A medida seguiu uma MP de abril, que permitia ao setor turístico e cultural prorrogar o pagamento de reembolso de eventos e pacotes.
Um dos setores mais prejudicados pela pandemia da Covid-19, o turismo também enfrenta o desafio de se reorganizar e sobreviver em um momento de crise financeira, com a impossibilidade de viagens internacionais e a incerteza sobre quando a retomada será possível. No começo de maio, o governo federal editou uma Medida Provisória (MP) que liberou R$ 5 bilhões para a área, destinados ao caixa do Fundo Geral do Turismo (Fungetur), focado em atender à necessidade de capital de giro de micro e pequenas empresas. A medida seguiu uma MP de abril, que permitia ao setor turístico e cultural prorrogar o pagamento de reembolso de eventos e pacotes.
Para Eleonora Andreoni, diretora da Planeta Turismo, o momento é preocupante. Ela diz que locais como lojas e restaurantes, quando reabertos, têm mais chances de retomar o consumo, o que não acontece no caso do turismo, que enfrenta desde fronteiras fechadas até queda nas finanças, além de um possível temor com contaminação em viagens. "A preocupação é porque não existe uma data para voltar. Mesmo que acabe a quarentena, como ficará o turismo? Com toda a situação econômica, é evidente que muitas pessoas estão numa situação financeira difícil", diz.
A empresa estava avaliando a possibilidade de conseguir uma linha de crédito desde antes da publicação da MP e, enquanto isso, está tentando administrar a situação com recursos próprios, suspendendo contratos de trabalho, renegociando outros custos e buscando reduzir ao máximo as despesas. "Digo para a minha equipe que a nossa meta é sobreviver, tanto em termos de saúde como em negócio. Estou buscando otimizar tudo para que continue funcionando com o mínimo possível de custo", diz.
Claudia Lund, fundadora da agência de viagens Casa de Turismo, não lembra de uma crise deste escopo em sua carreira de mais de três décadas. Sua empresa, que é enxuta, já começou a se adequar e parar de vender pacotes logo que a Covid-19 se internacionalizou. "Conseguimos reduzir muito os gastos, agimos rapidamente. Isso faz uma diferença nesses momentos", diz. Desde então, a empresa começou a atuar em home office, e também auxiliou viajantes que estavam passando por problemas com empresas de maior porte. "Fizemos ações para ajudar algumas pessoas, mesmo não sendo nossos clientes. Gente que usa plataformas como Decolar, Booking", conta. 
Claudia diz que sua empresa está estudando sobre o melhor momento de retomada, mas incertezas a respeito da curva de contágio e outras limitações impedem que o martelo seja batido em relação a datas. Ela acredita que 2020 não deve ser um ano de viagens para o exterior. "Agora, num primeiro momento, quem for viajar vai pegar seu carro e escolher destinos mais próximos. Pegar avião vai demorar um pouco", acredita.
De acordo com a economista-chefe da Fecomércio-RS, Patrícia Palermo, o turismo deve ser um dos últimos setores a ganhar pique na retomada da economia. "O que se teve nesse ambiente foi uma mudança de hábitos muito negativa para o setor", explica ela, destacando o turismo de negócios como uma área especialmente prejudicada neste período. "Acredito que grande parte das viagens de negócios que costumavam ocorrer vai sofrer diminuições. Basicamente, as pessoas viram que este momento propiciou para elas a vinculação de uma nova tecnologia na relação com as empresas, que pode mobilizar contatos com mais frequência e mais barato", explica.
Patrícia aponta que o setor provavelmente vai precisar se readequar e buscar novas saídas - uma delas pode ser o turismo de saúde, algo que a capital gaúcha tem potencial. "Se que Porto Alegre ficasse no mapa nacional para tratamentos de saúde, além de ser um forte predicado por ser uma atividade de grande valor adicionado, esses fluxos poderiam ser bem positivos para a cidade."
Segundo Marcelo Prado, CMO da BizCapital, fintech especializada em crédito para pequenas empresas, durante a crise, percebe-se solicitação de crédito por empresas com mais tempo de mercado. Ou seja, companhias que tinham uma saúde financeira boa e conseguiam usar o próprio capital para crescer tiveram que buscar novas alternativas de crédito. No primeiro trimestre deste ano, em comparação com o último trimestre de 2019, a BizCapital notou um aumento de 54% no valor médio solicitado nos pedidos de empréstimo feitos pelos setores de turismo e transportes. "O crédito no setor de turismo é muito usado para expansão, mas, agora, é utilizado para sobrevivência", afirma Prado. 
 
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