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Agronegócios

- Publicada em 12h05min, 22/05/2020. Alterada em 16h32min, 22/05/2020.

Seca provoca queda de 28,7% na safra de verão no Rio Grande do Sul

Soja foi a cultura mais afetada, com redução de 42,2% na produção

Soja foi a cultura mais afetada, com redução de 42,2% na produção


VOLNEI SCHREINER/FETAG/DIVULGAÇÃO/JC
Marcelo Beledeli
A seca provocou uma queda de 28,7% na safra de grãos de verão no Estado, com uma colheita de 22,46 milhões de toneladas, segundo levantamento divulgado nesta sexta-feira (22) pela Emater. No ciclo 2018/2019, a produção gaúcha havia sido de 31,50 milhões de toneladas.
A seca provocou uma queda de 28,7% na safra de grãos de verão no Estado, com uma colheita de 22,46 milhões de toneladas, segundo levantamento divulgado nesta sexta-feira (22) pela Emater. No ciclo 2018/2019, a produção gaúcha havia sido de 31,50 milhões de toneladas.
As maiores perdas foram na soja, que teve uma redução de 42,2% na produção, atingindo apenas 10,7 milhões de toneladas, contra 18,5 milhões de toneladas na safra passada. Segundo o diretor-técnico da Emater, Alencar Rugeri, a cultura foi extremamente afetada no período mais crítico para o desenvolvimento de grãos, que é o final de fevereiro e o início de março, quando em torno de 60% das lavouras gaúchas estavam em fase de enchimento de vagens. Com isso, a produtividade da soja, que no ano passado foi de 3.178 quilos por hectare, caiu 43,6% nesta safra, para 1.793 quilos por hectare.
Outra lavoura fortemente atingida foi o milho, que registrou uma produção de 4,11 milhões de toneladas no Estado, volume 28,4% menor do que as 5,74 milhões de toneladas do ciclo 2018/2019. A produtividade da cultura diminuiu 30,2%, caindo de 7.515 quilos por hectare na safra passada para 5.248 quilos por hectare na atual.
Das culturas de verão, a única que apresentou crescimento foi o arroz. As lavouras arrozeiras gaúchas produziram 7,58 milhões de toneladas, volume 5,7% maior do que as 7,17 milhões de toneladas de 2018/2019. Os menores volumes de chuvas acabaram beneficiando o setor orizícola, que teve um crescimento de produtividade de 8,3%, passando dos 7.417 quilos por hectare registrados na safra anterior para 8.030 quilos por hectare no ciclo 2019/2020.
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Segundo Rugeri, o avanço da seca durante o verão fez com que a coleta de dados sobre a produção fosse muito mais difícil para a Emater. O diretor técnico lembrou a polêmica gerada pelas estimativas divulgadas pela entidade durante a Expodireto, no início de março, quando a instituição apontava uma queda de apenas 16% na safra de soja em relação à estimativa original divulgada em agosto, durante a Expointer. Alguns dias depois, a Emater atualizou a estimativa para uma redução de 32,2%.
“Desde que implementamos a metodologia de estimativa nunca tivemos tantas dificuldades de apuração, que foram geradas devido à intensidade da seca e pela flutuação das condições hídricas pelas regiões do Estado e ao longo do tempo”, destacou. Rugeri lembrou que o levantamento da Emater abrange 90% dos municípios produtores de cada cultura pesquisada.
No caso da soja, a região da Emater que apresentou maior queda na produtividade em relação à estimativa inicial de antes do plantio foi a de Soledade, com redução de 63%, passando de 3.361 quilos por hectare para 1.235 quilos por hectare. No milho, a maior quebra, também da ordem de 63%, foi na região de Pelotas, com a produtividade caindo de uma previsão de 3.846 quilos por hectare para apenas 1.417 quilos por hectare.

Governo gaúcho quer prorrogação de decretos de emergência do BC

O secretário da Agricultura informou que os dados apresentados pela Emater devem ser apresentados ainda hoje para os ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Agricultura, Tereza Cristina, a fim de municiarem os argumentos do Estado para a prorrogação para 30 de maio das resoluções do Banco Central (BC), destinadas a produtores rurais e cooperativas atingidos pela estiagem. As medidas foram publicadas em 9 de abril
“Até aquela data apenas 190 municípios tinham o decreto de emergência homologado no Estado. Agora já passam de 380”, informou Covatti Filho. Entre as medidas do BC está a renegociação de operações de crédito rural de custeio e de investimento e a criação de linhas especiais do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp).
Segundo a Emater, até a última terça-feira (19), técnicos da instituição realizaram 10.099 vistorias para o seguro Proagro em lavouras de soja. A totalidade de solicitações em culturas e hortigranjeiros no Estado chega a 17.578 vistorias; os números vêm sendo contabilizados desde 1 de dezembro de 2019, por conta dos danos devido à estiagem.

Estado planeja redirecionar recursos para irrigação

Lavoura de milho com irrigação - Foto Fernando Kluwe Dias
Programa Mais Água Mais Renda ajudou a irrigar 86.500 hectares
FERNANDO KLUWE DIAS/DIVULGAÇÃO/JC
Com a subvenção para projetos do programa Mais Água Mais Renda encerrada desde 14 de março, o governo gaúcho deverá buscar outras fontes para financiar e incentivar a irrigação no Estado. Segundo o secretário da Agricultura, Covatti Filho, como o orçamento do governo já está contingenciado, a solução será redirecionar verbas que estavam previstas para outros programas.
“O que podemos fazer é uma troca de rubrica orçamentária, transferindo recursos de outros projetos para reativar o Mais Água Mais Renda”, explica Covatti Filho. A subvenção do Mais Água Mais Renda começou a ser repassada em 2017, beneficiando 702 produtores rurais para aquisição de equipamentos de irrigação com desembolso do Estado de R$ 4,5 milhões. Com o programa, foram irrigados 86.500 hectares.
Além disso, Covatti lembrou que, nesta sexta-feira (22), foi publicada uma Instrução Normativa que cria a Câmara Temática da Irrigação. A intenção do órgão é ouvir sugestões de representações de produtores rurais, fabricantes de equipamentos, empresas elaboradoras de projetos e demais parceiros da irrigação.
Segundo o diretor de Políticas Agrícolas da Seapdr, Ivan Bonetti, os cultivos de verão como milho, soja, feijão, além de outros de sequeiro como frutíferas e hortaliças, somam cerca de sete milhões de hectares, dos quais, atualmente, menos de 3% contam com irrigação. “Existe também a necessidade de irrigação nas pastagens para a produção leiteira e de corte”, argumenta.
Por outro lado, conforme ele, o regime anual de chuvas do Rio Grande do Sul é muito bom, ao redor de 1.600 mm/ano. “O que permite fazer reserva de água que normalmente é usada como uma irrigação suplementar, ou seja, utilizada por algumas semanas nos meses de verão, mas sendo decisiva para garantir boa produtividade das lavouras”, explica Bonetti.
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