Porto Alegre, quarta-feira, 20 de maio de 2020.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
quarta-feira, 20 de maio de 2020.
Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

CORRIGIR

indústria

Alterada em 20/05 às 11h58min

Mercado de implementos rodoviários recua 13%

Setor se manteve ativo pela entrega de pedidos já programados em carteira

Setor se manteve ativo pela entrega de pedidos já programados em carteira


RANDON/DIVULGAÇÃO/JC
Roberto Hunoff, de Caxias do Sul
O número de emplacamentos de implementos rodoviários no primeiro quadrimestre de 2020 recuou 13% com relação ao total apurado de janeiro a abril de 2019. Em quatro meses, a indústria entregou 30.878 unidades ao mercado.
O número de emplacamentos de implementos rodoviários no primeiro quadrimestre de 2020 recuou 13% com relação ao total apurado de janeiro a abril de 2019. Em quatro meses, a indústria entregou 30.878 unidades ao mercado.
A queda só não foi maior porque o setor vinha desenvolvendo sua carteira de clientes antes da pandemia que paralisou a economia. “A indústria estava no ritmo pós-crise com os planos de recuperação em andamento”, explica Norberto Fabris, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (ANFIR). De acordo com o dirigente, o resultado decorre das vendas programadas que estão sendo entregues, reduzindo os efeitos da paralisia na economia nas atividades do setor.
O total registrado este ano é semelhante ao de 2015, de 30.499 produtos. “A retomada foi interrompida e recuamos para o patamar de quatro anos atrás”, acrescenta. Sua avaliação é que a situação deverá iniciar a volta à normalidade em função da suspensão da quarentena em alguns municípios, indicando que a atividade econômica será retomada em breve. “Cidades de médio e pequeno porte tendem a voltar a vida normal antes dos grandes centros que são focos de maior contágio da doença. Os negócios deverão ser recuperados com operações menos concentradas e mais pulverizadas”, projeta.
Fabris lembra que a parada nos negócios não foi completa porque vários segmentos continuam em operação. “Há a necessidade urgente de distribuição de produtos necessários à população, como alimentos, medicamentos e combustíveis, entre outros. Isso manteve a roda da economia girando”, explica. Por conta dessa situação, parte dos associados da ANFIR acredita que o mercado deve reagir no início do segundo semestre. 
Na linha de reboques e semirreboques, o recuo foi de 16%, para 16.348 emplacamentos. Das 15 famílias em linha, apenas três tiveram aumento. As mais representativas foram silos, com 70%, e tanques inox, com 40%, mas ambas com baixos volumes, de 46 e 104 unidades, respectivamente. A redução mais significativa, de 35%, foi na principal família, a de graneleiros e carga seca, que somou 3.567 unidades, perdendo a liderança para basculantes, que somaram 3.590, em queda de 8%.
No segmento de leves, de carrocerias sobre chassi, o declínio foi menor, de 10%, para 14.530 unidades. Modelos graneleiro/carga seca e baú alumínio/frigorificados, que representam 30% das vendas deste segmento, tiveram variações negativas de 29% e 7%, respectivamente. O principal avanço, de 26%, foi na linha de tanques, para 882 unidades.
O resultado do quadrimestre pode não refletir a realidade do momento. Isso porque o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) suspendeu a obrigatoriedade de emissão dos documentos para registro e licenciamento dos veículos, como consta na circular 508/2020. A medida foi adotada para evitar a contaminação pela Covid-19, que poderia ocorrer pela aglomeração de pessoas nos Detrans, que foram fechados, levando à suspensão da emissão de quaisquer documentos.
A ausência de documentação poderia comprometer a circulação de mercadorias justamente no momento pelo qual o país atravessa. Para evitar um mal maior, a ANFIR fez o pedido ao Denatran. Desta forma, uma parte dos implementos rodoviários não está sendo emplacada e não consta nas estatísticas do quadrimestre.

Setor pede suporte financeiro ao BNDES

A diretoria da ANFIR realizou uma videoconferência com dirigentes do BNDES em que solicitou apoio aos associados que sofrem os efeitos negativos na economia causados pela Covid-19. O presidente, Norberto Fabris, descreveu o panorama do mercado desde a crise de 2015, salientou 2019 como ano de recuperação e a expectativa da indústria de registrar crescimento em 2020. “A crise sanitária frustrou os planos porque atingiu todos os setores econômicos em cheio”, afirmou.
Além da falta de pedidos, os clientes da indústria estão enfrentando dificuldades na obtenção de financiamento para compra de implementos rodoviários. Os executivos apontaram que o sistema financeiro exige garantias em excesso. “Os bancos comerciais não querem emprestar por terem receio da inadimplência diante da queda do PIB que está ocorrendo”, expôs Fabris.
A diretoria da ANFIR deixou claro que o setor não está pedindo um novo PSI com juros subsidiados a 2,5% ao ano. “O Brasil aprendeu que o dinheiro barato daquela ocasião nos custou muito caro”, alegou Fabris. O pedido é que o BNDES estude uma solução especial para que o crédito seja destravado junto aos agentes financeiros que operam com suas linhas. 
O diretor de Participações, Mercado de Capitais e Crédito Indireto do BNDES, Bruno Laskowsky, informou que estão avançadas as tratativas para a publicação, por parte do governo federal, de uma medida provisória regulando um fundo garantidor especial. O objetivo é servir como garantia para as operações dos agentes financeiros parceiros do BNDES.
O produto englobará todas as linhas de crédito feitas pelas operações indiretas do BNDES, representando em torno de R$ 100 bilhões. 
Comentários