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Indústria

- Publicada em 13h42min, 19/05/2020. Atualizada em 18h57min, 29/07/2020.

Via Uno demite 535 trabalhadores em Santo Antônio da Patrulha e Caraá

Setor calçadista passa pelo agravamento no número de demissões no Estado

Setor calçadista passa pelo agravamento no número de demissões no Estado


VIA UNO/DIVULGAÇÃO/JC
Thiago Copetti
Com vendas afetadas pela pandemia - no mercado interno, mais recentemente, e nas exportações, desde fevereiro - o setor calçadista passa pelo agravamento no número de demissões no Rio Grande do Sul, que já chegam 8,93 mil pessoas, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados. Desta vez, a crise se abateu sobre a RR Shoes, que opera a marca Via Uno. A companhia demitiu, na segunda-feira (18), 420 funcionários de sua fábrica em Santo Antônio da Patrulha e outros 115 da unidade do município de Caraá - um total de 535 trabalhadores. 
Com vendas afetadas pela pandemia - no mercado interno, mais recentemente, e nas exportações, desde fevereiro - o setor calçadista passa pelo agravamento no número de demissões no Rio Grande do Sul, que já chegam 8,93 mil pessoas, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados. Desta vez, a crise se abateu sobre a RR Shoes, que opera a marca Via Uno. A companhia demitiu, na segunda-feira (18), 420 funcionários de sua fábrica em Santo Antônio da Patrulha e outros 115 da unidade do município de Caraá - um total de 535 trabalhadores. 
Segundo informações passadas pelo proprietário da empresa, Ramon Rabelo, ao prefeito de Santo Antônio da Patrulha, Daiçon Maciel da Silva, 340 pessoas seguirão trabalhando nas duas unidades, sendo 300 no pavilhão de Santo Antônio da Patrulha e 40 em Caraá. A loja da empresa, que fica no centro de Santo Antônio da Patrulha, também vai seguir vendendo direto ao consumidor.
Os desligamentos se somam a outros mais de 400 na Piccadilly em Santo Antônio da Patrulha, de acordo o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Calçado e do Vestuário do Litoral Norte. O prefeito lamentou as demissões, lembrando que, além do impacto nas famílias dos famílias, as demissões também impactam fortemente as contas públicas. Somente em ICMS, a expectativa é de que os repasses para Santo Antônio da Patrulha caiam pela metade.
Segundo a prefeitura municipal, apenas a fábrica da Piccadilly  gerava 10% do ICMS adicionado do município. “Do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), de R$ 1,1 milhão que receberíamos, deveremos receber somente R$ 600 mil. Porém, o grande impacto mesmo é sobre as pessoas que estão perdendo trabalho”, lamentou Silva.
As demissões de empresas calçadistas também já ocorreram em outras cidades, como Dois Irmãos, Picada Café e Osório. Em Igrejinha, por exemplo, a Piccadilly havia demitido 148 funcionários em abril, segundo a Federação dos Sapateiros. Em Teutônia, no fim de março, a RR Shoes já tinha dispensado 400 pessoas, encerrando as atividades da planta industrial.
A situação atual do setor calçadista será tema de encontro estadual da federação que reúne os trabalhadores do setor, onde a entidade fará um levantamento das demissões em 23 sindicatos, na próxima sexta-feira. Os impactos da pandemia do novo coronavírus na produção de calçados podem fazer com que a produção do setor caia até 30% em 2020, de acordo com estimativa da Abicalçados.
Além dos empregos diretos, se avolumam também as demissões e fechamento de ateliers que atendem essas indústrias. O problema, destaca o presidente do sindicato do Litoral Norte, Celso Inácio da Silva, vem se agravando em todo o Estado, dia a dia. “Santo Antônio tem cerca de 2,5 mil trabalhadores ligados ao setor, e em torno de 1,5 mil estão agora sem trabalho. Com toda essa pandemia, quem está comprando sapato? As encomendas, das lojas no Brasil e para os Estados Unidos e Argentina, estão paradas”, lamenta Silva.
A expectativa do sindicato é que até ao final dos cinco meses de auxílio-desemprego a situação esteja melhor e as empresas comecem a recontratar ao menos uma parte dos demitidos. O cenário é de apreensão em todo o setor, alerta Sandro Fagundes, membro do conselho fiscal da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias do Calçado e do Vestuário do Rio Grande do Sul.
“Onde ainda não houve demissões, já ocorreu redução de jornadas e salários. Mas isso vale por 90 dias, no máximo. O problema é como ficará depois deste prazo”, antecipa Fagundes.
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