Porto Alegre, sexta-feira, 25 de setembro de 2020.
Dia do Trânsito.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
sexta-feira, 25 de setembro de 2020.
Corrigir texto

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Conjuntura Internacional

- Publicada em 03h00min, 12/05/2020.

Queda no PIB alemão deve passar de 6,3%

Witschel diz que desemprego irá aumentar mesmo com medidas de auxílio

Witschel diz que desemprego irá aumentar mesmo com medidas de auxílio


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Jefferson Klein
Um país que serve de parâmetro como modelo econômico será um dos mais afetados pelas consequências do coronavírus. O embaixador da Alemanha no Brasil, Georg Witschel, informa que a nação europeia espera, para 2020, como reflexo das dificuldades ocasionadas pela pandemia, uma queda de, pelo menos, 6,3% do PIB. O dirigente ressalta que o FMI prevê redução de 2,8% no PIB mundial. O reflexo será maior que a média mundial para a Alemanha porque, conforme o dirigente, o país é muito dependente das exportações.
Um país que serve de parâmetro como modelo econômico será um dos mais afetados pelas consequências do coronavírus. O embaixador da Alemanha no Brasil, Georg Witschel, informa que a nação europeia espera, para 2020, como reflexo das dificuldades ocasionadas pela pandemia, uma queda de, pelo menos, 6,3% do PIB. O dirigente ressalta que o FMI prevê redução de 2,8% no PIB mundial. O reflexo será maior que a média mundial para a Alemanha porque, conforme o dirigente, o país é muito dependente das exportações.
O embaixador destaca que a própria chanceler Angela Merkel afirmou que se trata do maior desafio para a Alemanha desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Segundo o embaixador, há análises que apontam que o revés do PIB pode ser ainda maior do que os 6,3% projetados, atingindo até 10%. Porém Witschel adianta que a expectativa é que, em 2021, se verifique a retomada, com a Alemanha devendo registrar entre 5% a 5,5% de crescimento do PIB, de acordo com números do ministério da Economia do país europeu.
Entre as consequências diretas com a situação atual, o embaixador cita a adoção da jornada reduzida. Ele informa que cerca de 50% das empresas alemãs recorreram a essa opção. Durante a crise financeira mundial, de 2008 e 2009, foram, aproximadamente, 1,5 milhão de trabalhadores alemães afetados com esse tipo de medida, e, agora, as estimativas vão de 10 milhões a 12 milhões.
Mesmo com as medidas paliativas adotadas, Witschel admite que o desemprego irá aumentar. Os primeiros prognósticos apontam que 370 mil empregos serão perdidos. "É bem provável que, no final do ano, o número real seja muito mais alto, chegando a 600 mil, 700 mil, talvez até mesmo 1 milhão", alerta. A taxa de desemprego alemã subiu de 4,9%, no final de 2019, para 5,8% em abril deste ano, e Witschel diz que seria ingênuo acreditar que todos os empregos e empresas serão salvos durante a pandemia. Contudo, o embaixador ressalta que nem todas as notícias são negativas.
Ele comenta que a dívida pública da Alemanha corresponde, hoje, a 60% do PIB, e, após a crise, a perspectiva é que esse percentual chegue a cerca de 80%, o que, para o embaixador, não é algo dramático e melhor que muitos outros países europeus. O dirigente ressalta, ainda, que, na Alemanha, não existe conflito entre governo federal e Congresso, com a interação entre as instituições de Estado funcionando bem. Witschel frisa que o sistema de saúde alemão não ficou sobrecarregado e a nação está implementando as primeiras flexibilizações, com aberturas de lojas e fábricas. No entanto, o dirigente comenta que uma preocupação é que a taxa de infecção está subindo - recentemente, passando de 0,76% para 1,13%. "Não sabemos se haverá uma segunda onda, oxalá não", salienta.
Witschel participou, nesta segunda-feira, da primeira reunião-almoço virtual da história Câmara Brasil-Alemanha no Rio Grande do Sul. Na ocasião, ele foi questionado sobre qual período seria adequado para a ida de uma missão de empresários gaúchos à Alemanha, com a presença do governador Eduardo Leite, que estava sendo planejada antes da pandemia. "Aconselharia aguardar um pouco, acho que não faz sentido antes de, talvez, setembro, outubro ou novembro, agora é cedo demais para planejar uma viagem", argumenta o embaixador. O dirigente lembra que até mesmo a Oktoberfest deste ano foi cancelada, pela primeira vez depois da Segunda Grande Guerra.
Comentários CORRIGIR TEXTO