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Conjuntura Internacional

- Publicada em 13h05min, 11/05/2020. Atualizada em 13h08min, 11/05/2020.

Alemanha terá impacto econômico maior do que média mundial

Witschel diz que desemprego irá aumentar mesmo com medidas de auxílio

Witschel diz que desemprego irá aumentar mesmo com medidas de auxílio


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Jefferson Klein
Um país que serve de parâmetro como modelo econômico será um dos mais afetados pelas consequências do coronavírus. O embaixador da Alemanha no Brasil, Georg Witschel, informa que a nação europeia espera para 2020, como reflexo das dificuldades ocasionadas pela pandemia, uma queda de pelo menos 6,3% do PIB. O dirigente ressalta que o FMI prevê redução de 2,8% no PIB mundial. O reflexo será maior para a Alemanha, que a média do planeta, porque, conforme o dirigente, o país é muito dependente das exportações.
Um país que serve de parâmetro como modelo econômico será um dos mais afetados pelas consequências do coronavírus. O embaixador da Alemanha no Brasil, Georg Witschel, informa que a nação europeia espera para 2020, como reflexo das dificuldades ocasionadas pela pandemia, uma queda de pelo menos 6,3% do PIB. O dirigente ressalta que o FMI prevê redução de 2,8% no PIB mundial. O reflexo será maior para a Alemanha, que a média do planeta, porque, conforme o dirigente, o país é muito dependente das exportações.
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O embaixador destaca que a própria chanceler Angela Merkel afirmou que se trata do maior desafio para a Alemanha desde o fim da segunda guerra mundial. Segundo o embaixador, há análises que apontam que o revés do PIB pode ser ainda maior do que os 6,3% projetados, atingindo até 10%. Porém, Witschel adianta que a expectativa é que em 2021 se verifique a retomada, com a Alemanha devendo registrar entre 5% a 5,5% de crescimento do PIB, de acordo com números do ministério da Economia do país europeu.
Entre as consequências diretas com a situação atual, o embaixador cita a adoção da jornada reduzida. Ele informa que cerca de 50% das empresas alemãs recorreram a essa opção. Durante a crise financeira mundial, de 2008 e 2009, foram aproximadamente 1,5 milhão de trabalhadores alemães afetados com esse tipo de medida e agora as estimativas vão de 10 milhões a 12 milhões.
Mesmo com as medidas paliativas adotadas, Witschel admite que o desemprego irá aumentar. Os primeiros prognósticos apontam que 370 mil empregos serão perdidos. “É bem provável que, no final do ano, o número real seja muito mais alto, chegando a 600 mil, 700 mil, talvez até mesmo 1 milhão”, alerta. A taxa de desemprego alemã subiu de 4,9% no final de 2019 para 5,8% em abril deste ano e Witschel diz que seria ingênuo acreditar que todos os empregos e empresas serão salvos durante a pandemia. Contudo, o embaixador ressalta que nem todas as notícias são negativas.
Ele comenta que a dívida pública da Alemanha corresponde hoje a 60% do PIB e, após a crise, a perspectiva é que esse percentual chegue a cerca de 80%, o que para o embaixador não é algo dramático e melhor que muitos outros países europeus. O dirigente ressalta ainda que na Alemanha não existe conflito entre governo federal e Congresso, com a interação entre as instituições de Estado funcionando bem. Witschel frisa que o sistema de saúde alemão não ficou sobrecarregado e a nação está implementando as primeiras flexibilizações, com aberturas de lojas e fábricas. No entanto, o dirigente comenta que uma preocupação é que a taxa de infecção está subindo, recentemente, passando de 0,76% para 1,13%. “Não sabemos se haverá uma segunda onda, oxalá não”, salienta.
Witschel participou nessa segunda-feira (11) da primeira reunião-almoço virtual da história Câmara Brasil-Alemanha no Rio Grande do Sul. Na ocasião, ele foi questionado sobre qual período seria adequado para a ida de uma missão de empresários gaúchos à Alemanha, com a presença do governador Eduardo Leite, que estava sendo planejada antes da pandemia. “Aconselharia aguardar um pouco, acho que não faz sentido antes de, talvez, setembro, outubro ou novembro, agora é cedo demais para planejar uma viagem”, argumenta o embaixador. O dirigente lembra que até mesmo a Oktoberfest deste ano foi cancelada, pela primeira vez depois da segunda grande guerra.
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