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Varejo

- Publicada em 16h53min, 04/05/2020. Atualizada em 18h49min, 21/05/2020.

José Bonifácio é fechada para ampliar espaço de feiras ecológicas aos sábados

Avenida fica bloqueada nas manhãs de sábado para a operação dos feirantes no Bom Fim

Avenida fica bloqueada nas manhãs de sábado para a operação dos feirantes no Bom Fim


LUIZA PRADO/JC
Patrícia Comunello
As duas feiras ecológicas mais populares no Rio Grande do Sul resistiram ao tsunami da pandemia de coronavírus. A Feira dos Agricultores Ecologistas e a Feira Ecológica do Bom Fim, realizadas ao lado do Parque da Redenção, em Porto Alegre, adotaram proteção, distanciamento e uma novidade: avenida José Bonifácio fechada, que caiu no gosto de frequentadores e de agricultores que torcem para que o bloqueio, necessário em meio à pandemia, permaneça no futuro.
As duas feiras ecológicas mais populares no Rio Grande do Sul resistiram ao tsunami da pandemia de coronavírus. A Feira dos Agricultores Ecologistas e a Feira Ecológica do Bom Fim, realizadas ao lado do Parque da Redenção, em Porto Alegre, adotaram proteção, distanciamento e uma novidade: avenida José Bonifácio fechada, que caiu no gosto de frequentadores e de agricultores que torcem para que o bloqueio, necessário em meio à pandemia, permaneça no futuro.
"Aqui tem de ser um lugar seguro. Seguimos as orientações da prefeitura para não criar aglomeração e para os clientes respeitarem a fila", diz o produtor e integrante da coordenação do conselho de feiras da Capital, Paulo Sérgio Ludwig. No último sábado (2), as medidas de proteção e cuidados passaram a ser reforçadas em uma locução que é ouvida por toda a extensão onde ficam as bancas, com apelos para respeitar restrições de contato, fila, uso de máscara (que passou a ser obrigatório) e permanência na feira apenas o necessário. (confira no final do texto, as orientações antes de ir à feira)
O novo cenário, que chama a atenção para quem chega, pelo visual de uso de máscaras e outras precauções e pela via livre da José Bonifácio para caminhar, ajudou a recuperar em parte as vendas das feiras que acontecem nas manhãs de sábado. A comercialização está entre 30% e 40% mais baixa, apontam feirantes ouvidos pelo Jornal do Comércio.
Antes de se adaptar às regras para evitar a contaminação, boa parte dos 138 expositores levou um baita susto. No primeiro decreto de calamidade pública, as feiras de rua foram autorizadas na Capital, mas vieram com uma limitação. Nenhum produtor de fora poderia atuar, o que atingiu em cheio as feiras de orgânicos, majoritariamente formadas por famílias de agricultores de outras cidades.
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'Aqui tem de ser um lugar seguro', diz Ludwig, usando máscara e falando das mudanças. Fotos: Luiza Prado  
Após negociação, o conselho de feiras conseguiu reverter e os eventos foram normalizados em novo decreto. A única coisa que os feirantes não conseguiram escapar é do custo das vagas de estacionamento da zona azul devido ao bloqueio da avenida José Bonifácio. O valor é de R$ 100,00 por semana, pago à EPTC, pelo grupo.
"Estamos de volta a nossa feirinha, estamos aqui há 18 anos, nos sentimos em casa", comemora o agricultor Romildo Hahn Schardosim, de Dom Pedro de Alcântara, no Litoral Norte e a 200 quilômetros da Capital. Schardosim e o filho Vitor tiveram de usar aplicativo e arranjar um galpão para venda para amenizar o impacto da proibição por um sábado.
A volta não foi para a 'feirinha' do jeito que Schardosim conhecia. As bancas estão dez metros afastadas umas das outras e as proteções são obrigatórias. "É um pouco desconfortável", reclama o produtor, sobre a máscara, mas ele sabe que não tem como ser diferente: "É o jeito de nos prevenirmos e os fregueses". O agricultor diz que vende 30% a menos desde a chegada do novo coronavírus. "Temos de aceitar, nos adaptar, isso pode ir longe", especula o agricultor deDom Pedro de Alcântara.
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Schardosim comemora a volta para a 'feirinha', depois de ser impedido em um fim de semana
Os consumidores já se acostumaram com a barreira de acrílico que a banca da Agromel instalou. "É para nossa proteção", diz uma cliente. "Me acostumei." O integrante da associação de fabricantes de mel Gilberto Barbosa diz que o escudo é um cockpit de segurança. Álcool em gel e máscara completam os materiais de cuidados na banca. Barbosa estima que as vendas reduziram 60%. "Estamos com bastante estoque no campo", diz. "Mas está dando para segurar já que as vendas melhoraram", comenta, sobre as últimas semanas. 
Ludwig observa que as proteções atendem ao que os consumidores também esperam no ambiente. "A gente tem um acordo: todo mundo usa ou todo mundo deveria usar", ressalta. "Alguém sem máscara pode levar para o campo o vírus." O período de adaptação já passou e a intenção é valorizar o espaço, "já que muitos não podem nem abrir o negócio". Ele sentiu o baque do vírus, e registra queda de 45% na venda. A falta de chuva também afetou o desempenho. "Queria que tivesse dois fins: o fim da pandemia e o da seca. Vou colher 20% do que foi no ano passado", contabiliza o agricultor. 
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Banca da feirante Caren Soares tem corredor demarcado com flores para receber clientes 
Na banca de Caren Soares, 22 anos de feira ecológica, customizar virou ordem. Já que tem de adotar um protocolo de acesso, com fila e atendimento de dois clientes por vez, Caren fez um corredor demarcado com vasos de flores. A banca chama a atenção de longe pelo colorido. Uma banca vizinha à dela colocou um sistema de senhas. Os feirantes chamam o freguês, fazendo um atendimento individualizado.
Caren também improvisou uma pia com água, para lavar as mãos a cada três vezes que precisa manusear dinheiro e pagamentos das pessoas. "Definimos que apenas uma pessoa lida com o caixa para facilitar a higiene", explica ela. 
Passeando pela calçada, as pessoas podem conferir informações sobre a segurança e cuidados adotados, que estão sinalizadas em panfletos pendurados em varais.     
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Mônica diz que está se acostumando com ampliação do espaço com fechamento da avenida 
Sobre a José Bonifácio fechada, consumidores aprovaram. "Podia ficar depois que passar a Covid-19", sugere um cliente, que compra frutas da banca da agricultora Mônica da Silva Oliveira, que admitiu ter estranhado no começo. "Dificulta para estacionar o caminhão e descarregar e alguns clientes estavam meio 'perdidos' por não conseguirem achar a banca", conta Mônica. "Mas é só se acostumar", acredita. 
O casal Gabriel Fauth, que é consultor, e Carolina Vidor, doutorando em Física, vê na avenida fechada um ambiente mais tranquilo para quem, como os dois, vai todo o sábado à feira fazer as compras.
"Melhorou o espaçamento entre as bancas e tem mais espaço para caminhar. Não fica todo mundo amontoado", comenta Carolina. "Também fica mais integrado ao Parque da Redenção", comenta Fauth, que espera que a interrupção se mantenha: "Tem de continuar assim depois da pandemia e com mais espaço".
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'Tem de continuar assim depois da pandemia e com mais espaço', diz o casal Fauth e Carolina 
O coordenador do conselho das feiras conta que muitos frequentadores perguntam se o bloqueio é definitivo. Ludwig diz que também acha melhor, pois o espaço ficou maior para todos. "Não fica aquela muvuca, mas temos de construir no grande grupo e com a prefeitura", adianta o feirante. "Quando voltar o trânsito, não sabemos como vai ser. Não queremos atrapalhar ninguém e nem o trânsito - queremos trabalhar justo aqui." 
O fluxo intenso, comemorado em outras épocas, gera preocupação em Caren. Mesmo com toda a organização do espaço, respeitando as regras do decreto municipal, o movimento aumentou e em horários que já seriam de encerramento do evento. "Tem um grupo de pessoas que vem cedo para comprar e volta para casa, mas estamos vendo que a cada sábado mais famílias chegam por volta das 11h e vêm mais para passear do que apenas comprar", descreve a feirante.
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Movimento mais intenso gera aglomeração e preocupa a feirante Caren: 'Não é o momento ainda para isso'
O JC conferiu o fluxo mais intenso há dois fins de semana, antes mesmo de a prefeitura começar a flexibilizar a abertura para mais setores da economia. No canteiro central, o movimento gerava aglomeração. Muitas pessoas com seus pets, pais com filhos e grupos de amigos lotavam o passeio.   
"Não é o momento ainda para isso. Tem de ficar em casa. Aqui não é um lugar para passear. Espera acalmar mais (a pandemia) e, quando estabilizar, volta", aconselha Caren. "Mas as pessoas não estão se aguentando mais em casa", lamenta.

O que saber antes de ir à feira (dicas dos feirantes): 

  • Use máscara.
  • Evite manipular os alimentos. Em caso de dúvida na escolha dos produtos, peça ajuda aos atendentes.
  • Evite criar aglomerações e tenha paciência. 
  • Respeite as filas e a distância mínima de um metro entre as pessoas. Marcações no chão de auxílio.
  • Nas bancas que aceitam cartões, use essa modalidade de pagamento em vez de dinheiro.
  • Permaneça na feira somente o necessário. Isso ajuda a melhorar a circulação de novos clientes e evita aglomerações.
  • Higienize as mãos com frequência, mesmo se estiver usando luvas. Todas as bancas contam com álcool em gel 70% à disposição. Também há locais para lavar as mãos em alguns pontos da feira.
  • Evite falar excessivamente, rir, tossir, bocejar, espirrar, tocar nos olhos, nariz e boca, enquanto escolhe os produtos expostos.
  • Não vá atrás das bancas e respeite a ordem de atendimento.
  • Solicita-se que, dentro do possível, somente uma pessoa por família vá à feira para fazer compras.
  • Se tiver qualquer sintoma de gripe ou resfriado ou febre, não vá à feira.
  • Os feirantes não estão recebendo embalagens reutilizadas.
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