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Turismo

- Publicada em 01h49min, 16/03/2020. Atualizada em 09h28min, 17/03/2020.

Porto Alegre: passeios de barco pelo Lago Guaíba atraíram 160 mil pessoas em 2019

Turismo náutico teve salto em 2019, com auge de público na Copa América

Turismo náutico teve salto em 2019, com auge de público na Copa América


JEFFERSON BERNARDES/PMPA/DIVULGAÇÃO/JC
Patrícia Comunello
Você que está começando a ler este texto já embarcou em algum passeio para desbravar as ilhas do Lago Guaíba, que banha Porto Alegre e chama tanta atenção quando visto de cima, por exemplo, em pousos e decolagens de aeronaves no Aeroporto Internacional Salgado Filho?
Você que está começando a ler este texto já embarcou em algum passeio para desbravar as ilhas do Lago Guaíba, que banha Porto Alegre e chama tanta atenção quando visto de cima, por exemplo, em pousos e decolagens de aeronaves no Aeroporto Internacional Salgado Filho?
Em 2019, quase 160 mil pessoas fizeram o passeio que singra o lago, cerca de 13 mil por mês. O número foi 55,5% maior que o fluxo de 2018, que atraiu 102,3 mil pessoas. O maior pico de público em dois anos foi em junho do ano passado, quando a Capital foi palco dos jogos da Copa América. O mês somou 17,1 mil passageiros no passeio Navegando pelo Guaíba, único roteiro monitorado pelo Boletim Estatístico Municipal do Turismo de Porto Alegre (Bemtur). 
Dois fatores impulsionaram o fluxo no produto do turismo náutico local, segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico: a revitalização de um dos trechos da orla, que foi finalizada em junho de 2018, e a ampliação de operadores do circuito que percorre as ilhas, que ocorreu três meses antes da liberação da área revitalizada, em março, quando mais dois operadores reforçaram o roteiro que só era explorado pelo barco Cisne Branco, com 42 anos de atuação. Em novembro do mesmo ano, mais duas embarcações estrearam, elevando o fluxo.
Em 2019, seis barcos tinham selo náutico para atuar no atracadouro Nico Fagundes, em frente à Usina do Gasômetro, um deles o catamarã que faz a ligação com Guaíba, mas tem a operação principal na hidroviária no Cais Mauá.
Para 2020, o número passou a cinco, com a saída do Bela Catarina, da mesma empresa dona do Cisne Branco, que não renovou o selo, pois vai operar no sul do Estado. Estão habilitados este ano o Cisne, Nova do Caí, Porto Alegre 10, O Barco e o catamarã da Catsul. A secretaria pode lançar edital para habilitar mais barcos, caso tenha interessados.  
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Revitalização do trecho 1 da orla da Capital permitiu novas operações para passeios. Foto: Jefferson Bernardes/Divulgação  
"Já tivemos consultas para ocupar o espaço, incluindo barcos de fora do Estado, como um veleiro. Um deles ia fazer estudos sobre o fluxo", informa o secretário interino de Desenvolvimento Econômico, Leandro Balardin. "Há um potencial enorme para ser explorado, pois a população resolveu passear mais e barco", valoriza o gestor.
Além da prefeitura, os operadores admitem que a exploração do cartão postal da Capital para passeios poderia ter muito mais público, gerando mais divisas na economia. “Poderíamos ter mais roteiros para o sul da Capital. Porto Alegre tem 72 quilômetros de orla, mas só operamos em um pedacinho dela”, contrasta Adriane Hilbig, proprietária do Cisne Branco e presidente atual do Convention Bureau, entidade que articula ações do trade turístico de Porto Alegre.
Adriane opina que falta infraestrutura para que mais barcos atuem. Para ela, pelos menos mais 15 embarcações poderiam explorar roteiros, mas desde que tenha mais atracadouros dotados de área de recepção ao passageiro, com estacionamento e lixeiras e outros itens para o receptivo. Poderia ter píer em pontos como a região da Fundação Iberê Camargo, praia de Ipanema e outros pontos, lista a presidente do Convention. 
Balardin concorda que poderia ter mais opções, mas explica que os investimentos para a instalação teriam de ser do setor privado. O secretário interino lembra que a concessão a orla 2, que está aberta e ganhou projeção ao incluir no plano uma roda-gigante de 80 metros, prevê a possibilidade de implantar um trapiche na extensão. Mas não há definição se seria um atracadouro menor, para lanchas, ou uma marina para que embarcações de maior porte e com propósito do turismo náutico possam operar. 
Mas antes de qualquer ampliação, Balardin diz que a Capital precisa montar um plano de gerenciamento costeiro, com definição de parâmetros e quais pontos poderiam ser destinados aos barcos. Um grupo de trabalho será criado com integrantes das secretarias municipais de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico e de Parcerias Estratégicas, da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) e Marinha com esta missão.

Turistas embarcam no Cisne Branco e falam de experiência no Lago Guaíba 

O Cisne Branco é a embarcação mais antiga em operação no circuito das ilhas. Começou a fazer os passeios quando os embarques eram na antiga doca turística, na área dos parques náuticos, próximo ao DC Navegantes. Em 1991, o barco passou a zarpar do pórtico do Cais Mauá. "O governo estadual, na época, fez a proposta para sairmos dali, num movimento para preparar a revitalização da orla. Isso foi há quase 20 anos", contabiliza Adriane, lamentando que a reconversão da região ainda é um sonho.
Em 2012, o ponto de saída foi transferido ao armazém B3, ao lado da hidroviária. Os concessionários que fariam as obras do Cais Mauá consideraram mais seguro concentrar a operação hidroviária no B3, com acesso de usuários pela praça da estação Mercado da Trensurb, com travessia sob a avenida Mauá. Hoje a área concentra a maior oferta de horários diários de saída. O Cisne também zarpa alguns dias da semana da Usina do Gasômetro.
Turistas como o casal Lilian Paiva e Gideon Avellar, do Rio de Janeiro, fez o passeio na primeira visita à Capital. "O passeio é muito legal, conecta a gente com a natureza", descreve Lilian. Os dois estiveram no fim de fevereiro e não deixaram de notar a situação de "abandono do berço do lago". “É bem precário aqui, com mato, merecia mais cuidado”, aconselha a jovem, que é estagiária de Direito. "Fiquei surpreso porque é muito lindo, mas tinha pouca gente no passeio", registrou Avellar. 
Quem faz o roteiro curte a navegação pelas ilhas, além de detectar os contrastes das áreas onde mansões com lanchas em atracadouros, seguidas por moradias mais simples. A professora paulista Marineia da Silva Trindade se encantou com a "natureza do rio, que dizem que é lago". Ela lembrou do premiado curta-metragem Ilha das Flores, do cineasta Carlos Gerbase, quando a locução do Cisne Branco descreveu a geografia do percurso citando os arquipélagos. A ilha é um deles.
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Professora aproveitou dois dias na passagem pela Capital para fazer o passeio no Guaíba. Fotos: Nícolas Chidem/JC    
“Exibi o curta em sala de aula, ele é marcante por mostrar o contraste da natureza e a questão do lixo e quem vive por aqui”, comentou a paulista, que embarcou no passeio para aproveitar dois dias da parada na Capital, antes de seguir viagem para uma peregrinação nas Missões. "O lago me lembrou da região onde moro, que tem também este visual".
No passeio que o Jornal do Comércio também embarcou, dos 11 tripulantes, apenas dois residiam na Capital. Além disso, sete eram de outros estados. O perfil da ocupação confirmou uma estatística do mapeamento da secretaria – o maior número de turistas de fora do Rio Grande do Sul é oriundo de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A viagem só não validou o percentual que dominou o conjunto de pessoas que fez o roteiro do Cisne em 2019: 36% era de moradores da Capital, 35% do interior gaúcho, 17% de outros estados e 6% de outros países, já 6% não indicaram a origem. 
O casal do Rio Grande do Norte Vagner Alves e Zeneide Cordeiro teve diferentes percepções. O professor era só elogios, mas fez ressalva sobre a conservação das margens onde há habitações. Já Zeneide, que é cega, sentiu falta de uma experiência mais inclusiva.
“O áudio guia podia descrever mais a história e as mudanças no ambiente, como era a ocupação e as margens e como é hoje. Minha sugestão é que os operadores pensem mais em quem como eu”, diz ela.
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Zeneide e Vagner são de Rio Grande do Norte; ela sentiu falta de experiência inclusiva por ser cega
Adriane diz que muita coisa pode ser melhorada e cita que, após o temporal que virou a embarcação em janeiro de 2016 e deixou o Cisne Branco fora de atividade por nove meses, serviu para criar novas propostas para o turismo no lago. Além do passeio, foram criados eventos, como happy hour em fins de semana, que aliam gastronomia e música.
O Cisne Branco soma cerca de 60 mil passageiros por ano em toda a sua atividade, sendo que o maior fluxo é do roteiro do Navegando pelo Guaíba. O fluxo teve leve queda, diz Adriane, devido ao ingresso de mais operadores. "É normal que dilua. Vamos ter a real comparação do fluxo este ano, quando teremos ois anos cheios da retomada dos passeios com mais barcos." 
No começo deste mês, o governador Eduardo Leite comunicou que o consórcio Cais Mauá do Brasil iria deixar o prédio no cais. A medida é efeito da rescisão do contrato feita em 2019 pelo governo. Questionado sobre a conservação da região, que é responsabilidade do Estado, Leite disse que a intenção é que os empreendedores do Cais Embarcadero, que tiveram sinal verde para montar a área de lazer em parte do cais sem previsão de aluguel, façam a manutenção. Isso está sendo tratado pela Procuradoria Geral do Estado (PGE).
Fernando Estima, superintendente da Portos RS, que sucedeu a SPH, adiantou que vai buscar recursos estaduais para a limpeza. Deve ser feita desmontagem dos guindastes instalados e que estão sem conservação. Um deles é tomado pelo patrimônio histórico.
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