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Inovação

- Publicada em 17h59min, 09/03/2020. Atualizada em 18h00min, 09/03/2020.

Pesquisa mostra deficiências para alavancar inovação no Rio Grande do Sul

Estudo apresentado na Ufrgs fez diagnóstico dainovação em universidades, empresas e governo

Estudo apresentado na Ufrgs fez diagnóstico dainovação em universidades, empresas e governo


PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
O alerta está ligado: se o Rio Grande do Sul não acelerar a formação e capacitação de profissionais das áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharias e Matemáticas, que hoje ganham popularidade pela sigla Stem, vai enfrentar sérios problemas para dar conta de novas demandas das empresas em tempo de digitalização e intensidade tecnológica. Essa é uma das conclusões da pesquisa apresentada nesta segunda-feira (9) com Análise de Indicadores das Capacitações Científicas e Tecnológicas do Rio Grande do Sul.
O alerta está ligado: se o Rio Grande do Sul não acelerar a formação e capacitação de profissionais das áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharias e Matemáticas, que hoje ganham popularidade pela sigla Stem, vai enfrentar sérios problemas para dar conta de novas demandas das empresas em tempo de digitalização e intensidade tecnológica. Essa é uma das conclusões da pesquisa apresentada nesta segunda-feira (9) com Análise de Indicadores das Capacitações Científicas e Tecnológicas do Rio Grande do Sul.
O painel foi detalhado no auditório da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), no campus Centro, pelos autores ligados ao Departamento de Economia e Estatística da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag). A iniciativa tem colaboração da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia (SICT). A oferta de pessoal das áreas de Stem passou a ser um divisor de águas sobre a capacidade para fazer inovação e mudanças em processos.
Os indicadores contemplaram a capacitação das instituições de ensino superior (IES), das empresas, das indústrias e de serviços intensivos em conhecimento, dos Parques e Incubadoras Tecnológicas e das atividades de inovação e pesquisa no setor empresarial. O Rio Grande do Sul teve queda, por exemplo, em matrículas em curso de graduação de Ensino Superior nas formações de exatas e engenharias, dentro da oferta nacional, passando de 6,7% dos alunos, em 2010, para 6,1% em 2018. Do total de matriculados no Estado, 20% eram de Stem. O Estado tem posição melhor quando se trata de programas de pós-graduação de excelência na avaliação da Capes, que representavam 18,4% dos programas ativos em 2027 na área.
O estudo diagnosticou, mesmo com dados até 2014, baseados em pesquisas nacionais disponíveis, que há carências em investimento nas empresas e de recursos públicos. O coordenador do estudo pelo DEE, Rodrigo Morem, observou que novas aptidões surgem e que estão ligadas aos segmentos de formação. "Cresce a demanda de profissionais em proficiência em modelos matemáticos, segurança de rede e manutenção", cita Morem.  
Nas conclusões do levantamento, foram indicados itens positivos, como ampliação considerável de parques tecnológicos, que eram três, em 2014, para 14, em 2019. "Uma parcela ainda é relativamente incipiente, mas possui potencial para ampliar as empresas residentes e as startups", ressaltaram os autores. Mas há questões a superar: o Estado possui capacitações em ciência e tecnologia mais desenvolvidas em relação às médias apresentadas pelos estados brasileiros, mas o sistema de inovação gaúcho "está em um patamar intermediário de desenvolvimento e de capacitações, inferior ao das nações mais industrializadas".
Ao examinar os alertas, a titular da Seplag, Leany Lemos, apontou os gargalos financeiros do setor público como limites para mais aportes na área. "O tipo de gasto feito hoje favorece pouco o desenvolvimento. A
agenda de reformas ajudará o Estado a ter contas equilibradas para que tenha mais espaço para investimentos", pontuou Leany. O diretor-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), Odir Antônio Dellagostin, citou que o baixo investimento do setor público pode ser medido pelo descumprimento da aplicação de 1,5% da Receita Corrente Líquida (RCL) do Estado em ciência e tecnologia. "O valor vem caindo, com congelamento em R$ 30 milhões, quando deveria ser de R$ 400 milhões ao ano. Precisamos trabalhar para ter um plano gradativo para nos aproximarmos do que diz a lei."
Uma das vertentes para impulsionar a formação de profissionais aliada à pesquisa é o programa Doutor Empreendedor, que seleciona propostas para levar pesquisas ao mercado, para virarem potenciais negócios. O projeto tem apoio do Sebrae, disse Dellagostin. O secretário de Inovação, Ciência e Tecnologia, Luis Lamb, destacou que é necessário gerar mais estudos e rever a formulação de indicadores, como do cálculo do Produto Interno Bruto (PIB), que incorpore variáveis como conhecimento e não foco em produtividade.
O diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da Ufrgs, Carlos Henrique Horn, elogiou o trabalho que marca a retomada, em curso desde 2019, de estudos temáticos que antes estavam sendo feitos pela extinta Fundação de Economia e Estatística (FEE) e apontou que é preciso fazer mais investigação sobre o perfil da inovação feita no Estado para compreender deficiências e caminhos a seguir. Horn disse que o Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas (Iepe), ligado à faculdade, teve ganhar impulso e será parceiro para produzir estatísticas e análises nesta área.
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Pesquisa mostra deficiências para alavancar inovação no Rio Grande do Sul

Estudo apresentado na Ufrgs fez diagnóstico dainovação em universidades, empresas e governo

Estudo apresentado na Ufrgs fez diagnóstico dainovação em universidades, empresas e governo


PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
O alerta está ligado: se o Rio Grande do Sul não acelerar a formação e capacitação de profissionais das áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharias e Matemáticas, que hoje ganham popularidade pela sigla Stem, vai enfrentar sérios problemas para dar conta de novas demandas das empresas em tempo de digitalização e intensidade tecnológica. Essa é uma das conclusões da pesquisa apresentada nesta segunda-feira (9) com Análise de Indicadores das Capacitações Científicas e Tecnológicas do Rio Grande do Sul.
O alerta está ligado: se o Rio Grande do Sul não acelerar a formação e capacitação de profissionais das áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharias e Matemáticas, que hoje ganham popularidade pela sigla Stem, vai enfrentar sérios problemas para dar conta de novas demandas das empresas em tempo de digitalização e intensidade tecnológica. Essa é uma das conclusões da pesquisa apresentada nesta segunda-feira (9) com Análise de Indicadores das Capacitações Científicas e Tecnológicas do Rio Grande do Sul.
O painel foi detalhado no auditório da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), no campus Centro, pelos autores ligados ao Departamento de Economia e Estatística da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag). A iniciativa tem colaboração da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia (SICT). A oferta de pessoal das áreas de Stem passou a ser um divisor de águas sobre a capacidade para fazer inovação e mudanças em processos.
Os indicadores contemplaram a capacitação das instituições de ensino superior (IES), das empresas, das indústrias e de serviços intensivos em conhecimento, dos Parques e Incubadoras Tecnológicas e das atividades de inovação e pesquisa no setor empresarial. O Rio Grande do Sul teve queda, por exemplo, em matrículas em curso de graduação de Ensino Superior nas formações de exatas e engenharias, dentro da oferta nacional, passando de 6,7% dos alunos, em 2010, para 6,1% em 2018. Do total de matriculados no Estado, 20% eram de Stem. O Estado tem posição melhor quando se trata de programas de pós-graduação de excelência na avaliação da Capes, que representavam 18,4% dos programas ativos em 2027 na área.
O estudo diagnosticou, mesmo com dados até 2014, baseados em pesquisas nacionais disponíveis, que há carências em investimento nas empresas e de recursos públicos. O coordenador do estudo pelo DEE, Rodrigo Morem, observou que novas aptidões surgem e que estão ligadas aos segmentos de formação. "Cresce a demanda de profissionais em proficiência em modelos matemáticos, segurança de rede e manutenção", cita Morem.  
Nas conclusões do levantamento, foram indicados itens positivos, como ampliação considerável de parques tecnológicos, que eram três, em 2014, para 14, em 2019. "Uma parcela ainda é relativamente incipiente, mas possui potencial para ampliar as empresas residentes e as startups", ressaltaram os autores. Mas há questões a superar: o Estado possui capacitações em ciência e tecnologia mais desenvolvidas em relação às médias apresentadas pelos estados brasileiros, mas o sistema de inovação gaúcho "está em um patamar intermediário de desenvolvimento e de capacitações, inferior ao das nações mais industrializadas".
Ao examinar os alertas, a titular da Seplag, Leany Lemos, apontou os gargalos financeiros do setor público como limites para mais aportes na área. "O tipo de gasto feito hoje favorece pouco o desenvolvimento. A
agenda de reformas ajudará o Estado a ter contas equilibradas para que tenha mais espaço para investimentos", pontuou Leany. O diretor-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), Odir Antônio Dellagostin, citou que o baixo investimento do setor público pode ser medido pelo descumprimento da aplicação de 1,5% da Receita Corrente Líquida (RCL) do Estado em ciência e tecnologia. "O valor vem caindo, com congelamento em R$ 30 milhões, quando deveria ser de R$ 400 milhões ao ano. Precisamos trabalhar para ter um plano gradativo para nos aproximarmos do que diz a lei."
Uma das vertentes para impulsionar a formação de profissionais aliada à pesquisa é o programa Doutor Empreendedor, que seleciona propostas para levar pesquisas ao mercado, para virarem potenciais negócios. O projeto tem apoio do Sebrae, disse Dellagostin. O secretário de Inovação, Ciência e Tecnologia, Luis Lamb, destacou que é necessário gerar mais estudos e rever a formulação de indicadores, como do cálculo do Produto Interno Bruto (PIB), que incorpore variáveis como conhecimento e não foco em produtividade.
O diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da Ufrgs, Carlos Henrique Horn, elogiou o trabalho que marca a retomada, em curso desde 2019, de estudos temáticos que antes estavam sendo feitos pela extinta Fundação de Economia e Estatística (FEE) e apontou que é preciso fazer mais investigação sobre o perfil da inovação feita no Estado para compreender deficiências e caminhos a seguir. Horn disse que o Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas (Iepe), ligado à faculdade, teve ganhar impulso e será parceiro para produzir estatísticas e análises nesta área.
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