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Agronegócios

Notícia da edição impressa de 02/03/2020. Alterada em 02/03 às 03h00min

Carne e clima fazem leite subir 3,6% no Brasil e coronavírus pode puxar alta

O preço do leite pago ao produtor brasileiro em fevereiro deste ano teve aumento de 3,6% (cerca de cinco centavos) em comparação a janeiro. Pesquisa, realizada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, aponta que movimento de alta já é observado pelo terceiro mês seguido e é influenciado pela queda na produção da matéria-prima, devido a alterações climáticas e fatores externos, como a peste suína na China em 2019.
O preço do leite pago ao produtor brasileiro em fevereiro deste ano teve aumento de 3,6% (cerca de cinco centavos) em comparação a janeiro. Pesquisa, realizada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, aponta que movimento de alta já é observado pelo terceiro mês seguido e é influenciado pela queda na produção da matéria-prima, devido a alterações climáticas e fatores externos, como a peste suína na China em 2019.
"O primeiro problema foi a questão da estiagem, sobretudo no sul do país, que é região leiteira. Com o pasto prejudicado, a produção de leite acaba diminuindo, a oferta fica menor e, logo, o preço sobe", explica Juliana Inhasz, professora do Insper. A especialista afirma que outro fator ligado diretamente ao aumento do preço do leite é a alta nos preços da carne bovina, verificada no final do ano passado.
Com a peste suína na China e o crescimento das exportações da proteína de boi para o país asiático, o preço interno do produto no Brasil teve seguidas altas. Em decorrência disso, produtores de gado leiteiro passaram a ver mais vantajosa a substituição por gado de corte.
"Como o preço da carne estava muito atrativo para o produtor, muitos começaram a fazer o abate. Não é o ideal, mas é um grau de manobra praticado. Esse movimento também fez diminuir a oferta de leite no mercado, o que impactou não apenas o preço do produto, mas de seus derivados", diz a professora do Insper. Os preços ao consumidor final também começam a sentir o impacto, ainda que de forma tímida. Segundo a Associação Paulista de Supermercados (Apas), entre dezembro de 2019 e janeiro deste ano, o leite teve alta de 0,84% nas prateleiras, enquanto seus derivados acumulam alta de 0,6% no mesmo período. "Mesmo não sendo aumentos tão expressivos, é preciso ter em mente que o leite é um alimento bastante consumido pelo brasileiro, e que acaba pesando principalmente para as classes mais baixas", explica Juliana.
De acordo com a pesquisa do Cepea, da Esalq-USP, os preços do leite em março (que são referentes ao produto captado em fevereiro) não deverão ter grandes variações em relação a fevereiro (com captação em janeiro). A incerteza da economia mundial frente ao coronavírus no entanto, coloca em xeque a assertividade de quaisquer projeções futuras.