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Investimentos

Notícia da edição impressa de 02/03/2020. Alterada em 02/03 às 17h30min

Fundos socialmente responsáveis atraem investidores brasileiros

ISE foi o primeiro índice de sustentabilidade em bolsa da América Latina

ISE foi o primeiro índice de sustentabilidade em bolsa da América Latina


/RAWPIXEL.COM - FREEPIK.COM/DIVULGAÇÃO/JC
Roberta Mello
Performance, volatilidade e retorno já não são os únicos parâmetros levados em conta pelos investidores na hora de definir o fundo em que vão alocar recursos. A responsabilidade social, ambiental e os aspectos de governança corporativa das empresas que compõem as carteiras de investimento também têm sido fatores levados em conta. Essa preocupação fortalece os chamados fundos socialmente responsáveis, capazes de alinhar o desejo por rentabilidade com o interesse em financiar apenas negócios comprometidos com ideais éticos.
Performance, volatilidade e retorno já não são os únicos parâmetros levados em conta pelos investidores na hora de definir o fundo em que vão alocar recursos. A responsabilidade social, ambiental e os aspectos de governança corporativa das empresas que compõem as carteiras de investimento também têm sido fatores levados em conta. Essa preocupação fortalece os chamados fundos socialmente responsáveis, capazes de alinhar o desejo por rentabilidade com o interesse em financiar apenas negócios comprometidos com ideais éticos.
A ideia de investir apenas em companhias que promovam impacto positivo não é tão recente quanto se imagina. Já nos anos 1960, fundos nos Estados Unidos promoviam esse conceito e excluíam das carteiras grandes empresas produtoras de armas, cigarro, bebidas, petróleo, mineração, entre outros produtos. Porém, a iniciativa ganhou força nos anos 2000, principalmente com a criação, em 1999, do Índice Dow Jones de Sustentabilidade. No Brasil, o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3 - na época, Bovespa - foi criado pouco tempo depois e veio para contribuir com a difusão de boas práticas entre as empresas listadas no Brasil.
O ISE foi o primeiro índice de sustentabilidade de uma bolsa de valores da América Latina e o quarto a ser criado no mundo. Ele veio para estabelecer um padrão para análise comparativa da performance das empresas listadas na B3 sob o aspecto da sustentabilidade corporativa, baseada em eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança corporativa.
Podem fazer parte até 40 empresas selecionadas entre aquelas que apresentam maior liquidez na B3. "Integrar o índice é um forte indicativo do alinhamento das companhias ao que o mercado tem demandado", salienta a superintendente de Sustentabilidade da B3, Gleice Donini. Para integrar o ISE, as companhias devem informar ao mercado suas práticas e impactos, e atender a métricas pré-definidas. Para quem pensa que, para apoiar empresas responsáveis, é preciso abrir mão de um retorno mais alto, o ISE vem para provar que não é bem assim. O índice tem retorno superior até mesmo ao Ibovespa, que reúne as empresas mais importantes do mercado de capitais brasileiro.
Desde o seu lançamento - em 2005 - até 31 de dezembro de 2019, o ISE acumulou alta de 314,03%, enquanto o Ibovespa teve crescimento de 262,33%. No curto prazo, o ISE também teve performance melhor. Apenas em 2019, o retorno do índice de sustentabilidade foi de 33,19%, e o Ibovespa, de 31,58%, conforme dados da B3.

Warren Green vem como resposta a um pleito dos cotistas

Gusmão afirma que fundo ganhou força após Brumadinho
Gusmão afirma que fundo ganhou força após Brumadinho
/WARREN/DIVULGAÇÃO/JC
As corretoras também estão aderindo a essa tendência e lançando seus próprios fundos com enfoque no aporte em empresas éticas. Elas também levam em conta os critérios do ISE e vão além, conseguindo injetar recursos, inclusive, em empresas internacionais. É o caso da gaúcha Warren, que, há cerca de seis meses, lançou o Warren Green.
O fundo investe em companhias brasileiras e estrangeiras levando em conta os índices tradicionais e as avaliações da própria gestora. Além de promover o conceito de sustentabilidade, a plataforma segue o mesmo objetivo dos demais produtos da corretora: garantir que mais gente possa começar a aplicar seu dinheiro em renda variável. Com um investimento inicial de R$ 100,00 já é possível começar a investir. Para isso, é preciso criar uma conta através do site ou do aplicativo para smartphones.
Entre as empresas que os investidores ajudam a financiar estão a Tesla, que estimula o desenvolvimento e a disseminação de automóveis elétricos, e brasileiras como a Natura e a Renner.
O sócio-fundador da Warren, Tito Gusmão, conta que ter um fundo de investimento socialmente responsável era um desejo da empresa e uma vontade manifestada pelos cotistas. Porém, segundo Gusmão, foi a partir do crime ambiental cometido pela Vale em Brumadinho que o desejo se tornou uma necessidade. "Um grupo grande de pessoas decidiu que não dava mais para continuar financiando esse tipo de negócio. No nosso caso, era preciso contar com um fundo cujo portfólio de ações representasse os ideais da sociedade", sintetiza.
Segundo Gusmão, fundos de investimento como o Warren Green ainda são menos difundidos no Brasil do que em outros países, a exemplo dos Estados Unidos. Mas isso não decorre da falta de interesse da população e sim por que nosso mercado de capitais ainda tem muito para crescer. “A primeira etapa a ser vencida é o brasileiro aprender a investir em ações. Depois vem o movimento de investir em empresas sustentáveis empregando uma performance bacana”, diz o sócio da gestora.
Mesmo pouco tempo depois da sua criação, o fundo já é considerado um sucesso e conta com cerca de 20 mil cotistas de um total de 8 milhões de investidores da Warren. O número deve aumentar após a publicação dos primeiros resultados da operação no final de março já que, conforme regra da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a divulgação só pode ocorrer após o primeiro semestre.

AZQuest realiza doação direta a aceleradora

Nem todos os fundos socialmente responsáveis precisam optar por seguir a mesmo lógica de financiamento de grandes companhias de capital aberto. Um fundo socialmente responsável que tem funcionamento diferente é o Azimut Impacto FIC FIM CP, da AZQuest. Ele é formado por uma verba oriunda da taxa de administração que a gestora abre mão de receber.

A doação é feita diretamente a um dos projetos da maior aceleradora voltada exclusivamente a negócios de impacto social: a Artemísia. A Aceleradora de Negócios de Impacto na Periferia (ANIP) conta com aportes da gestora e consegue formar turmas de 10 empresas de impacto selecionadas. Todas elas são criadas e geridas por empreendedores da Zona Sul de São Paulo.

Elas recebem apoio financeiro, gerencial, tecnológico e de marketing durante um ano. Em 2020, o terceiro grupo de empreendimentos apoiados já está sendo escolhido.

Cassiano Ciampone, responsável pela área de Relação com Investidores da AZQuest, comenta que "o fundo tem baixo risco, baixa volatilidade, alta liquidez e o retorno vai rodar acima do CDI de modo que o cliente final não tenha perdas em relação a um CDB ou poupança". Mesmo assim, o interesse entre os clientes da gestora não é tão grande.

A composição da carteira não segue critérios de sustentabilidade ou compromisso social. A aplicação é feita em fundos da gestora de recursos AZ Quest Investimentos, e a estratégia do fundo consiste na alocação do portfólio em fundos que têm resultados consistentes, de alta liquidez e baixo risco de crédito privado.