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Conjuntura Internacional

- Publicada em 03h00min, 31/01/2020.

Brexit começa a valer a partir desta sexta-feira

Depois de três anos de negociações, Reino Unido deixa de ser um dos 28 membros da UE

Depois de três anos de negociações, Reino Unido deixa de ser um dos 28 membros da UE


TOLGA AKMEN/AFP/JC

O Brexit entra em vigor nesta sexta-feira (31), após três excruciantes anos de negociações para que o Reino Unido deixasse de ser um dos 28 membros da União Europeia (UE). Seus impactos, contudo, ainda nem começaram. Na quarta-feira, o Parlamento Europeu sacramentou a saída, aprovando o acordo do Brexit por 621 votos a 49, com 13 abstenções.

O Brexit entra em vigor nesta sexta-feira (31), após três excruciantes anos de negociações para que o Reino Unido deixasse de ser um dos 28 membros da União Europeia (UE). Seus impactos, contudo, ainda nem começaram. Na quarta-feira, o Parlamento Europeu sacramentou a saída, aprovando o acordo do Brexit por 621 votos a 49, com 13 abstenções.

A dissolução do Reino Unido é um dos subprodutos mais extremos, para os britânicos, do Brexit. Há dificuldades econômicas e oportunidades de negócios sendo decantadas há tempos, mas é menos comentado o fato de que a saída britânica implica um abalo no poder do bloco.

Sem o reino, unido ou não, Alemanha e França se isolam ainda mais como líderes do projeto europeu. Apesar de os britânicos nunca terem sido os maiores entusiastas do bloco, seu peso político-econômico contrabalançava o poderio da Alemanha e da França. Agora, enquanto Berlim tem um governo crepuscular na figura de Angela Merkel, Paris ostenta um presidente dinâmico no exterior, ainda que contestado internamente, Emmanuel Macron.

Eles têm discordado em vários pontos, como a parceria com a Rússia de Vladimir Putin para a construção do gasoduto Nord Stream 2 ou negociações de paz sobre a Líbia. Paris defende maior integração vertical e gastos com isso, enquanto Berlim advoga expansão horizontal e comedimento fiscal. A absorção da Macedônia do Norte e da Albânia ainda não saiu justamente por pressão de Macron.

Além disso, a Alemanha está flertando com uma recessão, o que deve reforçar sua posição de bedel dos membros com mau comportamento fiscal. Londres sempre agiu em linha com Berlim no assunto, e agora Paris pode posar de "bom policial" na disputa.

Considerando que a UE é a evolução de um arcabouço que visava em sua essência impedir mais uma rodada de guerra europeia entre os dois países, o projeto comum ainda é o principal.

Isso porque tanto Alemanha quanto França lidam com forças nacionalistas. Em comum, assim como em países como Holanda e Itália, há a contestação do poder centrado em Bruxelas, que se estende sobre os assuntos mais comezinhos da vida cotidiana.

O sentimento é genuíno e até defensável, dados alguns exageros das detalhadas regras europeias, mas não deve ser superestimado. Segundo pesquisa de agosto da Comissão Europeia, a confiança dos moradores no bloco está no maior nível desde 2014, o que desautoriza por ora a ideia de novos movimentos com o sufixo "exit".

Outro desafio à frente de alemães e franceses toma forma no Leste do continente, sua fronteira mais sensível. Lá, antigos países comunistas agora membros da UE fazem frente ao colosso russo. Em dois deles, Hungria e Polônia, os governos avançaram sobre a independência do Judiciário em favor de uma agenda autoritária.

Ocorre que, no caso polonês, o país é um bastião militar ativo na Otan (aliança militar ocidental) ante Putin. Há dúvidas sobre a conveniência de enfraquecer Varsóvia enquanto o governo está envolvido numa disputa com o Kremlin pela influência sobre Belarus.

Há também a questão dos movimentos independentistas, que podem ganhar nova tração caso a Escócia deixe o Reino Unido, problema perene em um continente pulverizado ao longo da história.

O bolso também conta. O Reino Unido é o quarto dos "quatro grandes" doadores do orçamento anual de ¤ 150 bilhões (R$ 690 bilhões), com 11,26% do total em 2018. Com 20,91% do bolo orçamentário, a Alemanha é o maior doador, e mesmo com suas dificuldades se comprometeu a compensar a saída britânica.

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