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Porto Alegre, segunda-feira, 13 de janeiro de 2020.

Jornal do Comércio

Economia

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Consumo

Edição impressa de 13/01/2020. Alterada em 12/01 às 21h46min

Antiquários do Brique vivem desafio da transformação

Expositores enfrentam o desafio da queda nas vendas e a busca da renovação no mix de produtos

Expositores enfrentam o desafio da queda nas vendas e a busca da renovação no mix de produtos


ALEXANDRO AULER/JC
Patricia Knebel
Domingo, calor de mais de 30°C, e o trecho dos Antiquários do Brique da Redenção - que completa 42 anos em 2020 - segue recebendo um público fiel. Um dos espaços mais visitados pelos porto-alegrenses e uma atração para os turistas, vive, porém, uma transformação.
Domingo, calor de mais de 30°C, e o trecho dos Antiquários do Brique da Redenção - que completa 42 anos em 2020 - segue recebendo um público fiel. Um dos espaços mais visitados pelos porto-alegrenses e uma atração para os turistas, vive, porém, uma transformação.
Se, por um lado, expositores enfrentam o desafio indelével das quedas das vendas, por outro, vivencia uma verdadeira renovação no mix de produtos e no perfil de venda e de público, e que pode levar a um cenário mais positivo no futuro.
"O Brique da Redenção vem se adequando aos novos tempos. Aqui no setor de antiguidades, vemos, em muitas bancas, objetos que não são exatamente antigos, mas que entram no conceito de retrô ou vintage. Ele se democratizou, antes era mais elitizado e, agora, é mais popular", comenta José Carlos Pereira, de 64 anos, 12 deles vendendo produtos como livros, discos de vinil e antiguidades no local.
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'Ele (brique) se democratizou, antes era mais elitizado e, agora, é mais popular", diz Pereira. Fotos: Alexandro Auler/JC
Quem caminha pelo trecho, que começa na avenida João Pessoa, sente o clima familiar e amistoso. Os vendedores, em sua maioria, se conhecem há muitos anos, e a mesma relação de carinho existe com muitos dos compradores, que os chamam pelo nome. Mas, rapidamente, também se observa que, em função do cenário econômico, as pessoas olham mais e compram menos, sem falar que optam por objetos de menor valor.
Outra mudança é que é cada vez mais comum perceber um público com menos de 40 anos passeando pelas bancas em busca de objetos antigos. "Temos uma demanda crescente dos jovens. Dos 20 livros que vendi hoje, mais da metade foi para pessoas com menos de 30 anos", cita o expositor.
A mesma percepção tem a vendedora Joice Lucas, que, há 18 anos, comercializa produtos de antiguidade no Brique da Redenção, especialmente lustres que ela mesma restaura, além de cristais e produtos de metais. "Hoje, tem muitos jovens comprando. As pessoas de mais idade, em sua maioria, vêm para vender as peças", acrescenta.
A fotógrafa Marcela Chiappa, de 24 anos, está sempre de olho nas câmeras fotográficas antigas. "Eu adoro. Gosto de ver o que as pessoas usavam antigamente", diz. "É uma verdadeira viagem no tempo", destaca o produtor musical Matheus Mortari.
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Mortari e Marcela dizem que espaço é verdadeira 'viagem no tempo'
O mesmo interesse tem Diego Junges, de 37 anos. "Venho há mais de 10 anos aqui. Gosto muito de comprar objetos de decoração para a minha casa e de mesclar o conceito do antigo com o moderno", comenta. Ele relembra que comprou, recentemente, um castiçal por cerca de R$ 10,00, enquanto que nas lojas sairia por volta de R$ 60,00.
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'Venho há mais de 10 anos. Gosto muito de comprar objetos de decoração para minha casa', conta Junges
"O preço mais baixo é um atrativo, mas gosto muito também do fato de ser um objeto com uma história. Prefiro garimpar aqui, para poder ver o produto, do que na internet", revela.
A renovação do público é uma boa notícia em meio a um cenário desafiador. As vendas não são mais a mesma coisa. A crise econômica e até mesmo a concorrência com a internet, no caso dos sites que vendem antiguidades, mudaram o cenário, que já foi bem mais positivo para as vendas no passado no setor de Antiquários do Brique da Redenção.
Joice conta que, há alguns anos, conseguia tirar de R$ 3 mil a R$ 4 mil por domingo. Hoje, fica feliz se conseguir sair com R$ 500,00. Para equilibrar as compras, resolveu usar a criatividade e colocou, ao lado da sua banca de lustres e objetos de decoração, o que ela chamou de Banca Social. Ali, tudo pode ser comprado por R$ 5,00, de canecas de chope a brinquedos, pratos e xícaras. "Hoje, essa parte é o que sustenta, em função do preço", admite.
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Joice conta que, há alguns anos, conseguia tirar de R$ 3 mil a R$ 4 mil por domingo
Pereira reforça o fato de que a crise econômica está afetando os negócios locais. "As nossas vendas caíram muito nos últimos anos. Não é mais a mesma coisa", admite, criticando, ainda, a falta de fiscalização.
"O Brique da Redenção está abandonado pela prefeitura de Porto Alegre. Falta fiscalização, e, com isso, temos cada vez mais o comércio ilegal de produtos, como os que ficam à frente da zona onde estão as bancas", analisa. De fato, em passeio pelo local, é possível ver, nesta mesma área dos antiquários, a venda de produtos como fones de ouvido, carregadores de celular e bastão de selfie.

Criada em 1978, história da feira começou com a exposição de antiguidades

Em 2020, Farias completa 42 anos como expositor com um público fiel no brique

Em 2020, Farias completa 42 anos como expositor com um público fiel no brique


ALEXANDRO AULER/JC
A história do Brique da Redenção começou a ser contada pela feira de antiguidades, criada em 1978 a partir dos modelos já existentes de San Telmo, em Buenos Aires, e do Mercado de Pulgas, em Montevidéu. A Feira das Pulgas, como foi denominada, era composta de 24 expositores que comercializavam objetos antigos.
Quem acompanhou isso desde o começo foi José Jorge Lima Farias, de 88 anos, que, neste ano, completa 42 anos de atuação como expositor local. "Ainda temos um público muito fiel de colecionadores. Nem todos podem comprar mais os produtos, em função da crise econômica, mas sempre tem movimento", diz, enquanto coloca um boné oficial da Marinha do Brasil para fazer a foto.
Alguns produtos, que, antes, eram disputados pelos compradores, hoje, são difíceis de ser encontrados, como cartões de telefone e selos. Ainda assim, Farias diz que está sempre atento para a renovação do mix e que, muitas vezes, as notícias de que alguma casa de antiguidade vai fazer uma oferta de produtos chegam pela internet. "As informações sempre chegam para a gente, e aí é a oportunidade de adquirir novos produtos para vender aqui no Brique", comenta.
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Müller se orgulha de dizer que seus produtos são alugados para fazer campanhas publicitárias
Para os amantes de futebol, a dica é dar uma passada na banca do Charles Müller. "Com esse nome, a minha banca não podia ser de outro tipo de produto, né?", brinca, fazendo uma referência a Charles William Miller, um esportista brasileiro considerado o pai do futebol no Brasil. Ali, Müller vende relíquias que ele mesmo colecionava, como a flâmula do Interacional Hepta Campeão de 1975 e do Grêmio Hexa Campeão de 1967, além de camisetas de times e carteirinhas de sócios dos clubes dos anos 1960.
Müller se orgulha de dizer que os seus produtos costumam ser alugados para a realização de campanhas publicitárias de grandes marcas, como foi o caso da Hyundai na Copa do Mundo de 2014 e da cerveja Amstel Brasil, na Libertadores da América de 2019. "O mercado é desafiador, mas, tendo produtos diferenciados, conseguimos ter um bom resultado", diz, otimista.
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João Pedro e Grazyne moram na Califórnia e aproveitaram a passagem pela Capital para visitar o brique
Ele é de Belo Horizonte, ela, de Santa Catarina. Moram na Califórnia, nos Estados Unidos, e aproveitaram o último dia em Porto Alegre - onde vieram para renovar o visto - para visitar o Brique da Redenção, especialmente o espaço destinado às antiguidades.
"Geralmente, pulava essa parte das antiguidades, mas ele gosta de ver", conta Grazyne Tresoldi, que já morou na Capital e levou seu marido, João Pedro Vieira da Rocha, para conhecer. "Considero interessante ver os objetos que as pessoas usavam no passado. Acho muitas coisas antigas mais bonitas que as atuais, mas não penso muito em comprar", diz Rocha.
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