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política monetária

- Publicada em 03h07min, 12/12/2019. Atualizada em 03h00min, 12/12/2019.

Taxa Selic tem novo corte e vai para 4,5% ao ano

O Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu a taxa básica de juros nesta quarta-feira (11) de 5,0% para 4,5% ao ano, confirmando a expectativa praticamente unânime do mercado financeiro. Esse foi o quarto corte anunciado pelo Banco Central na gestão do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Desde dezembro de 2017 os juros vêm renovando as mínimas históricas. Ou seja, a Selic está novamente no menor patamar desde que passou a ser utilizada como instrumento de política monetária, em 1999.
O Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu a taxa básica de juros nesta quarta-feira (11) de 5,0% para 4,5% ao ano, confirmando a expectativa praticamente unânime do mercado financeiro. Esse foi o quarto corte anunciado pelo Banco Central na gestão do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Desde dezembro de 2017 os juros vêm renovando as mínimas históricas. Ou seja, a Selic está novamente no menor patamar desde que passou a ser utilizada como instrumento de política monetária, em 1999.
Na reunião anterior, a instituição já havia afirmado que a consolidação de um cenário benigno para a inflação permitiria um corte adicional em dezembro de 0,50 ponto percentual.
O ciclo atual de corte de juros começou em julho, quando a taxa estava em 6,50% ao ano, logo após a aprovação da reforma da Previdência pela Câmara.
Apesar do aumento do IPCA (índice de preços ao consumidor calculado pelo IBGE) em novembro, em grande parte por causa dos preços das carnes, o mercado financeiro não projeta uma disparada da inflação no próximo ano, período para o qual o BC olha ao fazer esse novo corte de juros.
De acordo com as projeções do relatório Focus, levantamento do BC feito junto a economistas, a inflação deve cair de 3,84% em 2019 para 3,60% em 2020. Pesquisa Datafolha, no entanto, mostra o brasileiro mais preocupado com a inflação.
Para a taxa básica, é projetado novo corte, dessa vez de menor magnitude (0,25%), na próxima reunião do Copom, em fevereiro. Depois, se espera uma elevação, para 4,5%, no último quadrimestre de 2020.
Entre algumas grandes instituições financeiras, a avaliação é que a taxa pode cair para 4% ao ano em 2020 e ficar nesse patamar até o ano seguinte.
Também na última reunião, o BC afirmou que o atual estágio do ciclo econômico recomenda "cautela em eventuais novos ajustes no grau de estímulo" à economia e que os próximos passos da política monetária vão depender da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação.
A queda esperada para o dólar no próximo ano, para algo mais próximo de R$ 4,00, é outro motivo que tem mantido as expectativas para o IPCA abaixo da meta perseguida pelo BC para 2020, de 4%.
A nova rodada de cortes da taxa básica se dá em um contexto de fraco de crescimento da economia, apesar da recuperação modesta do PIB (Produto Interno Bruto) no último trimestre, inflação abaixo da meta, desemprego elevado e juros baixos (até negativos) em países desenvolvidos e emergentes.
Por isso, espera-se que os juros continuem em níveis baixos nos próximos anos. As projeções do Focus para a taxa básica nos próximos anos são de 6,25% (2021), 6,50% (2022) e 6,50% (2023), ainda próxima das mínimas históricas.

Juro do cartão de crédito deve ficar apenas 0,04% mais barato

De acordo com a Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), a redução da taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual ao ano terá um efeito muito pequeno nas operações de crédito.

De acordo com a entidade, a taxa mensal do cartão de crédito deve ir de 11,44% ao mês para 11,40%. Na prática, o valor dos juros do rotativo por 30 dias cai R$ 1,20.

Segundo a entidade isso ocorre porque "existe um deslocamento muito grande entre a Selic e as taxas de juros cobradas aos consumidores que na média da pessoa física atingem 114,15% ao ano provocando uma variação de mais de 2.100,00% entre as duas pontas".

Para a pessoa jurídica, a taxa média de juros praticados pelo mercado com a nova Selic cai na mesma proporção, de 3,21% ao mês para 3,17%.

Poupança perde competitividade

Com a Selic na mínima histórica de 4,5% ao ano, a poupança perde competitividade em relação aos fundos de investimento. Segundo a Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade), a caderneta é menos vantajosa que fundos com taxas de administração de até 1,5% com prazo de resgate superior a dois anos.

Com a taxa de administração de 1,5% ao ano, a poupança tem uma maior rentabilidade líquida que fundos em caso de prazo de resgate mais curto, de até um ano. Para taxas de 2%, a caderneta ganha dos fundos em resgates entre um e dois anos. Em caso de taxas de 2,5% para cima, a poupança é a melhor escolha em resgates após dois anos.

As modalidades empatam em rentabilidade nos casos de fundos com taxa de 1% para resgate em até seis meses, com taxa de 1,5% em resgates entre um e dois anos e com taxa de 2% em resgate após dois anos.

O rendimento da poupança é de 70% da Selic mais taxa referencial (TR) que, no momento, é zero. Segundo a Anefac, com a Selic a 4,5%, a poupança rende 3,15% ao ano e de 0,26% ao mês.

Bancos anunciam cortes em suas linhas de crédito

Os grandes bancos brasileiros anunciaram reduções de juros de algumas de suas principais linhas de crédito, logo depois da decisão do Banco Central de cortar a taxa básica (Selic) em 0,50 ponto porcentual, de 5% para 4,50% ao ano.

O Banco do Brasil reduzirá a partir de segunda-feira (16), por exemplo, os juros nas linhas de Crédito Automático e Renovação passam a ter taxa mínima de 2,87%, e o crediário de 3,11% ao mês. A linha de home equity terá redução de 1,34% ao mês para 1,30% ao mês, na mínima, e de 1,72% para 1,68%, na máxima. Na linha de financiamento de veículos, as taxas mensais passam a ser de 0,60% ao mês, para carros novos.

Para as empresas, a linha de desconto de títulos passa a ter juros mínimos de 1,04% ao mês, ante 1,08% anteriormente. No desconto de cheque, os juros passam de 1,27% para 1,23% ao mês. Isso nos prazos de 45 dias. O BB ainda fez alguns ajustes em suas linhas de capital de giro desde a reunião anterior do Copom, e para prazo de 720 dias, as taxas mínimas caíram de 1,47% para 1,22% ao mês. Por fim, no agronegócio, o BB afirma que conta com taxas melhores para financiar o custeio pecuário, inclusive para veículos utilitários, com juros de 0,62% ao mês.

O Itaú Unibanco repassou integralmente o corte da Selic para suas taxas de empréstimo pessoal, para pessoas físicas, e capital de giro, para empresas. Segundo o banco, os custos finais variam de acordo com o perfil do cliente, e os novos valores valem a partir da próxima terça-feira (17).

Já o Bradesco anunciou que reduzirá os juros de suas principais linhas a partir de segunda-feira, sem especificar linhas e taxas.

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