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Porto Alegre, quinta-feira, 28 de novembro de 2019.
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Jornal do Comércio

Economia

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Câmbio

Edição impressa de 28/11/2019. Alterada em 28/11 às 03h00min

Dólar mais caro faz analistas preverem freio no corte de juros

O dólar alto e o aumento nos preços das carnes podem frear a queda de juros no Brasil, alertam analistas. Havia a expectativa de que os cortes continuassem no ano que vem, mas essa percepção começa a perder força com o real mais desvalorizado. O receio é que o dólar caro eleve os gastos com importações, pressionando a inflação.
O dólar alto e o aumento nos preços das carnes podem frear a queda de juros no Brasil, alertam analistas. Havia a expectativa de que os cortes continuassem no ano que vem, mas essa percepção começa a perder força com o real mais desvalorizado. O receio é que o dólar caro eleve os gastos com importações, pressionando a inflação.
Com a possibilidade de a inflação acelerar, economistas avaliam que a Selic, que está em 5% ao ano, o nível mais baixo da história, deve sofrer mais um corte apenas, caindo para 4,5% em dezembro. "Permanece a mensagem de corte de juros (para 4,5%) em dezembro, mas depois deve parar à luz da alta do dólar. É uma boa hora de dar uma parada, principalmente com choque dos alimentos, das proteínas, pressionando a inflação", diz Armando Castelar, coordenador de Economia Aplicada do Ibre, da Fundação Getulio Vargas:
A carne é um dos que itens que mais têm pressionado a inflação. A crise da peste suína africana, que levou a China a abater quase um terço de seu rebanho de porcos, está por trás desse movimento de alta de preços. Na tentativa de compensar parte da queda no seu rebanho, o país asiático tem elevado as importações da carne brasileira. A consequência é que o preço da carne no Brasil já subiu 7,76% nos últimos 12 meses, bem mais que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que acumula alta de 2,67% no mesmo período. O IPCA é o índice oficial de inflação e serve de referência para o sistema de metas. Ele ainda está abaixo da meta de 4% ao ano, mas há dúvidas sobre os preços no futuro.
A subida forte do dólar não era esperada. No ano, a moeda americana já se valorizou 9,4% devido a diferentes razões. Houve frustração com o leilão do pré-sal pela falta de lances de investidores estrangeiros, que trariam dólares para o Brasil. Além disso, as exportações diminuíram, as empresas passaram a se financiar no mercado interno com a queda dos juros, deixando de trazer dólares de fora por meio de empréstimos contratados no exterior. Tudo isso leva à apreciação do dólar.
"Eu começo a me questionar se o Copom (Comitê de Política Monetária) poderá cortar em mais 0,5 ponto percentual em dezembro na próxima reunião, se o real continuar pressionado", disse Win Thin, estrategista de câmbio da Brown Brothers Harriman, em Nova York.
Para Bernard Tamler, economista internacional da GAP Asset Management, o corte da Selic para 4,5% na próxima reunião é ainda muito provável, já que a inflação segue controlada, apesar da disparada do preço da carne. Mas ele afirmou que, no mercado de juros futuros, as apostas de que esse corte se concretizará é menor do que era há uma semana.
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