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Porto Alegre, domingo, 10 de novembro de 2019.

Jornal do Comércio

Economia

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Relações internacionais

09/11/2019 - 12h02min. Alterada em 10/11 às 13h53min

Brasil quer diversificar pauta do agronegócio na China

Chineses vão ao estande brasileiro provar mel, produzido em Bagé e Dom Pedrito

Chineses vão ao estande brasileiro provar mel, produzido em Bagé e Dom Pedrito


GUILHERME KOLLING/ESPECIAL/JC
Guilherme Kolling, de Xangai
Principal parceiro comercial do Brasil, a China mantém, há anos, uma pauta de importações focada em itens do agronegócio, notadamente commodities como a soja. Outros produtos vêm ganhando espaço cada vez maior nos últimos anos, como carnes. Além disso, há expectativa de ampliar o comércio de lácteos.
Principal parceiro comercial do Brasil, a China mantém, há anos, uma pauta de importações focada em itens do agronegócio, notadamente commodities como a soja. Outros produtos vêm ganhando espaço cada vez maior nos últimos anos, como carnes. Além disso, há expectativa de ampliar o comércio de lácteos.
Mas a participação brasileira na segunda edição da China International Import Expo, megafeira de importações iniciada na terça-feira e que se encerra neste domingo (10) em Xangai, foi marcada pela exposição de alimentos industrializados, mas que ainda estão fora da pauta ou com vendas incipientes.
Café, cachaça, mel, pão de queijo, açaí, pimenta, vinho e até erva mate foram expostos no estande do Brasil, no pavilhão dos países na Expo. De olho no avanço do processo de urbanização e na mudança de hábitos alimentares dos chineses, a estratégia foi promover o agronegócio no setor de alimentos e bebidas, para diversificar a pauta e abrir novas frentes de exportação, explica o gerente de agronegócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Igor Brandão.
Assim, foram selecionadas a participar do estande do Brasil empresas com essas características e que já estavam com a ida garantida para a feira de Xangai. Além de palestras diárias sobre os produtos, as degustações logo causavam aglomeração no espaço – no momento em que a reportagem do Jornal do Comércio esteve no estande do Brasil, havia fila para experimentar café e muito interesse pelo mel que era servido.
O gaúcho Rodrigo Affonso Pereira, da empresa SP Prospekt com sede em Porto Alegre, é o responsável pela marca Moon Mel – Brazilian Honey. Ele aposta em ganhar o mercado da China gradativamente, com um trabalho de marketing no gigante asiático. Para isso, tem a parceria da empresa brasileira China Invest, cujo gerente geral, Leonardo Arend, estava ao lado de Pereira na feira. Falando mandarim fluente, Arend explicava aos chineses os benefícios do mel, enquanto o público provava curioso.
Pereira está animado depois da venda do primeiro pallet de mel (equivalente a cerca de duas toneladas) aos chineses neste ano. O mel é feito no Rio Grande do Sul, em Bagé e Dom Pedrito, e envasado por uma cooperativa.
Outra empresa otimista e que também fechou o primeiro negócio na China em 2019 é a marca de pimenta Sabor das Índias. O diretor comercial, Gustavo Moreira de Aquino, que esteve na Expo em Xangai no ano passado, vê uma receptividade cada vez maior ao produto. Mas observa que o resultado não vem de uma hora para outra. “O brasileiro acha que vai ficar rico na primeira feira internacional, mas tem uma série de ajustes que precisamos aprender até ganhar dinheiro neste mercado”, adverte.
O chefe do setor de Promoção Comercial e Investimentos do Consulado do Brasil em Xangai, Jean Taruhn, observa que feiras como a Expo são importantes para buscar parceiros locais e boas para fechar negócios. Mas ressalva que quem obtém resultados no megaevento da China são as empresas já estabelecidas no gigante asiático e em condições de fornecer o produto, já que o governo chinês incentiva compradores a sair com pedidos firmes – no ano passado, a Expo movimentou US$ 57,8 bilhões. “Essa feira é boa para quem já deu o primeiro passo e quer fortalecer sua presença na China.” Para quem ainda está ingressando no mercado, Taruhn aconselha iniciar por feiras setoriais, melhores para achar um parceiro local.
Essa peculiaridade do mercado chinês talvez explique a diferença de retorno obtido pelas 80 empresas brasileiras que participaram da Expo em 2018. Segundo o gerente de agronegócios da Apex, várias tiveram bons resultados – as vendas foram estimadas em US$ 400 milhões – mas outras não saíram satisfeitas.
Neste ano, a participação do Brasil é menor: são 15 empresas com exposição e outras 20 que participaram de missão da Fiesp. Entre as companhias com estande próprio em Xangai, estão Vale, JBS, Marfrig e Minerva.

Marfrig vê demanda crescente no mercado chinês

Alisson Navarro destaca a importância da Expo

Alisson Navarro destaca a importância da Expo


GUILHERME KOLLING/ESPECIAL/JC
O avanço gradual do consumo de carne de gado e frango, no espaço que era praticamente cativo do suíno, está mudando o panorama de exportações para o mercado chinês. Não por acaso, empresas do setor – JBS, Minerva e Marfrig – estavam com estandes em Xangai. Entre um atendimento e outro realizado na feira, o diretor comercial para negócios no exterior da Marfrig, Alisson Navarro, conversou com o Jornal do Comércio e falou sobre a expectativa de um aumento da demanda pelo produto na China. A empresa exporta carne para o gigante asiático através de plantas no Brasil, Argentina e Uruguai, além do Chile, onde abate cordeiro.
Jornal do Comércio – O Brasil está exportando mais carne para a China?
Alisson Navarro – Está. O mercado chinês vem com uma demanda crescente nos últimos meses devido ao problema da peste suína. Então, a demanda vem aumentando e os preços vem subindo. O que os importadores estão tentando fazer é garantir o fornecimento e o abastecimento interno.
JC – Essa questão da peste é circunstancial. Pode permitir uma abertura maior de mercado chinês no médio e longo prazos?
Navarro – A partir do momento em que se abre, com um grande volume vindo de diferentes origens, o espaço é preenchido. Mesmo a China não sendo um grande consumidor de carne bovina, existe uma migração considerável da carne suína para a carne bovina devido aos problemas que eles vêm enfrentando ultimamente.
JC – A empresa Marfrig já havia participado na primeira edição da Expo em Xangai e voltou na segunda. Quais foram os resultados?
Navarro – É uma feira que vem crescendo rapidamente, vemos uma diferença grande da feira do ano passado para a desse ano em relação ao volume de clientes, principalmente clientes finais, o que é extremamente importante para o nosso negócio. É uma feira importante, a presença na China é relevante, estamos cada dia mais criando parcerias.
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