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Porto Alegre, segunda-feira, 04 de novembro de 2019.
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Economia

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Relações Internacionais

Edição impressa de 04/11/2019. Alterada em 04/11 às 03h00min

Executivos de mídia do Brics articulam cooperação

Fórum abordou plataformas de informações e novas narrativas

Fórum abordou plataformas de informações e novas narrativas


/GUILHERME KOLLING/ESPECIAL/JC
Guilherme Kolling, de São Paulo

A representatividade da economia dos países do Brics termo criado pelo economista britânico Jim O'Neill para designar os então emergentes Brasil, China, Rússia e Índia na década passada (a África do Sul entrou depois) não é segredo. Essas nações reúnem 40% da população mundial, 23% da economia global, sendo responsáveis pelo crescimento de 50% do PIB do planeta nos últimos anos.

A poucos dias da próxima cúpula do Brics, que irá reunir chefes de Estado em 13 e 14 de novembro em Brasília, o Brasil sediou o 4º Fórum de Mídia do Brics, que terminou na quinta-feira (31). Por dois dias, mais de 50 executivos de veículos de imprensa desses países debateram, em São Paulo, formas de cooperação, intercâmbio de conteúdo e, fundamentalmente, como impulsionar a divulgação de mais informações entre os países, para além da área econômica.

Embora o evento tenha ocorrido no Brasil, a China assumiu a liderança, o que foi evidenciado tanto no tamanho da delegação quanto na participação de seus integrantes. Representantes do gigante asiático bateram na tecla da importância de um sistema multilateral, da cooperação e da produção de conteúdo próprio pelos países do Brics, para que o noticiário internacional não seja restrito a agências de notícias de Estados Unidos e Europa.

A tese é apostar nos meios de comunicação para estreitar laços culturais, a fim de que haja maior integração entre as nações, e divulgação de informações de acordo com a importância estratégica que o Brics tem para esses países. No Brasil, por exemplo, 30,7% das exportações vão para China, Rússia, Índia e África do Sul.

O editor-chefe da Agência de Notícias Xinhua, da China, He Ping, exemplificou com alguns dados na economia e na cultura. Sobre o Brasil, disse que 10 minutos de comércio bilateral com a China hoje equivalem a um ano, se os negócios forem comparados ao início dessa relação em 1974. Da Rússia, observou que um a cada quatro celulares utilizado no país é produzido pela chinesa Huawei. Sobre a África do Sul, mencionou a criação do Dia da Língua Chinesa. E ainda observou que a maior bilheteria internacional de um filme indiano se deve ao público chinês que foi ao cinema ver uma produção da Índia nas telas.

O correspondente no Brasil do jornal The Indu, Shobhan Saxena, da Índia, observou que as matérias sobre o Brics têm sido focadas especialmente em questões comerciais. Mas que agora é preciso abrir espaço a outras narrativas, histórias diferentes sobre a cultura dos países, observando que a mídia tem papel fundamental nesse processo.

O editor-chefe da agência de notícias russa Sputnik, Dimitri Gornostaev, disse que ao ver uma imagem do maior telescópio do mundo, localizado na China, durante a abertura da exposição de fotos que integrou o Fórum de Mídia em São Paulo, refletiu sobre a falta de informações e de divulgação dos feitos. "Sabemos pouco dos outros países do Brics." Representantes da África do Sul também defenderam a ampliação de informações positivas sobre os países.

Mas diversos painelistas ressalvaram a importância da independência da imprensa, com espaço para críticas. O presidente do grupo CMA do Brasil, José Juan Sanchez, observou que a mídia deve "atuar sem filtros, para sabermos o que ocorre em cada país". E apontou que apesar de pontos de vista distintos, é possível encontrar convergência.

Desafio é obter resultados concretos

Uma das realidades observadas nas falas dos executivos de veículos de imprensa que participaram do 4º Fórum de Mídia do Brics é que já existem dezenas de acordos de trocas de conteúdo entre Brasil, Rússia, Índica, China e África do Sul. Mas, de uma maneira geral, são convênios específicos entre dois órgãos de imprensa uma agência de notícias russa que troca informações com outra da África do Sul, por exemplo.

Nos últimos anos, a China tem feito um esforço para ampliar esse intercâmbio, através de encontros internacionais, realizados tanto no gigante asiático quanto em outros países. Entretanto, a cobrança por resultados concretos marcou vários discursos do evento em São Paulo.

O editor-chefe da agência de notícias russa Sputnik, Dimitri Gornostaev, ressaltou a importância de ter ações práticas. Propôs o compartilhamento de técnicas jornalísticas e de tecnologia para buscar novos formatos de publicação do conteúdo. Também defendeu a participação de jovens jornalistas nessas atividades de intercâmbio e a criação de um serviço de fact checking conjunto do Brics, para combater as fake news.

A executiva do Independent Media, da África do Sul, Luftia Vajej, falou que "a hora é de agir" e insistiu no compartilhamento de informações. Citou ideias como projetos para contar histórias que se passam em outros países do Brics e programas de intercâmbio e eventos para jovens jornalistas. "É possível mostrar os avanços sociais de cada um. Na África do Sul, a mídia tem um papel fundamental na luta contra o racismo."

O editor do Times Media Group, também da África do Sul, Rob Rose, propôs a formação de uma base de dados e de informações sobre os países do Brics. Além de um intercâmbio, pelo menos uma vez ao ano, de jornalistas.

Ashisk Kar, da United News of India, acredita que essa troca pode começar através de uma plataforma conjunta de fotos. "Falta informação. Com essas imagens, será possível conhecer mais sobre outros países do Brics." Moushumi Das Gupta, do The Print, também da Índia, falou em redes sociais próprias do Brics.

Pelo Brasil, o diretor comercial da Folha de S.Paulo, Marcelo Benez, citou parcerias do jornal com a agência Xinhua. Leonardo Attuch, do portal 247, apontou dificuldades para uma integração do Brics pela resistência do governo brasileiro ao multilateralismo. Presidente da TV Cultura, José Maluf mencionou que já troca informações com outras TVs pelo mundo e disponibiliza material gratuitamente. "Topamos fazer um Jornal do Brics" (para a TV).

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