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Relações Internacionais

- Publicada em 03h03min, 30/10/2019. Atualizada em 03h00min, 30/10/2019.

Fundo árabe investirá US$ 10 bilhões no Brasil

Jair Bolsonaro reuniu-se com o príncipe Mohammed bin Salman

Jair Bolsonaro reuniu-se com o príncipe Mohammed bin Salman


/JOSÉ DIAS/PR/JC

O fundo soberano da Arábia Saudita vai investir US$ 10 bilhões no Brasil. Ainda não foi definido nem o prazo, nem os setores que devem receber o dinheiro. O acordo foi assinado nesta terça-feira (29) pelo presidente Jair Bolsonaro, que está em visita ao Oriente Médio, e pelo príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman. O Brasil expressou o compromisso de trabalhar em conjunto com o fundo para facilitar investimentos sauditas no País, prestando esclarecimentos sobre o marco legal e institucional para investimentos.

O fundo soberano da Arábia Saudita vai investir US$ 10 bilhões no Brasil. Ainda não foi definido nem o prazo, nem os setores que devem receber o dinheiro. O acordo foi assinado nesta terça-feira (29) pelo presidente Jair Bolsonaro, que está em visita ao Oriente Médio, e pelo príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman. O Brasil expressou o compromisso de trabalhar em conjunto com o fundo para facilitar investimentos sauditas no País, prestando esclarecimentos sobre o marco legal e institucional para investimentos.

O acordo é o principal resultado concreto do tour de Bolsonaro pela Ásia. O presidente já passou por Japão, China, Emirados Árabes Unidos e Catar. O anúncio da assinatura do acordo foi feito pelos ministros da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e de Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Acuado pela polêmica em torno do vídeo em que compara o Supremo Tribunal Federal (STF) a uma hiena e a si mesmo a um leão, Bolsonaro não participou do anúncio.

De acordo com o titular da Casa Civil, será criado um conselho no Brasil para gerenciar o investimento. Onyx citou como exemplo a aplicação no Programa de Parcerias e Investimentos (PPI).

O ministro afirmou que o Brasil é o sexto país a receber investimento do fundo soberano árabe, que tem uma carteira de US$ 320 bilhões, depois de EUA, Japão, França, África do Sul e Rússia. O montante recebido pelo Brasil é igual ao volume aplicado na Rússia e metade do investido na França. Araújo fez questão de frisar essa diferença em relação aos franceses, com quem o governo brasileiro se desentendeu por causa da Amazônia. Lorenzoni afirmou que uma das intenções é que os recursos do fundo sejam usados em obras de infraestrutura, citando a ferrovia Ferrogrão, entre Mato Grosso e Pará, projeto de mais de R$ 3 bilhões que faz parte do PPI.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores brasileiro, representantes dos dois países fizeram referência às reformas econômicas promovidas pelo governo para aprimorar o ambiente de negócios e tornar o Brasil mais atrativo a investidores estrangeiros. Tanto o Brasil como a Arábia Saudita ressaltaram que as concessões inseridas no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) representam oportunidades para investimentos expressivos e com retornos atrativos para o mercado.

Ernesto Araújo também anunciou a redução das taxas para concessão de visto para a Arábia Saudita, em reciprocidade. Segundo o chanceler, a tarifa passará a ser de US$ 80. Além disso, a validade do visto pode passar para cinco anos. Hoje é de um ano.

Bolsonaro se encontra com banqueiros e com príncipe saudita

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) abriu espaço em sua agenda na Arábia Saudita para se encontrar com grandes banqueiros. Nesta terça-feira (29) pela manhã, ele se reuniu com John Waldron, presidente do Goldman Sachs & CO. Já nesta quarta-feira (30), será a vez de altos funcionários do japonês Soft Bank. Além disso, o presidente brasileiro encontrou-se com o príncipe herdeiro saudita, Mohamed bin Salman.

Os executivos estão em Riad, capital da Arábia Saudita, para participar da conferência conhecida como "Davos no deserto" e aproveitaram para pedir audiência com o presidente brasileiro.

Bolsonaro é uma das estrelas da conferência junto com o primeiro-ministro indiano Narendra Modi. Poucos líderes internacionais aceitaram participar depois que o príncipe Mohammed bin Salman foi acusado de mandar matar um jornalista no ano passado.

No encontro com Waldron, Bolsonaro disse ao presidente do Goldman Sachs que os investidores têm mais confiança para investir no Brasil após a aprovação da reforma da Previdência e garantiu que vai prosseguir com as reformas. Já o executivo americano disse que o banco apoia integralmente essa agenda e está interessado em financiar obras de infraestrutura no Brasil. Uma das áreas que mais atraem os bancos de investimento é o saneamento.

Já após o encontro com o príncipe Mohamed bin Salman, o presidente brasileiro disse estar otimista quanto às chances de investimento da Arábia Saudita no Brasil. "Eles têm falado que a confiança no novo governo os tem levado a querer investir no Brasil. Isso os encoraja a investir no Brasil. E o Brasil não vai deixar passar essa oportunidade", afirmou Bolsonaro.

BRF vai instalar fábrica de US$ 120 milhões na Arábia Saudita

A BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, vai instalar uma fábrica de processados de carne de frango na Arábia Saudita. O investimento é de US$ 120 milhões (R$ 477,4 milhões) e a unidade começa a operar em 2021.

Não há garantia do governo saudita de retomada das compras da fábrica da BRF em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. A expectativa, no entanto, é que isso acabe ocorrendo.

No início de novembro, uma missão saudita pode ir a Abu Dhabi para inspecionar a fábrica. A BRF precisa da liberação da unidade para atender o mercado da Arábia Saudita com processados até 2021.

A BRF assinou nesta terça-feira (29) um memorando de entendimentos com a Autoridade Geral de Investimento da Arábia Saudita (Sagia, da sigla em inglês) para a construção da fábrica. A Sagia vai facilitar os trâmites burocráticos e dar incentivos.

No início deste mês, a Arábia Saudita reduziu drasticamente as importações da fábrica em Abu Dhabi alegando restrições técnicas. Os sauditas, no entanto, já desejavam que a BRF abrisse uma unidade em seu país e, principalmente, que aumentasse a compra de carne de frango no país.

A BRF se comprometeu a abastecer a fábrica parcialmente com compra de frango de produtores locais. O restante viria do Brasil. Os percentuais ainda não estão definidos. "Estamos no país há 40 anos e acreditamos nos planos de desenvolvimento de longo prazo da Arábia Saudita", disse Lorival Luz, presidente da BRF. A empresa é líder no mercado halal -carne de frango abatida e processada conforme os princípios islâmicos.

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