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Indústria

- Publicada em 21h39min, 29/10/2019. Atualizada em 09h25min, 30/10/2019.

Hyva começa a avaliar seu plano de expansão

Em 2020, empresa inicia produção de cilindros para carretas agrícolas

Em 2020, empresa inicia produção de cilindros para carretas agrícolas


/JULIO SOARES/DIVULGAÇÃO/JC
Roberto Hunoff, de Caxias do Sul
Após crescimento de 47% no ano passado e projeção de 24% para este, a Hyva do Brasil estima mais 10% para 2020, o que deve elevar a produção de cilindros hidráulicos telescópicos e guindastes para níveis muito próximo do limite da capacidade instalada na operação de Caxias do Sul. Na avaliação de Rogério De Antoni, vice-presidente das Américas, as instalações atuais de 20 mil m2 de área construída ainda têm potencial de suportar expansão de 25% a 30% por meio da adoção de novos turnos de trabalho e aportes em equipamentos para ganhos em produtividade.
Após crescimento de 47% no ano passado e projeção de 24% para este, a Hyva do Brasil estima mais 10% para 2020, o que deve elevar a produção de cilindros hidráulicos telescópicos e guindastes para níveis muito próximo do limite da capacidade instalada na operação de Caxias do Sul. Na avaliação de Rogério De Antoni, vice-presidente das Américas, as instalações atuais de 20 mil m2 de área construída ainda têm potencial de suportar expansão de 25% a 30% por meio da adoção de novos turnos de trabalho e aportes em equipamentos para ganhos em produtividade.
Reconhece, no entanto, que, no próximo ano, a empresa deve iniciar estudos para ampliar a estrutura da fábrica, onde também são fabricados kits hidráulicos, componentes, como bombas, válvulas e comandos, e piso móvel - sistema de carga e descarga horizontal para materiais a granel com alto volume e baixo peso, usado em semirreboques e em fábricas de processamento e estações de transferência. Além destes, na virada do ano, a marca ingressa no mercado de cilindros para carretas agrícolas, atendendo segmento de pequenos produtores rurais, mas de grande potencial de compra.
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O Brasil será o segundo país do mundo onde a Hyva fabricará estes modelos, antes restritos à Índia. "A marca é líder mundial, com 45% de participação no mercado de cilindros hidráulicos para diferentes aplicações. No Brasil, temos esta condição no segmento de basculantes e queremos o mesmo na área agrícola, onde já atuamos junto a grandes fabricantes, mas sem explorar o potencial existente.
Este novo mercado é concorrido, de muitos fornecedores de pequeno porte e atuação regionalizada. Esperamos ser competitivos, principalmente, pela capacidade de produção e empregando, no Brasil, as mesmas especificações tecnológicas usadas na Índia, mas ajustadas ao mercado local", assinala.
De Antoni destaca que a produção, no primeiro ano, será de aproximadamente 1,5 mil unidades. "Será uma expansão gradual, inicialmente atuando junto aos fabricantes de máquinas e, na sequência, com a marca já consolidada, também mais perto do consumidor final, como já ocorre na linha de cilindros para basculamento de implementos rodoviários", explica. Para a produção desta linha, a empresa investirá em alguns novos equipamentos e bancada específica para testes de 100% das unidades.
Durante a Fenatran, onde apresentou o novo produto em estande de 180 m2, o dobro da edição passada, a diretoria da Hyva já antecipou as comemorações de novo recorde de faturamento em seus 24 anos de história no Brasil - no mundo a marca completou quatro décadas em 2019. Rogério De Antoni projeta para este exercício faturamento de R$ 270 milhões. "Neste quase meio século de presença no Brasil, a empresa só teve baixas em 2015 e 2016", observou.
De acordo com o executivo, a estimativa de 10% para o próximo ano pode ser considerada como conservadora, pois o sentimento captado na feira realizada em São Paulo foi de muito otimismo. "Clientes que projetavam, antes da feira, expansão de 5% a 10%, alguns até zero, já falavam em 20%. Nos implementadores, o clima positivo foi bem maior do que nos fabricantes de caminhões. No geral, ficamos surpresos com o ânimo dos clientes", expôs, lembrando de 2017, quando todos chegaram receosos e a feira gerou resultados acima dos esperados.
As manifestações mais positivas tiveram origem em clientes ligados aos segmentos da mineração e construção civil, que, segundo De Antoni, precisa retomar. "Com ela, teremos forte expansão econômica e de geração de empregos", projetou. A Hyva, que tinha 240 funcionários, reduziu para 190 durante a crise, e já alcançou 260, devendo agregar mais 10 com a linha de cilindros para a área agrícola.
No segmento de guindastes, a Hyva já se posiciona dentre os três maiores fabricantes do Brasil. De acordo com Rogério De Antoni, neste ano, a marca ganhou mais três pontos de participação, ficando muito próximo do líder. Para 2020, a projeção é conquistar mais três pontos com novos produtos específicos para a eletrificação.
Diante da retomada forte do mercado interno, as exportações deverão ter participação menor no total do faturamento. Para De Antoni, o índice deve ficar na casa dos históricos 30%. Durante a crise, a parcela chegou aos 50%, com incremento de vendas para os Estados Unidos e países asiáticos - para estes por meio de acordo interno com as demais fábricas. Com o incremento do mercado interno, estes clientes passaram a ser atendidos por outras unidades do grupo.

Exportações de máquinas e equipamentos caem 10,6%

As exportações de máquinas e equipamentos em setembro recuaram 10,6% ante agosto, segundo a Abimaq, entidade que congrega as empresas do setor. Na comparação com setembro do ano passado, houve um ligeiro crescimento de 0,1% e no acumulado do ano até setembro, uma queda de 4,5% ante mesmo período de 2018.

As importações caíram 28,4% na margem, cresceram 30,7% em setembro ante idêntico mês em 2018 e aumentaram 18,7% no acumulado do ano até setembro ante o mesmo período do ano passado.

O saldo entre as exportações e as importações mostrou uma queda de 40,2% em setembro ante agosto, uma alta de 87,1% sobre setembro do ano passado e um aumento de 62,5% no acumulado do ano até setembro sobre igual período em 2018.

O nível de emprego no setor de máquinas e equipamentos recuou 0,3% de agosto para setembro. No fim do mês passado o setor empregava 307,688 mil trabalhadores. Na comparação com setembro de 2018, o número de empregados cresceu 2,1%.

No acumulado de 2019 até setembro, o índice que mede o emprego na indústria de máquinas e equipamentos cresceu 3,7% sobre idêntico mês no ano passado.

Já o faturamento da indústria de máquinas e equipamentos cresceu 0,1% em setembro ante agosto. Em valores, o faturamento foi de R$ 7,579 bilhões. Na comparação com setembro do ano passado, o faturamento cresceu 2,2%, No acumulado ano o setor de máquinas e equipamentos faturou R$ 61,437 bilhões, valor que supera em 1,2% o faturamento registrado no mesmo período do ano passado.

O consumo aparente do setor, que considera o total da sua produção adicionada das importações e subtraída das exportações, caiu 16,4% em setembro ante agosto, subiu 16,8% ante setembro do ano passado e subiu 13,6% no acumulado do ano até setembro ante o mesmo período do ano passado.

Venda para Caoa não sai, e unidade da Ford vai fechar

Sem a conclusão da venda para um novo controlador, a unidade de caminhões da Ford, em São Bernardo do Campo, vai encerrar as atividades hoje. Na manhã de ontem, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC informou aos trabalhadores durante assembleia na entrada da fábrica que o negócio ainda não foi concluído e que os cerca de 600 funcionários que trabalham na linha de montagem dos veículos serão demitidos nos próximos dias. As informações são de que o Grupo Caoa não conseguiu financiamento do total de recursos necessários para a compra da unidade.

O grupo Caoa, que tinha mostrado publicamente interesse em assumir a fábrica, informou que ainda "não há maiores informações sobre as negociações". A Ford confirmou o encerramento da produção no dia 30 de outubro e informou que se manifestaria amanhã sobre o fechamento da unidade. Procurada, a secretaria de Fazenda do governo paulista informou que não tinha conhecimento sobre como andam as negociações entre a Ford e a Caoa.

A Ford tinha cerca de 2.200 trabalhadores em São Bernardo. No início deste ano, a montadora anunciou que, após sucessivos prejuízos, estava saindo do mercado de caminhões da América Latina e informou que a fábrica seria fechada. La também havia a fabricação do Ford Fiesta, que foi encerrada em meados de julho.

Desde o início do ano, 1.200 colaboradores já foram desligados. Eles aderiram o pacote de incentivos para a demissão, que prevê pagamento de pelo menos dois salários a cada ano trabalhado, além de outros benefícios conforme o tempo de empresa. Na unidade da Ford de São Bernardo, ainda devem permanecer mil funcionários administrativos. Eles devem ser transferidos para a nova sede administrativa da montadora na zona Sul de São Paulo em março de 2020.

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