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Porto Alegre, terça-feira, 29 de outubro de 2019.
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Jornal do Comércio

Economia

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Relações Internacionais

Edição impressa de 29/10/2019. Alterada em 29/10 às 03h00min

Relações com Argentina preocupam empresas

Exportadores alertam para possível perda de mercado com confronto; calçadistas temem volta de barreiras

Exportadores alertam para possível perda de mercado com confronto; calçadistas temem volta de barreiras


/JUAN MABROMATA/AFP/JC
Setores exportadores se preocupam com as relações entre Jair Bolsonaro (PSL) e o presidente recém-eleito na Argentina, Alberto Fernández. Em viagem ao Oriente Médio, Bolsonaro lamentou a derrota de Mauricio Macri nas eleições da Argentina no domingo e disse que não pretende cumprimentar o peronista Fernández por sua vitória.
Setores exportadores se preocupam com as relações entre Jair Bolsonaro (PSL) e o presidente recém-eleito na Argentina, Alberto Fernández. Em viagem ao Oriente Médio, Bolsonaro lamentou a derrota de Mauricio Macri nas eleições da Argentina no domingo e disse que não pretende cumprimentar o peronista Fernández por sua vitória.
"Eu lamento. Não tenho bola de cristal, mas acho que os argentinos escolheram mal", disse Bolsonaro. "Não vou cumprimentar. Mas não vamos nos indispor. Ele vai assumir, vai tomar pé do que está acontecendo e vamos ver como vai se comportar."
Questionado sobre como ficará o relacionamento no que diz respeito ao Mercosul, Bolsonaro disse acreditar que tudo seguirá como está. Nos últimos dias, no entanto, o presidente tem dado declarações contraditórias sobre o futuro do bloco econômico, chegando a ameaçar isolar a Argentina.
Mais tarde, em sua chegada a Riad, na Arábia Saudita, Bolsonaro voltou a falar da eleição argentina, agora recuando parcialmente e dizendo que não faria "mau juízo" do resultado eleitoral. "Vamos sentir como os empresários e grandes investidores vão reagir. Não quero fazer mau juízo. Espero que esteja equivocado o que penso."
A Argentina é terceiro maior parceiro comercial do Brasil, depois de China e Estados Unidos, e o maior comprador de produtos industriais brasileiros, embora o comércio bilateral esteja sofrendo com a desaceleração do crescimento nos dois países.
Segundo o Ministério da Economia, de janeiro a setembro deste ano o Brasil teve um déficit de US$ 333 milhões na balança comercial com o país vizinho, depois de anos de superávit. Os argentinos venderam US$ 7,814 bilhões ao mercado brasileiro e importaram US$ 7,481 bilhões.
Na avaliação de um grande industrial, se Bolsonaro entrar em colisão com Fernández, pode perder oportunidade de negociar com um país que está fragilizado, porque, neste momento, a Argentina precisa muito mais do Brasil do que o contrário. Um sinal de apoio brasileiro poderia estimular o vizinho a se manter em uma agenda mais moderada.
O que preocupa empresários é que as primeiras interações foram conflituosas. Para um representante de um dos maiores setores exportadores, embora o argentino tenha provocado Bolsonaro ao fazer gesto de "Lula Livre" com as mãos, o presidente brasileiro poderia ter relevado, sem reagir no mesmo tom. No domingo (27), Fernández publicou nas redes sociais uma foto fazendo sinal de "L" com os dedos, em sinal de apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao que Bolsonaro respondeu dizendo ser uma afronta à democracia brasileira.
A AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil) alerta que se o Brasil criar dificuldades, pode perder um comprador importante. "Não podemos abrir mão da Argentina porque a China pode ficar muito feliz com qualquer prejuízo na relação", afirmou ele. Segundo Castro, a Argentina deve ainda adotar barreiras à importação brasileira, e o setor automobilístico deve ser o mais afetado. A relação entre os dois países, de acordo com ele, é importante para favorecer negócios entre o Mercosul e a União Europeia. "O melhor é deixar a poeira assentar e não fazermos comentários contra a Argentina", disse Augusto de Castro.
Após o resultado da eleição, no domingo, Synésio Batista, presidente da Abrinq (Associação Brasileira de Fabricantes de Brinquedos), disse ter recebido telefonema de seus colegas representantes da indústria argentina questionando sobre como continuariam os negócios.
Batista afirmou ter assegurado que as relações com os vizinhos não mudam em nada com a nova gestão. "Se ficarmos com implicância, vamos perder. Os argentinos continuam sendo nossos parceiros, sem essa história de ideologia. Temos um acordo de complementação industrial e vamos continuar. Eles fornecem partes e peças e nós terminamos aqui no Brasil", diz Batista.
Em nota, a Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) disse que a eleição de Fernández "traz novamente o fantasma de possíveis barreiras aos calçados brasileiros exportados para a Argentina". "É natural que exista o receio (da volta do protecionismo). Durante boa parte de governo de Cristina Kirchner, hoje vice-presidente na chapa eleita, tivemos problemas com a liberação de licenças, com prejuízos que chegaram a mais de US$ 200 milhões", afirmou Haroldo Ferreira, presidente da entidade, em comunicado.
A Argentina, de acordo com a entidade, é o segundo destino internacional do calçado brasileiro, importou 7 milhões de pares pelos quais foram pagos US$ 77 milhões, quedas de 25,5% em volume e de 33% em receita na comparação com 2018.
 

Acordo entre Mercosul e UE não deve ter impacto, diz secretário

A eleição de um partido de oposição ao atual governo argentino não deverá ter impacto no acordo entre o Mercosul e a União Europeia, avaliou o secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Lucas Ferraz, um dia depois da vitória da chapa de Alberto Fernandéz e Cristina Kirchner no país vizinho.

Segundo Ferraz, o acordo UE e Mercosul teve forte apoio da sociedade argentina e é pouco provável que a nova gestão interrompa o processo. Ele estima que, se tudo correr como o esperado, em meados de 2020 o acordo deverá a ter sua vigência aprovada.

"A convicção (da manutenção do acordo) parte do diagnóstico de que é um acordo muito vantajoso para ambas as partes, Mercosul e UE, e vai trazer vantagens para os consumidores, com produtos mais baratos e acessíveis. Com o tempo, isso vai ficar mais claro", disse Ferraz, que não acredita que as críticas à postura do Brasil em relação ao meio ambiente por alguns países europeus possa prejudicar a aliança. "Toda essa eventual celeuma que foi criada por questões ambientais vai passar e a racionalidade do debate vai ser retomada e ele vai ser aprovado", afirmou.

'Forças do mal estão celebrando', afirma Araújo

Ernesto Araújo declarou que Fernández traria fechamento comercial

Ernesto Araújo declarou que Fernández traria fechamento comercial


/MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL/JC

"As forças do mal estão celebrando. As forças da democracia estão lamentando pela Argentina, pelo Mercosul e por toda a América do Sul", disse o chanceler Ernesto Araújo nesta segunda (28) em relação ao resultado das eleições presidenciais na Argentina, que consagrou a volta do kirchnerismo ao poder.

A eleição do domingo (27) no país vizinho coroou a estratégia da ex-presidente Cristina Kirchner, que surpreendeu ao decidir se candidatar a vice numa chapa liderada por Alberto Fernández. Eles derrotaram Mauricio Macri, que deixa o país em meio a uma grave crise econômica.

Em uma série de posts em uma rede social, Ernesto afirmou ainda que a eleição de Fernández traria "fechamento comercial, modelo econômico retrógrado e apoio às ditaduras".

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