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Porto Alegre, quarta-feira, 23 de outubro de 2019.
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Jornal do Comércio

Economia

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Logística

Edição impressa de 23/10/2019. Alterada em 23/10 às 08h17min

Quase 60% da malha rodoviária gaúcha apresenta problemas

Pesquisa da CNT aponta piora na qualidade das estradas brasileiras neste ano

Pesquisa da CNT aponta piora na qualidade das estradas brasileiras neste ano


JOÃO MATTOS/ARQUIVO/JC
Jefferson Klein
A qualidade das rodovias brasileiras caiu neste ano, conforme indica a 23ª edição da Pesquisa CNT de Rodovias, divulgada nessa terça-feira pela Confederação Nacional do Transporte e pelo Sest Senat. O estado geral das estradas pavimentadas apresenta problemas em 59% da extensão dos trechos avaliados, contra um percentual de 57% em 2018. Já a malha rodoviária do Rio Grande do Sul verifica dificuldades similares à do País. Do total analisado, 59,4% registrou algum tipo de contrariedade quanto ao seu estado em geral, sendo considerado trecho regular, ruim ou péssimo, e 40,6% foi julgado como ótimo ou bom.
A qualidade das rodovias brasileiras caiu neste ano, conforme indica a 23ª edição da Pesquisa CNT de Rodovias, divulgada nessa terça-feira pela Confederação Nacional do Transporte e pelo Sest Senat. O estado geral das estradas pavimentadas apresenta problemas em 59% da extensão dos trechos avaliados, contra um percentual de 57% em 2018. Já a malha rodoviária do Rio Grande do Sul verifica dificuldades similares à do País. Do total analisado, 59,4% registrou algum tipo de contrariedade quanto ao seu estado em geral, sendo considerado trecho regular, ruim ou péssimo, e 40,6% foi julgado como ótimo ou bom.
O levantamento avalia toda a malha federal pavimentada e os principais trechos estaduais, também pavimentados. Em 2019, foram analisados 8.874 quilômetros no Rio Grande do Sul e 108.863 quilômetros no Brasil. Foram constatados problemas quanto ao pavimento, à sinalização, à geometria das vias, entre outros. O estudo identificou, ainda, 78 pontos críticos no Rio Grande do Sul, sendo sete erosões na pista, duas quedas de barreira e 69 trechos com buracos grandes. Esse resultado representa 9,8% do total do País, deixando o Estado em terceiro nesse ranking negativo, superado apenas por Maranhão, com 213 pontos críticos, e Ceará, com 106.
De acordo com a CNT, para recuperar as rodovias no Rio Grande do Sul, com ações emergenciais, de manutenção e de reconstrução, seriam necessários R$ 4,89 bilhões. Do total de recursos autorizados pelo governo federal para infraestrutura rodoviária, especificamente no Estado, em 2019 (R$ 685,35 milhões), foram investidos R$ 573,09 milhões até setembro (83,6%). O prejuízo gerado pelos acidentes no Rio Grande do Sul foi de
R$ 581,83 milhões no ano passado - o cálculo considera os danos com veículos, cargas e despesas médico-hospitalares. Também considera a perda de produção das pessoas que morrem nas rodovias, parte delas ainda muito jovem.
Ainda em 2018, o governo federal gastou R$ 755,31 milhões com obras de infraestrutura rodoviária de transporte no Rio Grande do Sul. Quanto ao meio ambiente, o trabalho da Confederação Nacional do Transporte estima que, em 2019, haverá um consumo desnecessário de 71,1 milhões de litros de diesel devido à má qualidade do pavimento. Esse desperdício custará R$ 251,94 milhões aos transportadores.
No cenário nacional, a pesquisa mostra que estão piores as situações do pavimento (52,4% com problema), da sinalização (48,1%) e da geometria da via (76,3%) em 2019. No ano passado, a avaliação foi 50,9%, 44,7% e 75,7% com dificuldades, respectivamente. A análise estima a necessidade de R$ 38,6 bilhões para reconstrução e restauração das rodovias brasileiras. Em 2018, foram registrados, nas rodovias federais brasileiras, 69.206 acidentes. O prejuízo gerado é da ordem de R$ 9,73 bilhões para o País, com a perda de 5.269 vidas e, ainda, com 76.525 pessoas feridas.
O professor de Transportes da Escola de Engenharia da Ufrgs Luiz Afonso Senna diz que os resultados da pesquisa não surpreendem. "Quando não se tem investimento, vai caindo a qualidade", alerta. O especialista salienta que os governos estaduais e federal não possuem recursos para pagar as folhas de funcionários, quanto mais para fazer aportes em infraestrutura. Entre as ferramentas para amenizar a situação, conforme Senna, estão as concessões e as parcerias público-privadas (PPPs). O professor da Ufrgs adverte que, se não for melhorada a logística nacional, o custo País aumentará.
Estado Geral das Rodovias

Condições ruins refletem em custos logísticos

Segundo a Pesquisa CNT de Rodovias, as condições insuficientes das estradas impactam diretamente nos custos do transporte. Neste ano, estima-se que, na média nacional, as inadequações do pavimento resultaram em uma elevação do custo operacional do transporte em torno de 28,5%, sendo que o maior índice foi registrado na região Norte (de 38,5%). No Rio Grande do Sul, esse percentual foi de 29%.

O presidente da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), Vander Costa, destaca a importância do investimento para que seja possível manter e expandir a malha rodoviária brasileira, garantindo a qualidade do tráfego de veículos. "É urgente a necessidade de ampliar os recursos para as rodovias e melhorar a aplicação do orçamento disponível", afirma.

Segundo Costa, a priorização do setor nas políticas públicas e a maior eficiência na gestão são imprescindíveis para reduzir os problemas nas estradas e aumentar a segurança no transporte.

O número de pontos críticos identificados pelo levantamento da CNT ao longo dos 108.863 quilômetros pesquisados na malha nacional aumentou 75,6%. Passou de 454, em 2018, para 797 em 2019. Nesta edição do estudo, foram percorridas todas as cinco regiões do Brasil, durante 30 dias (de 20 de maio a 18 de junho), por 24 equipes de pesquisadores. No ranking das melhores ligações rodoviárias, a primeira classificada foi a entre Campinas e Jacareí, em São Paulo, através das estradas SP-065 e SP-340.

A pior colocada, na 109ª posição, é entre Natividade (TO) e Barreiras (BA) envolvendo as rodovias BA-460, BA-460/BR-242, TO-040 e TO-280. Na Região Sul, o destaque, na 23ª posição, fica entre Porto Alegre e Curitiba, abrangendo as BRs 376, 290, 280 e 101.

Além de abordar a situação das rodovias sob gestão pública e sob gestão concedida, o estudo também realiza o levantamento das infraestruturas de apoio, como trechos com postos de abastecimento, borracharias, concessionárias e oficinas mecânicas, restaurantes e lanchonetes disponíveis ao longo das rodovias.

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